Depois de participar da transformação da animação mundial com A Era do Gelo (2002) e Rio (2011), Carlos Saldanha parte para um território completamente diferente em seu novo longa-metragem. Em 100 Dias, o diretor transforma uma das histórias de aventura mais conhecidas do Brasil em um filme de sobrevivência ambientado em alto-mar.
Inspirado na travessia histórica de Amyr Klink pelo Oceano Atlântico Sul, o longa chega aos cinemas brasileiros em 29 de outubro de 2026 e reúne uma equipe brasileira e finlandesa para recriar uma jornada marcada por isolamento, tempestades, mar aberto e vida marinha.
A produção também representa uma mudança de escala e de gênero para Saldanha, conhecido internacionalmente pelo trabalho em animações. Desta vez, a aventura está ligada a uma história real e coloca o oceano no centro da narrativa.
A colaboração internacional nasceu de uma aproximação entre as produtoras Roosa Toivonen, da Finlândia, e Paula Cosenza, do Brasil. As duas se conheceram durante o WIFTI (Women in Film and Television International) Summit, realizado em Helsinque, em 2023.
A Finlândia acabou se tornando uma parceira estratégica para a realização do projeto, especialmente pela experiência de suas empresas em efeitos visuais, design de som, trilha sonora e pós-produção.
Saldanha também já tinha uma relação profissional anterior com um animador finlandês que participou de seus trabalhos na Blue Sky Studios. O profissional esteve envolvido tanto em A Era do Gelo quanto em Rio.
Essa experiência ajudou a aproximar novamente o cineasta do mercado audiovisual finlandês.
Produzido por Ventre Studio, Boipeba Filmes, Trema, O2 Filmes, Buena Vista International e Totalpost Finland, em associação com Good Hand Film & TV, 100 Dias utiliza essa colaboração para enfrentar um dos maiores desafios do filme: transformar o oceano em um elemento dramaticamente convincente.
A água está entre os elementos mais difíceis de reproduzir digitalmente em uma produção cinematográfica. Em 100 Dias, o desafio ganha proporções ainda maiores porque o ambiente marítimo não funciona apenas como pano de fundo.
A imensidão do Atlântico, as mudanças climáticas, as tempestades e a sensação de isolamento fazem parte da própria narrativa.
A Energia VFX, da Finlândia, participou de algumas das sequências mais complexas do longa. Entre elas está uma cena envolvendo baleias em alto-mar, criada integralmente no país europeu.
Para Petri Kemppinen, CEO da Good Hand Film & TV, o objetivo foi fazer com que o espectador percebesse a força e a imprevisibilidade do Atlântico sem identificar claramente a fronteira entre os elementos reais e digitais.
Essa combinação entre tecnologia e direção artística brasileira é um dos aspectos centrais da produção.
O resultado também representa uma nova experiência para Carlos Saldanha, que passa da criação de mundos animados para uma produção live-action na qual a natureza precisa transmitir uma sensação de escala e ameaça.
100 Dias é inspirado na história real de Amyr Klink, conhecido por ter realizado a primeira travessia solitária a remo do Oceano Atlântico Sul.
A aventura permite ao filme explorar temas como sobrevivência, resiliência, isolamento e autodescoberta.
Mais do que acompanhar uma viagem pelo oceano, a narrativa se concentra na transformação provocada por uma experiência extrema.
A vastidão do mar cria uma situação na qual o protagonista precisa enfrentar não apenas as condições naturais, mas também o próprio isolamento.
Essa perspectiva ajuda a explicar a escolha de Saldanha por uma história que, embora tenha todos os elementos de uma aventura, também permite uma abordagem profundamente humana.
O diretor afirma que a produção representa uma nova etapa em sua carreira e destaca a escala dos efeitos visuais utilizados no projeto.
Segundo Saldanha, trata-se de uma produção brasileira que busca trabalhar com efeitos e dimensão narrativa pouco comuns nesse tipo de cinema nacional.
Se os efeitos visuais são fundamentais para construir o oceano, o desenho de som assume outra função: fazer o espectador sentir que está no meio dele.
A equipe da Helea Sound Post Production, da Finlândia, trabalhou na construção sonora da travessia e na representação da experiência de isolamento vivida por Amyr Klink.
O som do mar, do vento e das condições climáticas passa a integrar a própria dramaturgia.
A trilha sonora original também tem assinatura finlandesa. O responsável pela composição é Tuomas Kantelinen, compositor premiado que participa da produção internacional.
A combinação entre imagem, efeitos digitais, som e música procura criar uma experiência imersiva, especialmente em momentos nos quais a presença humana se torna pequena diante da dimensão do oceano.
A produção de 100 Dias também funciona como exemplo de colaboração entre o audiovisual brasileiro e o finlandês.
A participação das empresas da Finlândia não se limita aos efeitos visuais. O país contribuiu para diferentes etapas da pós-produção, incluindo som e música.
Para a Finlândia, o projeto também se encaixa em uma estratégia de atração de produções internacionais.
Por meio da Business Finland, o país oferece um programa de incentivo que pode reembolsar até 25% dos custos elegíveis realizados na Finlândia. Quando combinado com incentivos regionais, o percentual pode chegar a 40%.
Segundo as informações divulgadas pela Business Finland, as solicitações recebem uma resposta inicial em até 24 horas, enquanto os pagamentos costumam ser processados em aproximadamente dez dias.
A estratégia busca tornar o país mais competitivo como destino para produções internacionais, aproveitando uma infraestrutura especializada e profissionais das áreas de efeitos visuais, pós-produção e audiovisual.
No caso de 100 Dias, essa estrutura foi incorporada a uma produção essencialmente brasileira e a uma história que pertence ao imaginário nacional.
A escolha de Carlos Saldanha para comandar 100 Dias chama atenção justamente pela distância entre o novo filme e seus trabalhos mais conhecidos.
Com A Era do Gelo, Rio e outros projetos de animação, o diretor construiu uma carreira ligada à criação de universos fantásticos e personagens digitais.
Agora, ele utiliza parte dessa experiência tecnológica em uma história baseada em uma aventura real.
O desafio muda. Em vez de criar animais e ambientes inteiramente digitais, a equipe precisa utilizar efeitos visuais para ampliar uma realidade que já existe: o oceano.
Essa diferença pode fazer de 100 Dias um dos projetos mais particulares da carreira do cineasta.
A travessia de Amyr Klink oferece ainda uma história brasileira reconhecível internacionalmente, enquanto a parceria com profissionais finlandeses adiciona uma dimensão de produção internacional ao longa.
A estreia está marcada para 29 de outubro de 2026, com distribuição da Buena Vista International Brasil.
O trailer de 100 Dias apresenta a proposta do longa e dá uma primeira amostra da escala visual criada para representar a travessia pelo Atlântico Sul.
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