O Bafo da Onça chega aos 70 anos reafirmando seu lugar na história do carnaval de rua do Rio de Janeiro. Em 2026, o bloco celebra sete décadas de existência com mudança de percurso, estreia de nova bateria e um gesto simbólico que redesenha antigas rivalidades: a presença do Cacique de Ramos no desfile de aniversário, na segunda-feira de Carnaval, 16 de fevereiro.
O encontro aprofunda um movimento iniciado no ano passado, quando a roda de samba do Cacique se apresentou pela primeira vez na quadra do Bafo, no Catumbi, durante o evento Mergulho da Onça. A aproximação, antes considerada improvável, reconfigura uma relação historicamente marcada por disputas e coloca duas das mais longevas agremiações da folia carioca em um mesmo horizonte de celebração.
Fundado em 1956 por Sebastião Maria, o Tião Maria, o Bafo da Onça nasceu em um botequim do Catumbi. Figura conhecida no bairro, Tião já desfilava sozinho fantasiado de onça antes mesmo da criação formal do bloco. O gesto individual se transformou em coletivo e atravessou gerações, consolidando o Bafo como presença contínua na paisagem cultural da cidade.
Ao completar sete décadas, o bloco se mantém como o segundo mais antigo em atividade no Rio, atrás apenas do Cordão da Bola Preta. Sua trajetória acompanha as transformações do carnaval de rua, resistindo a períodos de esvaziamento e retomada da festa nas últimas décadas.
Bafo da Onça faz novo percurso em Santa Teresa
Em 2026, o desfile deixa o entorno tradicional do Catumbi e ocupa as ladeiras de Santa Teresa, mantendo-se no circuito oficial do carnaval. A concentração será na Rua Monte Alegre, em frente ao número 306, com percurso até o Largo das Neves.
A mudança não rompe com a tradição, mas dialoga com uma dimensão fundamental da festa: o deslocamento coletivo como forma de produzir cidade. Ao ocupar outro território histórico do Centro e da região portuária ampliada, o bloco atualiza sua relação com o espaço urbano sem abandonar sua identidade.
O aniversário de 70 anos coincide com um processo de reconstrução. Em 2020, um incêndio atingiu a sede histórica do bloco no Catumbi, destruindo instrumentos, fantasias e documentos acumulados ao longo de décadas. A perda comprometeu parte da memória material construída desde os primeiros desfiles conduzidos por Tião Maria.
Neste ano, o Bafo estreia uma nova bateria com mais de 100 ritmistas. Os instrumentos foram adquiridos por meio de emenda parlamentar do deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ), permitindo recompor a base sonora da agremiação.
O processo foi acompanhado por Roberto Saldanha, conhecido como Capilé, presidente do bloco há mais de 50 anos e figura central na manutenção da estrutura organizacional ao longo das transformações do carnaval carioca.
Mais do que uma comemoração, o desfile de 70 anos do Bafo da Onça assume caráter de reafirmação histórica. A aproximação com o Cacique de Ramos simboliza uma nova etapa nas relações entre blocos tradicionais, enquanto a reconstrução da bateria marca a retomada da potência sonora que sempre caracterizou o desfile.
Ao ocupar Santa Teresa, recompor sua estrutura e celebrar alianças antes impensáveis, o Bafo reafirma sua vocação original: transformar a rua em espaço de encontro, memória e invenção coletiva.
Serviço – Bafo da Onça 70 anos
Data: Segunda-feira de Carnaval, 16 de fevereiro de 2026
Concentração: 10h
Local: Rua Monte Alegre, em frente ao nº 306 – Santa Teresa
Percurso: até o Largo das Neves
Evento gratuito
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Desfilei no inesquecível bloco do Bafo da Onça na época de Tião Maria, irmão do boxador Iran Campos, dos composits Oswaldo Nunes, Mistura, Oswaldo Guedes, Jujuba, Lino Roberto e muitos outros. O bloco saia da Rua Valença e após atravessar a Avenida Presidente Vargas, onde ficavam as cabines das TVS, desfilava na Avenida Rio Branco. MUITAS SAUDADES. QUANDO A VELICE CHEGAR E EU TIVER DE FICAR NA CALÇADA VENDO O MEU BLOCO PASSAR, COM TRISTEZA E SAUDADE TER QUE FICAR NA CALÇADA E CHORAR. EU ROCORDAREI COM GLORIA, BAFO DA ONÇA VOCE FICARÁ NA HISTORIA! QUERO VER A MOÇADA SAMBANDO E O POVO NAS RUAS GRITANDO, EU RECORDANDO OS CARNAVAIS QUE JÁ NÃO VOLTAM MAIS. COMPOSITOR OSWALDO GUEDES
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