A participação de Sarah Andrade no Big Brother Brasil 26 trouxe à tona um tema cada vez mais presente na vida de mulheres contemporâneas: o congelamento de óvulos como estratégia de planejamento reprodutivo. Durante uma conversa na casa, a veterana revelou que já passou pelo procedimento e resumiu sua decisão de forma direta: “Não tenho pressa”.
A fala repercutiu fora do programa por refletir uma escolha comum entre mulheres que desejam priorizar carreira, estabilidade emocional ou simplesmente manter aberta a possibilidade de maternidade no futuro. Ao tornar pública sua experiência, Sarah contribuiu para ampliar o debate sobre autonomia feminina e novas formas de pensar o tempo biológico.
O assunto ganhou ainda mais camadas quando Ana Paula Renault afirmou no confinamento que optou por não congelar óvulos. Segundo ela, a decisão evitaria uma preocupação adicional no futuro, além de associar a maternidade à existência de um parceiro. A divergência de posicionamentos evidenciou uma questão central: congelar óvulos é uma obrigação social moderna ou apenas uma opção entre tantas possíveis?
Para a Dra. Paula Fettback, ginecologista especialista em Reprodução Humana pela FEBRASGO, o procedimento deve ser entendido como uma ferramenta — e não como um dever.

“O congelamento de óvulos é uma forma de preservar a fertilidade, não uma imposição. Ele amplia as possibilidades da mulher, permitindo que a decisão sobre a maternidade seja feita com mais tranquilidade, autonomia e informação”, explica.
A prática tem se tornado mais frequente à medida que o perfil das mulheres muda. Dados do IBGE e do DataSUS mostram que, enquanto o número médio de filhos por mulher caiu 13% entre 2018 e 2023, o total de mães entre 35 e 39 anos cresceu 46% nos últimos 13 anos.
Segundo a Dra. Graziela Canheo, ginecologista e especialista em reprodução humana da La Vita Clinic, o congelamento acompanha uma transformação social profunda.
“Cada vez mais mulheres escolhem viver a maternidade em uma fase de maior estabilidade emocional e profissional. O congelamento surge como uma resposta segura a esse novo estilo de vida, sem que isso signifique renunciar ao desejo de ter filhos”, afirma.
O que é importante saber sobre o congelamento de óvulos
Para quem é indicado?
A técnica é indicada não apenas para mulheres com câncer ou risco de falência ovariana precoce, mas também para aquelas que desejam preservar a fertilidade para uma gestação futura — ou que ainda não sabem se querem ter filhos.
Existe idade ideal?
Não há idade limite formal, mas quanto mais jovem o óvulo, maiores as chances de sucesso. A literatura médica aponta melhores resultados quando o congelamento ocorre até os 35 anos.
Como funciona o procedimento?
O método mais utilizado é a vitrificação, com taxa de sobrevivência dos óvulos de até 95% após o descongelamento. O processo envolve estimulação hormonal, coleta dos óvulos e congelamento em nitrogênio líquido.
Os óvulos têm prazo de validade?
Eles podem permanecer congelados por tempo indeterminado. No entanto, o Conselho Federal de Medicina recomenda que a gestação ocorra até os 50 anos, por questões de segurança materna e fetal.
Quanto custa?
O valor varia entre R$ 10 mil e R$ 20 mil, além de um custo anual de manutenção em laboratório, em torno de R$ 1.200. Também devem ser considerados os custos futuros com fertilização in vitro.
Há efeitos colaterais?
Durante a estimulação hormonal, podem ocorrer retenção de líquidos, acne, dores de cabeça e alterações de humor, geralmente temporárias.

Autonomia e informação no centro da decisão sobre óvulos
O debate provocado no BBB26 reforça que não existe um único modelo de maternidade — nem um caminho obrigatório.
“O mais importante é que cada mulher possa decidir o que faz sentido para sua história, seu corpo e seu tempo, sempre com informação de qualidade e acompanhamento médico”, conclui a Dra. Paula Fettback.
Ao compartilhar sua escolha, Sarah Andrade ajuda a tirar o congelamento de óvulos do campo do tabu e colocá-lo onde pertence: como uma possibilidade legítima dentro do planejamento reprodutivo feminino, sem culpa, sem pressão e sem regras universais.
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