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K-Pop na Virada Cultural: O impacto do 1VERSE e o novo lugar da cultura coreana no Brasil

Por Genius Lab
Última Atualização 15 de junho de 2026
9 Min Leitura
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Durante muito tempo, o K-pop ocupou no Brasil um espaço curioso: grande demais para ser chamado de nicho, mas ainda parecia pequeno demais para ser reconhecido pelos grandes circuitos culturais do país.

Quem acompanhou a expansão da cultura coreana ao longo dos últimos quinze anos sabe que os números sempre estiveram lá. Os fandoms organizavam eventos, lotavam encontros, impulsionavam artistas nas redes sociais e transformavam praças públicas em pontos de encontro semanais. Ainda assim, boa parte desse movimento acontecia paralelamente às estruturas culturais tradicionais.

Por isso, a presença do 1VERSE na Virada Cultural de São Paulo chama atenção por um motivo que vai muito além do palco.

Ajuda a mostrar uma mudança que já vinha acontecendo há algum tempo: a cultura coreana deixou de ser apenas uma tendência de consumo para se tornar parte da conversa cultural da cidade.

O primeiro K-pop na história da Virada Cultural

A edição de 2026 da Virada Cultural marcou a estreia oficial do K-pop em uma das maiores programações culturais públicas do Brasil.

O grupo escolhido foi o 1VERSE, que realizou suas primeiras apresentações no país dentro da programação organizada pela Prefeitura de São Paulo em parceria com o Centro Cultural Coreano no Brasil.

O fato pode parecer simples à primeira vista. Afinal, artistas coreanos já se apresentam regularmente em território brasileiro, mas existe uma diferença importante:

Uma coisa é um show produzido para um público que já acompanha aquele artista. Outra é a presença do K-pop dentro de um evento que reúne milhões de pessoas, circulando ao lado de manifestações culturais de diferentes origens, estilos e gerações.

Nesse contexto, a apresentação passa a fazer parte de uma narrativa maior sobre diversidade cultural e sobre os novos hábitos de consumo cultural dos brasileiros.

O Bom Retiro como ponto de encontro

Também não foi por acaso que as apresentações aconteceram no Bom Retiro.

O bairro carrega uma das histórias mais importantes da imigração coreana no Brasil e se consolidou ao longo das décadas como um dos principais centros da presença coreana na América Latina.

E quando um grupo de K-pop se apresenta justamente nesse território, também tem um teor simbólico, pois ali a cultura coreana deixa de ser vista apenas através da indústria do entretenimento e passa a dialogar com uma comunidade que ajudou a construir sua presença no país muito antes da popularização dos idols.

É um encontro entre passado e presente.

Entre a Coreia trazida pelos imigrantes e a Coreia que hoje circula globalmente através da música, dos dramas, da gastronomia e da cultura digital.

O que torna o 1VERSE diferente

A escolha do 1VERSE também ajuda a entender o momento atual da Hallyu.

O grupo reúne integrantes de diferentes nacionalidades e carrega trajetórias marcadas por deslocamentos, mudanças e adaptações culturais.

Em uma indústria frequentemente associada à uniformidade, o 1VERSE surge representando justamente o contrário: diversidade de experiências, origens distintas e histórias que atravessam fronteiras.

Por isso a presença deles faz tanto sentido em um evento como a Virada Cultural.

Eles refletem uma característica cada vez mais evidente da cultura pop contemporânea: as identidades culturais já não são construídas apenas dentro dos limites de um único país.

A circulação de pessoas, referências e experiências se tornou parte da própria narrativa dos artistas.

Quando o fandom passa a ser reconhecido

Existe um outro aspecto que merece atenção.

Muitos dos fãs que estavam acompanhando o 1VERSE na Virada Cultural não chegaram ali por acaso.

São pessoas que passaram anos construindo comunidades.

Participaram de encontros em praças.

Frequentaram concursos de dança.

Organizaram eventos independentes.

Criaram redes de amizade em torno da cultura coreana.

