Os números ajudam a entender como hábitos culturais, políticas públicas e desigualdades sociais moldam comportamentos de saúde ao redor do planeta. Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela os países com maior proporção de homens fumantes e expõe contrastes profundos entre regiões que ainda convivem com índices altíssimos de tabagismo e outras que conseguiram reduzir drasticamente o consumo de cigarros.
No topo da lista estão países do Sudeste Asiático, onde o cigarro segue profundamente enraizado no cotidiano masculino. A Indonésia lidera com impressionantes 70,5% dos homens fumantes, seguida de Myanmar (70,2%) e Bangladesh (60,6%). Em muitos desses locais, o tabagismo masculino é socialmente aceito, pouco regulado e, em alguns casos, incentivado por preços baixos e forte presença da indústria do tabaco.
América Latina e Europa: dois retratos distintos
Na América Latina, o destaque negativo é o Chile, com 49,2% dos homens fumantes, índice comparável a países asiáticos e muito acima da média regional. Argentina (28,2%) e México (21,2%) aparecem mais abaixo, refletindo políticas de controle mais consolidadas nos últimos anos.

Na Europa, os números variam bastante. Grécia (45,3%), França (36%) e Portugal (33,3%) seguem com percentuais elevados, enquanto países do norte europeu apresentam os menores índices do mundo. A Suécia chama atenção com apenas 6% dos homens fumantes, resultado frequentemente associado a políticas rígidas de saúde pública e à substituição do cigarro por outros produtos de nicotina.
O caso brasileiro: um ponto fora da curva positiva
O Brasil aparece com 21,5% dos homens fumantes — um índice significativamente menor do que a média global e distante dos países que lideram o ranking. O dado reforça o impacto de décadas de políticas públicas consistentes, como restrições à propaganda, advertências visuais nos maços, ambientes livres de fumo e campanhas contínuas de conscientização.

O contraste é ainda mais evidente quando comparado a países de renda semelhante ou maior, como Estados Unidos (30,9%), Alemanha (29,9%) e Espanha (29,1%). Mesmo com desafios persistentes, o Brasil se mantém como referência internacional no controle do tabagismo.
Os extremos do ranking
Enquanto países como Nigéria (9%), Etiópia (8,3%) e Suécia (6%) registram os menores percentuais de homens fumantes, o topo da lista evidencia como fatores culturais e econômicos ainda pesam mais do que políticas de saúde em diversas regiões do mundo.
O levantamento da OMS reforça uma conclusão clara: reduzir o tabagismo masculino não é apenas uma questão de renda, mas de decisão política, regulação e mudança cultural sustentada ao longo do tempo.
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