Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Juntos
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: Juntos entrega horror visceral e metáfora sobre o amor

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 4 de agosto de 2025
5 Min Leitura
Share
Dave Franco e Allison Brie em cena de Juntos
SHARE

Dirigido por Michael Shanks, Juntos é um terror que carrega uma metáfora um tanto óbvia, mas que se destaca pela criação de imagens memoráveis, grotescas e maravilhosas

Era uma vez um mundo onde os homens eram completos. Cada ser humano apresentava um único corpo com duas cabeças, quatro braços e quatro pernas. Com essa forma, alcançavam mobilidade plena, e um senso de confiança e plenitude tão grande que ousaram roubar o poder dos deuses. Indignado, Zeus os puniu, rompendo seus corpos ao meio. Desde então, cada metade vaga pelo mundo em busca de seu complemento, a alma gêmea que seria capaz de restaurar a sensação de completude.

Essa história, já explorada em diversas mídias, como na comédia romântica Você Nem Imagina (2020, Alice Wu), ganha uma nova dimensão quando observada sob o prisma do terror que Juntos proporciona. Ao transformar a busca pela alma gêmea em um pesadelo visceral, colocando em cheque a ideia de fusão amorosa, perna com perna, braço com braço, genital com genital, algo comum na intimidade de qualquer casal, se torna, quando exagerada, profundamente perturbadora. E assistir a isso na tela é algo que beira entre o desconcertante e o fascinante.

Estrelado por Dave Franco e Allison Brie, casal na vida real há quase 10 anos, o filme utiliza sua intimidade para potencializar a narrativa. A trama é simples, centrada em um casal em crise que, ao viver uma experiência assustadora, percebem que estão se fundindo em um, assim, antes tão separados, agora estão novamente juntos, como uma espécie de contos de fadas do horror.

Juntos

Allison Brie em cena de Juntos- Divulgação Diamond Pictures Br

Há elementos clássicos do gênero aqui: o uso intenso de som, a presença de uma seita misteriosa, e cenas de body horror que rivalizam com as de A Substância (2024, Coralie Fargeat) e Titane (2021, Julia Ducournau), sem que seja necessário descrevê-las em detalhes, pois é melhor que o espectador as descubra por si mesmo.

A presença de Brie e Franco confere veracidade ao casal, e a direção de Shanks conduz a história com segurança estética: uma direção de arte caótica e ao mesmo tempo limpa, fotografia intimista, e uma edição marcada por cortes secos que surpreendem e, por vezes, provocam risos nervosos em sua audiência. O terror aqui é de imersão total, uma experiência sensorial que envolve o espectador do início ao fim.

A estrutura narrativa é simples a ponto de ser resumida em cinco minutos, com referências filosóficas que remetem diretamente a O Banquete (380 a.C, Platão). Além disso, a metáfora da alma gêmea é um pouco óbvia demais, e o “ponto de virada” ocorre antes do esperado, o que poderia enfraquecer o filme, caso Juntos não compensasse essas escolhas com uma junção entre horror e beleza visual, algo raro no terror contemporâneo, e usado de modo semelhante por Robert Eggers em Nosferatu (2024).

Juntos

Dave Franco em cena de Juntos- Divulgação Diamond Pictures Br

O filme se destaca pelo uso de efeitos práticos incrivelmente orgânicos. O grotesco é tão bem coreografado dentro da narrativa que causa primeiro repulsa, depois estranhamento e, enfim, uma estranha sensação de alívio, prendendo o espectador num transe desconfortável até o momento exato de soltá-lo, fazendo com precisão, e construindo uma experiência cinematográfica única, baseado em puxar o espectador, levar até o clímax da tensão, e soltar de modo brusco, para novamente o atrair, até um final que dividirá opiniões. Sendo ao mesmo tempo puro, nojento, belo, e uma experiência que não será esquecida.

Juntos estreia no dia 14 de Agosto de 2025, com distribuição da Diamond Pictures.

Siga-nos e confira outras dicas em @viventeandante e no nosso canal de whatsapp !

Leia Mais

  • Crítica: Rabia mostra a dor silenciosa das esposas do Estado Islâmico
  • Crítica: Família à Prova de Balas encanta com Christina Ricci, mas é bom?
  • Crítica: Paterno escancara o Brasil das empreiteiras e do desencanto político
Tags:Almas GêmeasCinemacríticaDave FrancoDestaque no ViventeDiamond PicturesJuntosterror
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
PorAndré Quental Sanchez
Me Siga!
André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

praia das cardosas paraíba
CulturaEventos

Rio Ocean Week: primeira edição no RJ reúne ciência, cultura e ativismo em defesa do mar

Alvaro Tallarico
3 Min Leitura
A Vida Invisível luta por prêmios ao redor do mundo. Leia no Vivente Andante.
Cinema e StreamingNotícias

‘A Vida Invisível’ é indicado a melhor filme no Prêmio Platino de Cinema Ibero-Americano

Redação
3 Min Leitura
crítica sapatão racha dura
Cinema e StreamingCrítica

‘SAPATÃO: uma racha/dura no sistema’ da 24ª Mostra de Cinema Tiradentes

Felipe Novoa
3 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?