Dirigido por Michel Angelo Covino, Amores à Parte transforma o caos controlado em motor narrativo para explorar amor, amizade e relações fluidas
Em menos de um mês, Dakota Johnson estreia dois filmes que envolve relações, amor e triângulos amorosos, porém, suas personagens tão distintas, mostram quão diferente são as duas abordagens, e retratos, sobre o amor. Enquanto Amores Materialistas (2025, Celine Song) apresenta uma Dakota fria e meticulosa, em sua grande parte, sendo um espelho do urbano e das complicações que criamos em cima das relações, Amores à Parte apresenta uma personagem bem mais confiante e confortável na própria pele, talvez pelo fato do fator maternidade entrar no jogo, ocasionando uma leveza dentro deste universo que apresenta discussões semelhantes, porém, de maneira bem mais caótica, e ao mesmo tempo leve.
Ao analisarmos o trailer de Amores à Parte, percebemos que ele não explora muito da história do filme em si, deixando a história em segundo plano, e personagens carismáticos como uma mãezona Dakota Johnson, uma leve Adria Arjona, e uma absurda amizade composta por Kyle Marvin, co-roteirista da produção, e Michel Angelo Covino, co-roteirista e diretor da obra, nas entrelinhas, e focando no caos, e na anarquia, que fora de contexto, é a melhor forma de marketing para atrair curiosos, entregando o tom da produção, mas, quase nada do contexto.

Dakota Johnson, Michel Angelo Covino e Simon Webster em cena de Amores a Parte- Copyright NEON
Dentro deste simulacro caótico idealizado por Covino, temos uma decupagem meticulosamente planejada, repetindo muito da temática presente em seu longa A Subida (2019, Michel Angelo Covino), demonstrando uma linguagem única para uma produção de comédia, principalmente pelos usos de longos planos sequências dignos da série O Estúdio (2025, Seth Rogen e Evan Goldberg), com destaque para a cena final da festa e para o plano que demonstra com rapidez os diversos amantes de Ashley, e uma edição que se valoriza por sua agilidade e cortes rápidos, brincando diversas vezes com a ironia da situação.
Enquanto Amores Materialistas se utiliza da cidade de Nova Iorque como um enorme, e amedrontador cenário que nos oprime, Amores à Parte se utiliza de um subúrbio para explorar maiores cenários, trazendo uma paleta uma leveza como um todo para estes personagens que, apesar de não conhecermos muito de suas histórias pregressas, são pessoas muito divertidas de se acompanhar, incluindo diversos secundários que deixam suas marcas mesmo com pouco tempo de tela, por conta de diversas frases curtas que cada um deles lança em diversos momentos, trazendo sempre algo inesperado para a produção.

Adria Arjona e Kyle Marvin em cena de Amores à Parte- Divulgação Diamond Pictures BR
Amores à Parte não toma um lado na discussão, nem defende um ponto como: “a vida tem que ser assim”. Ao seu final, Amores à Parte se diverte simplesmente contando um causo, como uma simples conversa no bar após tudo ter sido dito e feito, talvez por conta disso que os personagens começam e terminam da mesma maneira que começaram. O seu final não importa, pois no mundo real também é assim, toda jornada que passamos, nos muda um pouco, porém, para nos tornarmos uma pessoa completamente diferente, denota mais tempo e raciocínio do que estes personagens tem para si, e um outro foco narrativo que nunca foi a intenção de Marvin e Corvino.
Atuando como uma sátira, a ponto de seu slogan ser “An Unromantic Comedy“, a produção é original em sua simplicidade, se tornando bem mais vivo e engraçado do que o filme de Celine Song, ou qualquer outra comédia romântica lançada recentemente, simplesmente porque na medida que demonstra momentos absurdos, como a luta entre duas pessoas que definitivamente não sabem lutar, ou situações que não fazem o menor sentido e remetem a situações somente possíveis em cartoons, Amores à Parte traz a comicidade dentro deste simulacro absurdo sobre a vida não como ela é, mas como seria se tudo fosse exagerado umas 3 vezes mais.
Com distribuição da Diamond Films, Amores à Parte estreia no dia 21 de agosto em salas de todo o país.
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