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Jared Leto em cena de "Tron: Ares"- Divulgação Walt Disney Studios
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Tron: Ares’ usa filosofia e ação para se reconectar com a franquia

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 13 de outubro de 2025
6 Min Leitura
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Jared Leto em cena de "Tron: Ares"- Divulgação Walt Disney Studios
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Dirigido por Joachim Rønning, Tron: Ares entrega o que se espera de um Blockbuster Disney moderno: espetáculo visual, ação e nostalgia, mas sem grandes surpresas.

Apesar de a Disney ter construído um império sobre animações, o estúdio raramente encontrou o mesmo sucesso em suas franquias live-action. Piratas do Caribe segue sendo o maior acerto, com cinco filmes e um sexto a caminho, mas o caminho até lá foi repleto de tropeços, como John Carter: Entre Dois Mundos (2012, Andrew Stanton) e Tomorrowland (2015, Brad Bird). Já outros projetos, impulsionados pelo fator nostalgia, conseguiram encontrar público anos depois, como Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda! (2025, Nisha Ganatra) e o novo Tron, que chega 15 anos após Tron: O Legado (2010, Joseph Kosinski) e 43 após o original.

Esse longo hiato marca profundamente o estilo e a narrativa de Tron: Ares. O filme atualiza o universo digital criado nos anos 80 ao abordar a ascensão da inteligência artificial, tema que há décadas permeia a ficção científica, mas que hoje se tornou realidade tangível, e a partir dessa premissa que surge Ares, interpretado por Jared Leto, uma IA que desperta consciência e questiona sua própria existência.

Jared Leto em cena de "Tron: Ares"- Divulgação Walt Disney Studios

Jared Leto em cena de “Tron: Ares”- Divulgação Walt Disney Studios

Rønning entrega sequências de ação bem coreografadas, como uma perseguição de motos no mundo real, algo inédito na franquia, tradicionalmente confinada ao espaço virtual da “nuvem”. No entanto, apesar do espetáculo visual e do design de produção refinado, Tron: Ares não sustenta uma narrativa envolvente, resultando em um produto tecnicamente competente, mas emocionalmente raso, privilegiando o espetáculo e a nostalgia, ao invés da substância.

A jornada de Ares ecoa a de outros clássicos do gênero, como Blade Runner – O Caçador de Androides (1982, Ridley Scott). Assim como os replicantes de Ridley Scott, o protagonista de Leto experimenta o deslumbramento do contato com o humano, inclusive com a simbólica cena da chuva, e o conflito com seu criador. A analogia, no entanto, é evidente demais e carece da densidade filosófica que fez de Blade Runner uma obra atemporal. No fundo, a estrutura narrativa de Tron: Ares remete a arquétipos literários que remontam a Frankenstein (1818, Mary Shelley): a criatura que busca humanidade e amor em meio à rejeição, porém, para este arquétipo, não traz nada único além de um amor pelos anos 80.

A trilha sonora do Nine Inch Nails oferece um clima denso e industrial, mas dificilmente alcança o brilho da trilha icônica do Daft Punk em O Legado, com o mesmo se aplicando ao roteiro, que se apoia demais em reflexões filosóficas superficiais e no apelo nostálgico. Até mesmo a participação de Jeff Bridges, tão presente no segundo filme da franquia, fica reduzida a uma breve aparição e um fan service desnecessário.

O elenco de apoio reforça a sensação de familiaridade. Eve Kim, sucessora de Kevin Flynn, carrega um arco previsível de superação do luto, enquanto Evan Peters encarna um antagonista caricato, inspirado na megalomania tecnológica de figuras como Mark Zuckerberg e Elon Musk. Nenhum deles, contudo, ganha camadas suficientes para realmente se destacar. E, entre os momentos de humor, o alívio cômico de Seth Flores figura entre os mais ineficientes da recente filmografia da Disney.

No fim, Tron: Ares se sustenta no contraste visual entre o preto e o vermelho, nas boas sequências de ação e na discussão sobre o que significa ser humano, se tornando um entretenimento que depende demais da nostalgia para ser marcante. Ao invés de expandir o universo de forma ousada e significativa, o filme se contenta em repetir fórmulas, retornando até mesmo para a estética anos 80 como modo de agradar ao público.

Jared Leto e Jeff Bridges em cena de "Tron: Ares"- Divulgação Walt Disney Studios

Jared Leto e Jeff Bridges em cena de “Tron: Ares”- Divulgação Walt Disney Studios

No momento que pretende-se iniciar uma nova franquia, talvez Tron: Ares necessite descobrir, da mesma forma que seu protagonista, quem realmente é no mundo, com potencial para se tornar algo único, mas, optando por jogar no seguro e no espetáculo.

Distribuído pela Walt Disney Studios, Tron: Ares estreou nos cinemas em 9 de outubro de 2025.

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Tags:CinemadisneyFranquiajared letoTronTron:AresTron:O Legado
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