Thursday, September 24, 2020

Confira 5 séries feministas para assistir e se inspirar na Netflix

Ah, séries feministas! Dá pra se entreter e pensar sobre o papel da mulher no mundo. Explorando o catálogo da Netflix, encontramos diversas produções com personagens feministas inspiradoras que buscam igualdade, respeito e liberdade através de suas vivências e lutas.

Tais séries presentes no streaming, que abordam o feminismo, mergulham na liberdade sexual feminina, na reeducação quanto a condutas machistas, na independência financeira e emocional das mulheres, na sororidade. Além disso, tratam da não exploração e objetificação do corpo feminino, na emancipação e põem em cheque o sistema patriarcal.

Desse modo, dentre as várias ótimas séries feministas que constam no catálogo da Netflix, destacamos 5 para você se inspirar e maratonar! Bora conferir:

Ela Quer Tudo

Ela Quer Tudo gira em torno de Nola Darling (DeWanda Wise), uma mulher negra de vinte e poucos anos, artista e moradora de Fort Greene, área nobre do Brooklyn. Diferenciada, independente e cheia de atitude, Nola divide-se entre seu trabalho como artista plástica, suas amigas e três caras. São eles, Mars Blackmon (Anthony Ramos), Greer Childs (Cleo Anthony) e Jamie Overstreet (Lyriq Bent). Com Nola, exploramos a liberdade sexual feminina, especialmente de corpos negros. Ademais, tem o enaltecimento da cultura negra (cada episódio conta com sonoplastia majoritariamente composta por artistas negros), o enfrentamento de condutas machistas, dentre outros.

Aliás, se liga no trailer (em inglês):

Enfim, dirigida e criada pelo ótimo Spike Lee, a série é baseada no filme homônimo, de 1986, e foi a estreia do cineasta nas telonas. Ela Quer Tudo possui 2 temporadas.

Inacreditável

Inacreditável é uma minissérie de investigação criminal, baseada no livro Falsa Acusação: Uma história verdadeira. A saber, conta a história real da jovem Marie Adler (Kaitlyn Denver), que foi acusada de falsa denúncia de estupro.

Assim, o drama real chama atenção pela forma como uma vítima de estupro recebe um tratamento distante e cruel do Estado. As burocracias, que vão desde a vítima ser interrogada diversas vezes por pessoas diferentes, o exame de corpo de delito, o registro na delegacia, somados a falta de preparo e tato dos policiais homens ao lidarem com o caso é, no mínimo, difícil de se ver. Desse modo, em todo o momento, a vítima Marie está completamente sozinha, sem nenhum apoio ou afeto. Com isso, diante de tanta pressão, Marie retira sua denúncia e começa, então, seu inferno astral.

Em paralelo, em outras cidades, ocorrem casos muito parecidos com o de Marie e aí entram em cena as policiais que mudarão o rumo das investigações: Karen Duvall (Merritt Wever) e Grace Rasmussen (Toni Collette). Com a chegada das investigadoras, notamos de cara o abismo entre o tratamento dado às vítimas com policias homens e mulheres. Karen e Grace se preocupam com o estado psicológico da vítima e dão suporte emocional a elas. Aliás, a sororidade entre mulheres é, no mínimo, acalentadora.

Indubitavelmente, a importância de ter policiais mulheres à frente de uma investigação sobre violência doméstica e casos de estupro é evidente e um ponto forte da série. Certamente, ela denuncia também a falta de segurança pública, o protecionismo do Estado quanto aos policiais homens, o despreparo de policiais e o não acolhimento do Estado com vítimas de abusos sexuais.

Afinal, Inacreditável é uma minissérie de 8 capítulos.

Coisa Mais Linda

A série brasileira Coisa Mais Linda, original da Netflix, tornou-se uma das queridinhas da audiência. É um drama de época, situado no Rio de Janeiro dos anos 1950/60, e acompanha a trajetória de emancipação de quatro amigas: Malu(Maria Casadevall), Adélia(Pathy Dejesus), Lígia(Fernanda Vasconcellos) e Thereza(Mel Lisboa), juntamente com a ascensão da bossa nova.
A série retrata o conservadorismo da alta sociedade carioca, a sororidade potente entre as amigas, o embate ao domínio masculino sobre o corpo e as escolhas das mulheres, o racismo e o aborto. Thereza é a personagem que mais evidencia a veia feminista militante.

Primeiramente, olha o trailer, e siga lendo:

Ainda que notemos certas mudanças sociais e políticas concernentes ao lugar da mulher na sociedade, comparando os anos 50/60 e hoje, fica a reflexão para o fato de que muitas condutas machistas ainda são reproduzidas e terrivelmente nocivas. Entre elas, a violência doméstica e o feminicídio, temas também abordados na série.

A saber, um dos destaques da trama é tratar as diferenças entre feminismo branco e negro e o enfrentamento das mulheres contra as figuras masculinas. Coisa Mais Linda conta com 2 temporadas.

As Telefonistas

Produção espanhola de destaque na plataforma, As Telefonistas é ambientada na Madri dos anos 1920/30, período pós Primeira Guerra Mundial, no qual as mulheres ainda não tinham direito ao voto (direito civil conquistado em 1931, na Espanha) e seu papel social estava limitado aos muros da própria residência, como donas de casa, privando-as de existirem como indivíduo civil e político.

Nesse contexto, encontra-se a história de quatro mulheres que trabalham numa companhia de telefonia, comandada pela família Cifuentes, e elas vivenciam na pele o apagamento da mulher numa sociedade patriarcal, os relacionamentos familiares complicados, a transsexualidade – pensem nessa temática sendo tratada na década de 20, a tentativa de protagonismo feminino, a luta por direitos LGBT, a opressão fabril, a sororidade , dentre outros.

Inclusive, As Telefonistas possui 6 temporadas.

Valéria

Outra produção espanhola, a série Valéria, criada por María López Castaño, é um drama sobre a jovem escritora Valéria(Diana Gómez), que divide-se entre um bloqueio criativo, um casamento em crise e um relacionamento familiar ruim.

Assim, ela compartilha seus dilemas com três amigas: Lola (Silma López), Carmen(Paula Malía) e Nerea(Teresa Riott), que também trazem à trama temas como sexualidade, amor no trabalho, abandono parental e lesbianidade.

Aliás, veja o trailer e siga lendo:

Um ponto forte da série é o tratamento sensível com o sexo e a masturbação feminina. Assim, cada personagem encontra-se em momentos distintos quanto à sua vida sexual: Valéria está numa fase morna no casamento, Nerea passa um tempo na seca e depois envolve-se com várias parceiras, Lola vive um tórrido romance sendo amante de um cara e Carmen quer transar logo com seu colega de trabalho. Desse modo, certamente você vai se identificar com a fase de alguma personagem – e se inspirar também!

Valéria estreou este ano no streaming e conta com uma temporada (leia nossa crítica).

Ademais das séries feministas, veja mais:

Confira a voz feminina representada em 7 HQs | Mulheres e Quadrinhos
Por fim, ‘Inocência Roubada’ | Abuso infantil e arte em diálogo
Trap de Cria | Documentário mergulha na cena trap carioca e dá voz às comunidades

7 Comments

Escreve o que achou!

%d blogueiros gostam disto: