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Divulgação | Festival Desapegue-se
Ciência e EducaçãoCultura

Festival Desapegue-se: Evento gratuito une sustentabilidade, cultura e economia circular

Evento ocupa a Praça Edmundo Rego com programação que mistura educação ambiental, cultura e mobilização comunitária.

Por Alvaro Tallarico
Última Atualização 19 de março de 2026
8 Min Leitura
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Divulgação | Festival Desapegue-se
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O Grajaú volta a ser ocupado por uma mobilização que transforma a praça pública em espaço de ação coletiva, reunindo cultura, sustentabilidade e participação popular em torno de um mesmo objetivo: repensar a relação entre cidade, consumo e meio ambiente. O Festival Desapegue-se retorna ao bairro após a pandemia com foco na justiça climática e na construção de soluções locais.

Criado em 2008, o evento chega à 124ª edição consolidado como uma das iniciativas comunitárias mais duradouras do Rio de Janeiro, tendo impactado mais de 360 mil pessoas. Reconhecido como patrimônio de interesse cultural, social e ecológico, o festival mantém sua proposta de articular educação, economia circular e engajamento territorial.

A retomada presencial carrega um significado simbólico, marcando o reencontro entre o evento e o território. Inspirado no conceito africano Sankofa, o Desapegue-se propõe olhar para a própria trajetória como forma de construir caminhos futuros, reforçando a ideia de regeneração a partir das raízes comunitárias.

“Como dizia Nego Bispo, a gente não acredita em fim, mas sim em início, meio e início. O retorno do Desapegue-se à praça é a prova viva desse movimento circular de tudo que é pulsante. Nesses anos de intervalo, o festival não parou; ele continuou vivo na memória do território, nas mudas da nossa horta e na vontade da nossa rede. Estar de volta agora é dar início a um novo ciclo de regeneração, mostrando que o que é feito com afeto e propósito nunca morre, ele se transforma e volta ainda mais forte para ocupar o lugar onde ele pertence: o encontro”, afirma Karima Prem.

A construção desta edição do Festival Desapegue-se parte de um processo coletivo iniciado no pré-evento Bairro Vivo, que reuniu moradores para identificar demandas e expectativas do pós-pandemia.

A escuta ativa orientou a programação, reforçando o caráter colaborativo do festival.

“Nós somos o próprio bairro em ação. O Bairro Vivo foi essencial nesse processo porque ele não foi apenas um ‘esquenta’, mas um laboratório de escuta. Foi ali, sentado com os moradores e amigos, que entendemos quais eram as dores e os sonhos atuais da comunidade pós-pandemia. Essa edição foi desenhada a partir dessa inteligência coletiva. O diferencial é que o legado não é só o dia da festa, mas a rede que se fortalece, a horta que se renova e a confiança que a gente reconstrói ao perceber que somos capazes de cocriar o futuro que queremos para o nosso lugar.”, reforça a fundadora.

Antes da programação aberta ao público, escolas do bairro recebem atividades voltadas à educação climática e à economia circular. Oficinas e ações educativas introduzem temas como consumo consciente e sustentabilidade urbana, conectando teoria e prática no cotidiano dos estudantes.

“Iniciar pelas escolas é a realização de um sonho coletivo que acalentamos há anos. Para nós, o Desapegue-se não é só festa; é um processo educativo constante. Escolhemos as escolas porque é nelas que a semente da transformação real é plantada. Quando trabalhamos o ODS 11, Cidades e Comunidades Sustentáveis, com os jovens, não estamos apenas falando de teoria. Estamos levando a prática da economia circular e da educação climática para o cotidiano deles. Queremos que eles entendam que a cidade é um organismo vivo e que eles têm o poder de cocriar soluções locais para problemas globais”, afirma Prem.

Economia circular e cultura no Festival Desapegue-se

No fim de semana, a Praça Edmundo Rego recebe atividades que vão de mutirão na horta comunitária a caminhadas históricas e ecológicas. No domingo, a tradicional Feira de Trocas volta a ser o eixo central, utilizando moeda social e incentivando novas formas de consumo.

A programação inclui ainda estação de reparos com consertos gratuitos, experiências culturais como o Espaço Nave e a Biblioteca Viva, além do encerramento com o Baile Charme de Madureira, integrando sustentabilidade e cultura urbana.

“Para nós, o desapego nunca foi sobre perda, mas sobre abertura. Muitas vezes acreditamos que a vida é sobre acumular, quando, na verdade, é sobre soltar para deixar a vida fluir. Estamos convidando as pessoas a se desapegarem da ideia de posse absoluta e do descarte. O desapego abre espaço para ganharmos a nós mesmos e ao coletivo. É assim que transformamos consumo em conexão e objetos em novas oportunidades de encontro”, observa a responsável.

Justiça climática no Festival Desapegue-se

A justiça climática é o eixo central desta edição, refletindo desafios concretos enfrentados pela cidade. O festival adota práticas sustentáveis, como redução de resíduos, alimentação vegetariana e neutralização de carbono, além de seguir normas internacionais de gestão ambiental.

A acessibilidade também integra o projeto, com recursos como intérprete de Libras, audiodescrição e estrutura adaptada, reforçando a proposta de inclusão como parte essencial da sustentabilidade.

“Acreditamos que a sustentabilidade social é a base que sustenta todos os outros pilares. Como dizia Chico Mendes: ‘Ecologia sem justiça social é jardinagem’. Não podemos falar de regeneração do território se não estivermos regenerando, primeiro, as relações humanas e combatendo as desigualdades. Para o Desapegue-se, o cuidado com a Terra é indissociável do cuidado com as pessoas; a justiça climática é, antes de tudo, uma questão de dignidade e inclusão. É por isso que nossa estrutura é pensada para que todos, sem exceção, possam ocupar a praça e ser protagonistas dessa mudança”, destaca Karima.

Serviço – Festival Desapegue-se

Local: Praça Edmundo Rego, Grajaú, Rio de Janeiro
Data: 21 mar – 2026 • 08:00 > 22 mar – 2026 • 21:00
Horário: sábado das 8h às 17h | domingo das 9h às 21h
Entrada: gratuita (retirada pelo Sympla)

21 de março de 8h às 17h

Mutirão da Horta Comunitária / Caminhada Histórica e Ecológica

22 de março de 9h às 21h

Feira de Trocas / Feira de Usados e Brechós / Expositores / Shows e Apresentações Artísticas / Oficinas e Compartilhamento de Saberes / Danças Circulares / Praça de Alimentação sem carne / Estação de Reparos / Espaço Holístico / Cinema / Artivismo e muito mais!

Programação completa do festival pode ser conferida no site oficial:
https://desapegue-festival-guide.lovable.app/

Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!

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Tags:consumo consciente eventocultura no GrajaúDestaque no Viventeeconomia circular eventoeventos gratuitos no rioeventos gratuitos rjfeira de trocas RJFestival Desapegue-seGrajaú Rio de Janeirohorta comunitária RJjustiça climática Brasilsustentabilidade Rio de Janeiro
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Jornalista especializado em Jornalismo Cultural pela UERJ.
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