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Cena de "Minha Querida Família"- Divulgação
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Crítica: Ao discutir todos os traumas, ‘Minha Querida Família’ cura poucos

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 18 de fevereiro de 2026
5 Min Leitura
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Cena de "Minha Querida Família"- Divulgação
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Dirigido por Isild Le Besco, Minha Querida Família parte da estrutura da família tradicional para explorar traumas de infância e repressões emocionais, mas ao multiplicar conflitos e personagens, perde força e direção.

Logo na primeira cena de Minha Querida Família, o espectador é lançado em uma sequência entre Estelle e Antonio que começa ambígua e rapidamente revela violência e abuso, um trauma que não é verbalizado por conta da presença de seus filhos. Estelle, então, foge com as crianças para visitar Queen, a matriarca da família. Desde o início, o filme estabelece o tom de repressão: sentimentos contidos, gritos engolidos e a constante sensação de algo prestes a explodir, um tema recorrente ao longo da produção.

Le Besco, que também interpreta Manon, constrói uma narrativa de família disfuncional repleta de lutos mal resolvidos, ressentimentos e traumas acumulados. A proposta é clara e defendida pela própria diretora:

“Um filme que se dirige diretamente à criança interior — aquela que cada um de nós ainda abriga — e que busca suavemente curar. Mas há também o riso. Pois, se este filme explora as questões familiares, ele o faz também com humor e doçura…“. – Isild Le Besco

Marisa Berenson e Geoffrey Carey em cena de "Minha Querida Família"- Divulgação

Marisa Berenson e Geoffrey Carey em cena de “Minha Querida Família”- Divulgação

Contudo, ao tentar abarcar todas as vertentes emocionais dessa família, o roteiro dilui seus próprios conflitos. Arcos são iniciados e abandonados, enquanto novas camadas surgem sem o devido aprofundamento.

De fato, a narrativa apresenta um tom lúdico e melancólico que é defendido por Le Besco. No entanto, diferentemente de obras como Os Excêntricos Tenenbaums (2001, Wes Anderson), que equilibram múltiplos personagens sob um eixo dramático sólido, Minha Querida Família carece de um centro organizador. Estelle recebe o foco inicial, mas se basearmos nossa impressão pelo trailer da produção, o suposto eu-lírico parece ser Manon, uma personagem que, paradoxalmente, permanece à margem, o que confunde a audiência como um todo.

A mensagem sobre enfrentar traumas é insistente, porém a resolução soa forçada. A crença de que um confronto explosivo entre Queen e Estelle seria suficiente para sanar décadas de conflitos simplifica excessivamente questões que o próprio filme constrói como complexas.

O excesso estrutural é evidente: uma matriarca, seu namorado, quatro filhos que não se viam há muito tempo, um luto não dito, o marido abusivo de uma das filhas, três netos, um sobrinho, vizinhos, além da chegada de Marc, o irmão distante, com sua namorada, seu braço prostético e as cinzas do pai falecido há mais de vinte anos. Tudo isso condensado em 80 minutos. O resultado é uma narrativa carregada, que se fragmenta sempre que o público começa a se situar, tendo que rearranjar as peças no tabuleiro para uma total compreensão da produção.

Marisa Berenson e Isild Le Besco em cena de "Minha Querida Família"- Divulgação

Marisa Berenson e Isild Le Besco em cena de “Minha Querida Família”- Divulgação

Quando a história encontra algum equilíbrio, novos elementos surgem e deslocam o foco. O drama já estabelecido da família em conflito seria suficiente para sustentar o filme, mas a necessidade de expandir constantemente o universo enfraquece seu impacto.

Minha Querida Família é uma produção sensível em intenção, com belas paisagens do interior da França, fotografia segura e um design sonoro confortável. No entanto, ao tentar abraçar conflitos suficientes para uma série em um tempo reduzido, compromete a própria proposta. A mensagem de cura está presente desde o início, mas o caminho até ela carece de coesão.

Distribuído pela Fênix Filmes, Minha Querida Família estreia nos cinemas brasileiros no dia 5 de março.

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Tags:Cinemacinema francêscríticaCrítica Minha Querida FamíliaIsild Le BescoMinha Querida Família
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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