Dirigido por Johannes Roberts, O Primata é um slasher moderno que entretém com mortes criativas e um novo cenário, mas não aposta em inovação narrativa.
O subgênero slasher é, sem dúvida, um dos mais divertidos de se assistir em grupos. Sua premissa está tão bem arraigada no inconsciente coletivo que o público sabe exatamente o que esperar: jovens em perigo, um assassino impiedoso e a inevitável ascensão da Final Girl, que enfrenta desafios extremos e, muitas vezes, comete erros que nos fazem questionar como reagiríamos na mesma situação, ainda mais quando o perseguidor em questão é um primata raivoso.
Como o título sugere, o filme acompanha Ben, um chimpanzé dócil que, ao contrair raiva, inicia uma série de ataques violentos que leva um grupo de jovens hormonais a lutar por suas vidas, seguindo uma estrutura clássica do gênero que remete à Cujo (1983, Lewis Teague) e outros slashers do mesmo estilo. Neste aspecto, a produção entretém, porém, funciona como inevitável parâmetro de comparação para filmes que ousaram mais em suas premissas.

Victoria Wyant, Jessica Alexander, Gia Hunter e Johnny Sequoyah em cena de “Primata”- Divulgação Paramount Pictures
A narrativa central foca em Lucy, uma jovem que retorna para casa após muito tempo, reencontra o pai e a irmã e precisa lidar com a ausência da mãe falecida. Além disso, enfrenta seu chimpanzé de estimação em um embate que em seu simbolismo principal, representa a reconexão familiar com aqueles que tinha abandonado. Embora a história seja clara, ela é pouco desenvolvida, deixando muito espaço para o verdadeiro foco da produção: mortes explícitas, que variam entre originais e previsíveis, mas sempre com o objetivo de causar desconforto.
A tensão é construída por elementos como a escuridão quase total em várias cenas, decisões questionáveis dos protagonistas, um design de som perturbador e a transformação física de Ben, que se torna progressivamente mais cruel e sanguinário, mantendo o público em estado constante de alerta e atenção.
A escalação de Troy Kotsur, vencedor do Oscar de Melhor Ator por Coda (2021, Sian Heder), amplifica a sensação de choque no terceiro ato, graças a um design de som que eleva a produção a novos patamares, e que com um pouquinho mais de cuidado técnico, poderia tornar O Primata algo bem maior do que um mero entretenimento “pipoca”.

Gia Hunter e Troy Kotsur em cena de “O Primata”- Divulgação Paramount Pictures
A comparação com Cujo é inevitável, somente olhar nos comentários que a produção apresenta no Letterboxd e no trailer respectivo no Youtube. Apesar de mudanças de cenário, paleta de cores diferente e a substituição de um carro por uma piscina, O Primata não se sustenta sozinho, apresentando furos de roteiro que comprometem a imersão, e uma construção que apesar de interessante, não acrescenta nada de novo ao gênero de horror em si.
Em resumo, O Primata é ideal para ser assistido em grupo, aproveitando cada jump scare e cada momento de tensão. É um filme que proporciona diversão coletiva, provocando comentários clássicos do tipo “eu faria melhor” ou “não faça isso, sua garota estúpida”, que proporciona momentos de agonia, tensão e desespero, que rapidamente desaparecem assim que as luzes do cinema se acendem, e o público reflete sobre algumas das diversas incongruências que o filme apresenta.
Distribuido pela Paramount Pictures, O Primata estreia nos cinemas no dia 29 de Janeiro, com uma pré estreia especial no dia 14 de Janeiro, por conta do evento “Noite de Terror: Cinemark”.
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