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Elizabeth Olsen, Miles Teller e Callum Turner em cena de "Eternidade"- Crédito Leah Gallo
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Eternidade’ traz amor e existencialismo em absurdo pós vida

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 27 de novembro de 2025
5 Min Leitura
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Elizabeth Olsen, Miles Teller e Callum Turner em cena de "Eternidade"- Crédito Leah Gallo
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Dirigido por David Freyne, Eternidade utiliza uma premissa absurda para discutir, de forma nova e original, as complexidades e dúvidas que permeiam a existência humana

Há um lema compartilhado entre público e cineastas: “não se fazem mais filmes como este”. Seja pela narrativa, pela leveza temática em um mundo cada vez mais cínico, pela estética ou por uma praticidade que transborda em cada poro cinematográfico, estas produções remetem a uma era de ouro do cinema, os anos 50 e 60, marcada por criatividade, sensibilidade e comédias românticas que podiam alcançar profundidades inesperadas. Uma época de mestres como Billy Wilder e Ernst Lubitsch, que David Freyne homenageia e toma como inspiração na construção de Eternidade.

A partir de um conceito fantástico chamado Intersecção, um intervalo burocrático entre a morte e o descanso eterno, Freyne desenvolve uma antítese entre a leveza e a força do amor, dentro de um universo artificial, elementos que não funcionam isoladamente. Em sua comédia romântica, o protagonismo recai sobre Joan, uma mulher que deve escolher entre passar a eternidade com seu marido dos últimos 65 anos, Larry, ou com seu primeiro marido, Luke, morto na guerra e que a aguardou sua chegada por 67 anos, na esperança de que pudessem finalmente viver juntos o que nunca conseguiram em vida.

Da’vine Joy Randolph e John Early em cena de "Eternidade"- Crédito Leah Gallo

Da’vine Joy Randolph e John Early em cena de “Eternidade”- Crédito Leah Gallo

De forma rápida e acessível, as regras desse universo são apresentadas nos primeiros minutos. A narrativa então segue leve e dinâmica, apoiada no carisma de seu elenco principal, especialmente Da’Vine Joy Randolph e Miles Teller, para construir uma jornada capaz de despertar sensações distintas em cada espectador. Há quem se entregue ao drama emocional de Joan e à sua decisão impossível, há quem se diverte com o humor presente até mesmo no design de produção que aparece ao fundo da cena, e há quem mergulhe na filosofia existencialista que o filme sugere, evocando pensamentos que vão de Friedrich Nietzsche a Albert Camus, tudo isso sem abandonar o humor e a leveza, ampliados pelo cenário peculiar em que seus personagens circulam.

Ao contrário do idealizado “Paraíso” que povoa o imaginário coletivo, Eternidade apresenta um shopping baseado na superficialidade e nos estímulos sensoriais, onde vendedores prometem “felicidade eterna”, um conceito falho por natureza, já que a felicidade só existe em contraste com sentimentos mundanos, porém, que deve ser escolhido em sete dias, um prazo ínfimo frente a um tempo impossível de conceber para o público, e a partir desta premissa absurda, que surge a discussão sobre como o ser humano é complexo em seu processo de tomada de decisões, e tudo bem.

Por meio de lentes anamórficas, o cenário da Intersecção ganha escala cinematográfica, fazendo seus personagens parecerem pequenos dentro desse mundo, unindo ludismo e artificialidade, sem perder vitalidade graças a um roteiro ágil, composto por falas curtas, reações precisas, quebras de expectativa e, sobretudo, coração, nos levando a refletir desde: “qual seria a minha eternidade?” até “qual companheiro eu escolheria?”.

Direção de arte, figurino, elenco em sintonia e a trilha sonora leve e intensa de David Fleming trabalham em conjunto para fazer a produção avançar com naturalidade, porém, com quase duas horas de duração, o longa se perde em repetições e apresenta diversos “finais” antes de alcançar seu desfecho definitivo, em uma catarse que, embora quebre as regras previamente estabelecidas, encerra a obra em seu auge de sutileza e reflexão.

Elizabeth Olsen e Miles Teller em cena de "Eternidade"- Crédito Leah Gallo

Elizabeth Olsen e Miles Teller em cena de “Eternidade”- Crédito Leah Gallo

Eternidade é um filme singular, com uma premissa e um cuidado dignos da A24, mas que se destaca ainda mais por seu humor físico e por reflexões filosóficas que surgem dos lugares mais inesperados, permitindo um diálogo com o público de maneiras únicas, ultrapassando o rótulo de “comédia romântica clássica” e contribuindo para essa recente reconexão com “filmes que não se fazem mais”, e ainda bem.

Distribuído pela A24, Eternidade estreia dia 04 de dezembro nos cinemas.

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Tags:a24appleCallum TurnerCinemacríticaDavid Freyneelizabeth olsenEternidadefilme existencialistaMiles Tellerpós vida
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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