Dirigido por Labibe Araújo, longa acompanha cinco mulheres de diferentes regiões do país. Em dezembro, Visconde de Mauá também recebe encontro dedicado à valorização das tradições do benzimento e do uso de ervas.
Quem são as mulheres que mantêm viva a tradição do benzimento no Brasil? O documentário As Benzedeiras, dirigido por Labibe Araújo, busca responder a essa pergunta por meio das histórias de cinco mulheres de diferentes regiões do país. Com estreia anunciada para 12 de novembro, o longa apresenta trajetórias marcadas pela ancestralidade, pela espiritualidade e pela transmissão de conhecimentos tradicionais.
Josy Andrade, Camila Gomes, Dona Rosa, A-Yá e Mãe Efigênia são as protagonistas da produção. Cada uma construiu sua relação com o benzimento de maneira particular. Algumas herdaram rezas e práticas de familiares. Outras descobriram, na vida adulta, vínculos com linhagens de mulheres dedicadas a esses saberes.
Em comum, elas preservam conhecimentos que atravessam gerações e seguem presentes em comunidades rurais e urbanas. O filme percorre Salvador, Florianópolis, Cuiabá, Manaus e Belo Horizonte para mostrar diferentes expressões dessa tradição.
Cinco trajetórias, diferentes formas de preservar a tradição
Em Salvador, Josy Andrade aprendeu a benzer com a avó, Dona Brasília. Enfermeira aposentada, mulher de terreiro e Ekedi no Candomblé, ela mantém em casa um altar cercado de plantas e ervas. Atualmente, também começa a transmitir suas rezas à sobrinha Natália, de 19 anos.
Em Florianópolis, Camila Gomes encontrou suas raízes familiares no próprio ofício. Psicóloga de formação, começou a benzer aos 27 anos, após uma trajetória ligada à mediunidade e à Umbanda. Mais tarde, descobriu que a bisavó e a avó também eram benzedeiras. Hoje, combina a benzeção com outras práticas de cuidado.
No quilombo Mata-Cavalo, em Cuiabá, Dona Rosa aprendeu a benzer com a mãe, a sogra e o irmão. Começou aos 16 anos e conhece rezas para diferentes males, como quebranto e dor de cabeça. Cantora de siriri e profundamente ligada ao território, ela representa uma tradição que também se consolidou como referência comunitária diante das dificuldades históricas de acesso aos serviços de saúde.
Em Manaus, A-Yá é curandeira e pajé, herdeira de uma linhagem de pessoas ligadas aos conhecimentos tradicionais de cuidado. Psicóloga de formação, também encontrou na dança e na arte caminhos para se aproximar de suas raízes culturais e espirituais. Sua atuação envolve comunidades e aldeias, além da defesa da continuidade das linhagens de pajés e curandeiras.
Já em Belo Horizonte, Mãe Efigênia é quilombola do Manzo, liderança religiosa e guardiã de conhecimentos transmitidos pela mãe desde sua infância. Começou a benzer aos 11 anos e utiliza ervas, rezas e espiritualidade em suas práticas. Na Serra do Curral, território que considera sagrado, busca parte das plantas que utiliza. Também compartilha seus conhecimentos com a comunidade e as crianças do quilombo.
Visconde de Mauá recebe encontro de benzedeiras e erveiras
A valorização dos conhecimentos tradicionais também estará em pauta na Serra da Mantiqueira. Entre os dias 4 e 6 de dezembro, Visconde de Mauá recebe o 3º Encontro de Benzedeiras e Erveiras da Montanha, na Fazenda São José – Oficina das Ervas.
Com organização de Patrícia Carvalho e Ana Moraes, o encontro terá como tema Nossa Senhora Aparecida e as rosas vermelhas. A programação reúne benzedeiras, erveiras e pessoas interessadas em práticas tradicionais, com atividades voltadas à troca de experiências e à transmissão de conhecimentos.
Estão previstas rodas de conversa, oficinas, momentos de benzimento, experiências com ervas e atividades relacionadas à ancestralidade. Entre os destaques estão uma oficina sobre defumação e confecção de um grande bastão de ervas, uma atividade sobre o uso das plantas no benzimento e uma vivência dedicada a Nossa Senhora Aparecida e às rosas vermelhas.
A programação também inclui uma roda de benzimento com a participação de convidadas. O encontro propõe um espaço de convivência e compartilhamento de saberes que atravessam gerações e permanecem presentes em diferentes comunidades brasileiras.
A participação pode ser feita nos três dias ou em atividades avulsas. Os valores começam em R$ 144 por atividade. A organização também prevê condições de gratuidade para benzedeiras tradicionais com mais de 20 anos de atuação comprovada e pessoas em situação de vulnerabilidade econômica que atendam aos critérios estabelecidos.
As inscrições são realizadas por formulário online. Alimentação e hospedagem são contratadas separadamente, com opções na própria Fazenda São José e em espaços próximos.
Ancestralidade, memória e resistência
Ao aproximar essas histórias e iniciativas, fica evidente a importância das mulheres na preservação de conhecimentos tradicionais. O documentário registra trajetórias individuais e comunitárias, enquanto o encontro em Visconde de Mauá cria oportunidades para que esses saberes continuem circulando.
A relação com a natureza, a memória familiar, a religiosidade e a identidade dos territórios atravessam essas experiências. Em diferentes regiões do país, rezas, ervas e práticas de benzimento permanecem como expressões de cultura, espiritualidade e pertencimento.
As Benzedeiras apresenta mulheres que mantêm viva essa herança. O encontro na Mantiqueira reforça a importância de criar espaços para ouvir, compartilhar e transmitir conhecimentos que fazem parte da diversidade cultural brasileira.
Sobre o filme
O longa tem roteiro e direção de Labibe Araújo, cineasta mineira formada em Cinema e Audiovisual pela UNA. Associada à Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN), ela desenvolve trabalhos ligados à memória, à ancestralidade, à identidade e à cultura popular.
As Benzedeiras é seu primeiro longa-metragem documental. Sua trajetória também inclui documentários, curtas-metragens de ficção, animações e videoclipes, além da direção do documentário Minha Raiz.
A produção é da Sarasvati Produtora Cultural, que desenvolve projetos voltados à valorização das manifestações culturais brasileiras e ao diálogo entre saberes ancestrais e contemporâneos.
Serviço – 3º Encontro de Benzedeiras e Erveiras da Montanha
Data: 4 a 6 de dezembro de 2026
Local: Fazenda São José – Oficina das Ervas, Visconde de Mauá, Serra da Mantiqueira.
Tema: Nossa Senhora Aparecida e as rosas vermelhas.
Participação:
- Três dias: R$ 544 por pessoa.
- Sábado: R$ 400 por pessoa.
- Atividade avulsa: R$ 144 por pessoa.
Crianças de até 12 anos não pagam participação, mas precisam estar acompanhadas por um adulto. Alimentação e hospedagem são cobradas separadamente.
Inscrições: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScB2jsPCpC2ZwPyPmHC-AGag2-oPDPlEg4bBfOzluHGI_Iu0g/viewform
Informações: Ana Moraes – WhatsApp (14) 98136-5577 ou bemdamontanha@gmail.com.
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