Entre palácios centenários e arranha-céus de vidro, Seul constrói algo que vai além de infraestrutura. A capital da Coreia do Sul opera como um centro de engenharia de influência, combinando tradição, tecnologia e cultura em uma mesma estratégia de presença global.
Foi nesse cenário que, entre 22 e 24 de fevereiro de 2026, a visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Coreia do Sul consolida um novo ciclo de cooperação bilateral. Memorandos foram assinados, um Plano de Ação 2026–2029 foi formalizado e a retomada das negociações entre MERCOSUL e a República da Coreia voltou ao radar.
Arquitetura institucional.
Mas Seul raramente constrói presença internacional em uma única camada.
O encontro com o presidente Lee Jae Myung resultou na assinatura de acordos em minerais estratégicos, biotecnologia, inteligência artificial e comércio. A Coreia do Sul domina tecnologia e indústria avançada. O Brasil concentra recursos críticos e escala territorial. A complementaridade não é casual — é estrutural.
Os símbolos reforçaram a mensagem. A pintura tradicional hojakdo comunica prosperidade. O hanbok oferecido à primeira-dama traduz tradição. Dispositivos tecnológicos da Samsung reafirmam liderança industrial.
A Coreia exporta semicondutores. E exporta narrativa.
Coreia do Sul e Brasil: cultura como extensão diplomática
Durante um almoço tradicional, a primeira-dama Janja recebeu uma garrafa do gin IJin — parceria de Jin, integrante do BTS, com o chef Baek Jong-won. A entrega veio acompanhada de dedicatória especial do artista.
Importante: a turnê do BTS no Brasil, com três shows confirmados em São Paulo entre 28 e 31 de outubro de 2026, já havia sido anunciada antes da visita presidencial. Não há relação causal direta.
O que há é algo mais sofisticado: uma coincidência inserida dentro de um mesmo ecossistema de influência.
Em 2026, o Brasil não recebe apenas o BTS. Recebe uma sequência de artistas de K-pop e nomes ligados ao universo dos K-dramas, ampliando a circulação cultural sul-coreana em escala nacional. Não se trata de eventos isolados. Trata-se de recorrência.
Soft power não depende de decreto presidencial. Opera por constância, repetição e presença recorrente. Quando múltiplos artistas ocupam arenas, festivais e redes sociais ao longo de um mesmo ano, consolida-se algo que vai além do entretenimento: familiaridade cultural. E familiaridade é permanência.
Dois palcos, um sistema
A visita presidencial fortalece o eixo institucional. A agenda cultural de 2026 fortalece o eixo simbólico.
Ambos pertencem à mesma arquitetura de presença.
No mundo contemporâneo, tratados são assinados em silêncio. A influência se consolida em rede.
Em fevereiro, Seul foi palco de cooperação estratégica. Em outubro, São Paulo será palco de potência cultural.
Eventos distintos. Um sistema único.
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Genius Lab — Onde a cultura coreana vira experiência, tendência e movimento. Uma leitura Genius Lab. Seoul Insight™
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