Quando o K-pop finalmente aparece em um espaço como a Virada Cultural, o que acontece não é a inclusão de um gênero musical na programação, é um reconhecimento indireto da trajetória dessas comunidades.

É como se uma parte daquilo que os fãs construíram coletivamente passasse a ser percebida pelo restante da cidade.

E isso ajuda a explicar por que momentos como esse costumam gerar identificação tão forte.

Não é sobre o artista que está no palco. É sobre as pessoas que ajudaram a tornar aquele espaço possível.

A cultura coreana já faz parte da paisagem cultural brasileira

Durante muitos anos, falar sobre cultura coreana no Brasil significava explicar sua existência.

Hoje, o cenário é diferente.

Os dramas coreanos aparecem entre os conteúdos mais assistidos das plataformas de streaming.

Os restaurantes coreanos ampliam sua presença em grandes cidades.

Marcas coreanas disputam espaço no mercado brasileiro.

Eventos ligados à cultura asiática atraem públicos cada vez mais diversos.

O K-pop é apenas uma das expressões mais visíveis desse movimento.

A apresentação do 1VERSE na Virada Cultural mostra que essa presença já não pode ser entendida apenas como um fenômeno de fandom. Ela faz parte de uma transformação cultural mais ampla, que envolve hábitos de consumo, formação de comunidades e novas formas de pertencimento.

O que vimos na coletiva de imprensa

A Genius Lab participou da coletiva de imprensa realizada com o 1VERSE durante sua passagem por São Paulo.

Mais do que respostas ensaiadas, chamou atenção a forma aberta e acessível com que os integrantes conversaram sobre diferentes temas.

Ao longo do encontro, falaram sobre suas expectativas para o Brasil, os desafios da carreira, a construção do grupo e a relação com fãs de diferentes partes do mundo.

Havia uma naturalidade rara para artistas que estavam vivendo um momento tão importante em sua trajetória internacional.

A impressão que ficou foi a de um grupo consciente do significado daquela visita, mas sem perder a proximidade que ajudou a construir sua relação com o público.

A simpatia dos integrantes foi uma constante durante toda a coletiva. As respostas vieram de forma respeitosa, sincera e acessível e o encontro reforçou justamente a importância da conexão humana.

A cobertura completa da coletiva será disponibilizada em breve no canal da Genius Lab no YouTube.

Mais do que um show

O aspecto mais interessante de toda essa história seja perceber que ela não fala apenas sobre música.

Fala sobre circulação cultural

Pertencimento.

Comunidades que crescem até se tornarem impossíveis de ignorar.

A estreia do K-pop na Virada Cultural não muda sozinha a relação entre Brasil e Coreia do Sul, mas certifica a existencia de algo que já está acontecendo há algum tempo.

E justamente por isso, que tanta gente tenha olhou para aquele palco e sentiu que havia algo familiar ali.

Não porque todos conheciam o 1VERSE, mas porque cada vez mais pessoas reconhecem a cultura coreana como parte do mundo em que vivem.

A presença do grupo na Virada Cultural não representa apenas uma apresentação bem-sucedida. Ela ajuda a revelar como fandoms, comunidades e experiências culturais construídas ao longo dos anos passaram a ocupar espaços cada vez mais visíveis na vida cultural brasileira.

E essa história não é apenas sobre um grupo que se apresentou em São Paulo, é sobre como culturas atravessam fronteiras, criam vínculos e passam a fazer parte do cotidiano de pessoas que talvez nunca tenham imaginado compartilhar tantas referências em comum.

Genius Lab — Onde a cultura coreana vira experiência, tendência e movimento.

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PorGenius Lab
A Genius Lab é uma plataforma de cultura e criação baseada no Rio de Janeiro, dedicada à cultura coreana e às dinâmicas de fandom como fenômeno cultural contemporâneo. Atua na leitura e ativação da experiência coletiva no território.Co-criadora do Coreia Fan Fest e co-fundadora da ProGeek RJ, conecta público, cidade e cultura pop asiática por meio de experiências de pertencimento, memória e comunidade.

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