Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Jelena Kordi? Kuret e Adnan Omerovic em cena de O Homem Mais Feliz do Mundo- Divulgação Pandora Filmes
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘O Homem mais Feliz do Mundo’ é drama sobre perdão e trauma

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 29 de setembro de 2025
6 Min Leitura
Share
Jelena Kordi? Kuret e Adnan Omerovic em cena de O Homem Mais Feliz do Mundo- Divulgação Pandora Filmes
SHARE

Dirigido por Teona Strugar Mitevska, O Homem Mais Feliz do Mundo é um drama intenso sobre dor e redenção em uma sociedade permeada por violência

Quando caminhamos por uma avenida cheia, cruzamos com pessoas de diferentes idades, histórias e pensamentos. Uma das poucas semelhanças entre todas elas é que, de alguma forma, todas carregam marcas do passado: cicatrizes, arrependimentos ou dores pessoais, muitas vezes invisíveis em um encontro rápido. Caso não sejam tratadas, estas dores podem nos consumir, alimentando ressentimentos até o ponto da explosão, quando já não conseguimos mais lidar com elas, sendo este terreno que se move O Homem Mais Feliz do Mundo.

Durante uma hora e meia, acompanhamos personagens excêntricos em um encontro para solteiros realizado na Macedônia. Entre diferentes desejos, arquétipos de homens e mulheres e expectativas, o foco recai sobre Asja, uma mulher de 40 anos, e sua relação com Zoran, um banqueiro traumatizado. Ele não está lá em busca de amor, mas sim de perdão, tentando se desculpar com aquela que feriu no passado.

Ao situar a narrativa em apenas uma tarde, Teona Strugar Mitevska constrói uma obra de ritmo lento, mas que vai ganhando intensidade até alcançar o clímax. O que se inicia como uma conversa normal entre Asja e Zoran, trazendo algumas das cenas mais divertidas da produção na medida que Asjan escuta as fofocas das outras mesas e se diverte, a produção cada vez mais traz um tom de estranhamento, até percebermos os traços e fantasmas do passado de Zoran.

Jelena Kordi? Kuret e Adnan Omerovic em cena de O Homem Mais Feliz do Mundo- Divulgação Pandora Filmes

Jelena Kordi Kuret e Adnan Omerovic em cena de O Homem Mais Feliz do Mundo- Divulgação Pandora Filmes

Apesar de Zoran ter sido um atirador em uma guerra que devastou o país, em nenhum momento O Homem Mais Feliz do Mundo o retrata como uma figura ameaçadora. O que vemos desde o início são seus próprios demônios: o transtorno pós-traumático e o peso de uma culpa que o persegue, resultado do disparo que feriu Asja mais de vinte anos antes.

Com paleta em tons pastéis, principalmente na direção de arte, um design de som que privilegia muito o som diegético, além do silêncio, e uma fotografia que, em sua maior parte, mantém certa distância dos personagens, o filme reforça a frieza e o isolamento dessas vidas marcadas. Exceções pontuais, como na cena da valsa ou no instante em que Zoran encara a cicatriz de Asja, a câmera se aproxima de seus retratos, tornando o contato inevitável e carregado de força. Ainda assim, a atmosfera geral permanece estoica, revelando pessoas que desejam construir laços, mas que são constantemente travadas pelo seu passado.

À medida que a tensão cresce, Asja confronta Zoran não para lhe conceder perdão, mas para buscar, em sua ofensa ao agressor, a paz que lhe falta. No entanto, essa paz não vem, não sendo encontrada nem mesmo em uma linda cena de dança em que Asja liberta suas vontades, até ser secamente interrompida e trazida à realidade. O Homem Mais Feliz do Mundo deixa claro que é preciso romper o ciclo de violência dentro de nós, algo que não se alcança ignorando os problemas, como fazem as organizadoras do evento, que fecham os olhos para sinais evidentes de conflito até o inevitável colapso, e sim lidando com eles de cabeça erguida.

Jelena Kordi? Kuret em cena de O Homem Mais Feliz do Mundo- Divulgação Pandora Filmes

Jelena Kordic Kuret em cena de O Homem Mais Feliz do Mundo- Divulgação Pandora Filmes

O título, O Homem Mais Feliz do Mundo, é ambíguo. Zoran, na verdade, talvez seja um dos mais infelizes: atormentado por ataques de pânico, pensamentos suicidas e o peso da culpa. O que ele busca não é felicidade, mas alívio, um perdão honesto de Asja que poderia, ao menos, lhe dar respiro. Essa é a força central do filme: provocar no espectador a pergunta sobre como agiríamos em uma situação semelhante, da mesma forma que em Filhos (2025, Gustav Möller), não existe resposta fácil. Podemos compreender as escolhas da protagonista, mas jamais ocupar verdadeiramente o seu lugar, e isto nos assusta.

Distribuído pela Pandora Filmes, O Homem Mais Feliz do Mundo estreia nos cinemas em 2 de outubro.

Siga-nos e confira outras dicas em @viventeandante e no nosso canal de whatsapp !

Leia Mais

  • Crítica: ‘O Último Episódio’ é nostálgico retrato de amizade e crescimento
  • Crítica: ‘Malês’ retrata com fidelidade importante período histórico nacional
  • Crítica: ‘Coração de Lutador’ retrata a dor do silêncio após os aplausos
Tags:BalcãsCinemacríticaCrítica O Homem Mais Feliz do MundoDorO Homem mais Feliz do MundoPandoraTeona Strugar MitevskaTrauma
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
André Quental Sanchez's avatar
PorAndré Quental Sanchez
Me Siga!
André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
1 comentário
  • Pingback: Crítica: 'Goat' é viagem surrealista sobre masculinidade

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Gravatar profile

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

O Acidente em foto de Tuane Eggers
Cinema e Streaming

O Acidente: filme de Bruno Carboni estreia nos cinemas em 24 de agosto

Redação
2 Min Leitura
filme marabá
Cinema e StreamingNotícias

Marabá | Novo filme de Valdsom Braga estreia em abril

Redação
1 Min Leitura
Antonia Zegers e Néstor Cantillana em cena de "O Castigo"-Divulgação Filmes do Estação
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘O Castigo’ é potente e traumático casos de família

André Quental Sanchez
5 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?