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Lee Byung-Hun em cena de "A Única Saída"- Divulgação Mubi
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘A Única Saída’ é gangorra satírica que fica entre absurdo e empatia

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 20 de janeiro de 2026
6 Min Leitura
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Lee Byung-Hun em cena de "A Única Saída"- Divulgação Mubi
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Dirigido por Park Chan-wook, A Única Saída é sátira contemporânea que encontra final eficiente ao unir absurdos e críticas ao sistema capitalista.

Desde Tempos Modernos (1936, Charlie Chaplin), ainda no auge da segunda revolução industrial, o cinema produz sátiras sobre os malefícios de um sistema capitalista que enxerga o lucro e o progresso como “a única saída”. Nesse modelo, funcionários tornam-se meros números, explorados por empresas que lucram em cima de seus sofrimentos, e os demitem sem maiores explicações, deixando-os sozinhos para lidar com as consequências. É dentro desse cenário que se insere a mais nova comédia de Park Chan-wook.

A Única Saída discute diversas questões: a crise do sistema capitalista, o papel do homem como provedor dentro da estrutura familiar tradicional, os espelhos que encontramos ao longo da vida e as decisões desesperadas tomadas por impulso. Nenhum desses temas é exatamente original dentro da linguagem audiovisual, mas todos retornam constantemente por sua relevância em uma sociedade marcada por estímulos excessivos e pressões diárias que nos empurram à exaustão.

Lee Byung-Hun e Sung-min Lee em cena de "A Única Saída"- Divulgação Mubi

Lee Byung-Hun e Sung-min Lee em cena de “A Única Saída”- Divulgação Mubi

Com altas expectativas, um diretor consagrado e reconhecimento internacional, A Única Saída chega aos cinemas prometendo muito e, acima de tudo, entrega uma comédia eficaz dentro de sua proposta. Embora se alongue além do necessário, o filme se destaca pelo cuidado estético e narrativo, reafirmando a força do cinema coreano em um gênero pouco explorado no país: a comédia, especialmente a comédia de humor negro que aposta nos absurdos do cotidiano. Aqui, acompanhamos o desespero de um pai em busca de emprego que, sem habilidade alguma e cometendo inúmeros erros, passa a assassinar candidatos para garantir um trabalho.

Nesse ponto, é inevitável a comparação com Kind Hearts and Coronets (1949, Robert Hamer). O clássico estrelado por Alec Guinness acompanha um bastardo que planeja herdar um título nobre eliminando os oito herdeiros à sua frente na linha de sucessão. Apesar da premissa sombria, o humor nasce justamente das situações absurdas e improváveis em que o protagonista se coloca. Mesmo ciente de que aquele não é o caminho correto, o público se diverte ao acompanhar as desventuras desse “azarão” que busca, acima de tudo, reconhecimento.

Muito do que se aplica ao filme de Hamer pode ser associado à A Única Saída, com destaque para a atuação de Lee Byung-hun como um verdadeiro clown trágico. Seu personagem possui um objetivo claro, mas carece da capacidade física e emocional para executá-lo com destreza, tropeçando repetidamente até alcançá-lo. Esses constantes fracassos aproximam a narrativa do absurdo e afastam qualquer clima de tensão real, consolidando a obra como uma sátira no melhor sentido da palavra, potencializada por sua execução técnica.

A trilha sonora desempenha papel fundamental na construção do tom do filme, transitando entre o cartoonesco e o sério. Ela transforma momentos potencialmente tensos em situações absurdas, como na cena em que You Man-su tenta cometer seu primeiro assassinato: a música alta impede que escutemos os envolvidos, enquanto a situação rapidamente escala para o imprevisível. Esse contraste constitui a verdadeira graça do filme e contribui para que o protagonista não seja visto como alguém digno de julgamento, mas de empatia, apesar de todos os erros que comete ao longo do filme, o que só aumenta o humor.

Cena de "A Única Saída"- Divulgação Mubi

Cena de “A Única Saída”- Divulgação Mubi

Na fotografia, Park Chan-wook aposta em planos visualmente impressionantes que, por vezes, destoam do restante da obra. Em alguns momentos, esses excessos reforçam a comédia; em outros, parecem existir apenas pela estética. À medida que A Única Saída encontra seus melhores momentos em um universo pequeno e controlado, o cotidiano da família tradicional, o filme perde força quando tenta se tornar grandioso demais. Nesses instantes, o público pode passar a buscar uma crítica mais direta e violenta, algo que nunca foi realmente a proposta do filme, ao contrário do que ocorre em Cloud – Nuvem de Vingança (2024, Kiyoshi Kurosawa).

A crítica de A Única Saída é clara, mas não exaustiva. O foco não está em atacar frontalmente o sistema, e sim em expor as consequências sociais que o mercado capitalista imprime na mente do cidadão comum, que se encontra sem chão após um momento de crise. Por meio de espelhos narrativos, acompanhamos sua queda, sua ascensão e, ironicamente, sua nova queda, ao perceber que termina sozinho, apesar de feliz, sendo esta ironia a base de todo o humor da produção.

Pré indicado Sul Coreano ao Oscar 2026, distribuído pela Mubi em parceria com a Mares Filmes, A Única Saída estreia nos cinemas no dia 22 de janeiro.

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Tags:A Única SaídaCinemacomédiaComédia humor negroComédia sul coreanacríticacritica a única saídaOscar 2026Park Chan-wook
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