Wednesday, February 19, 2020

Posada, Gui Fleming e Agatha encantam público no Pub Panqss

Quarta-feira, 05 de fevereiro de 2020. Uma chuva torrencial – tradicional – despencou no Rio de Janeiro. Contudo, não impediu os amantes de música de comparecem ao agradável Pub Panqss, em Botafogo, para o show de Posada, Gui Fleming e Agatha. As ruas alagadas foram secando vagarosamente, enquanto os espectadores chegavam aos poucos e subiam para o segundo andar do pub, ávidos por canções que tocassem seus corações. Assim foi. Posada adentrou o palco, sentou-se com o violão e discorreu suas composições com altivez e descontração. Em “Retalhos”, o público pareceu ficar mole, escutando com aqueles sorrisinhos que insistiam em permanecer em seus rostos. Um clã de fãs deliciava-se.

Mônica Silva, sócia do Pub Panqss e CEO do Palcos do Rio (união de várias casas culturais da cidade), recebia aqueles que chegavam com sua tradicional simpatia e empolgação pela cultura. O desvio, o dilúvio que caía, não atrapalhou que Posada apresentasse seu “Norte”, afinal, o amor nunca falhou. Indubitavelmente, o povo adorou. A impressão é que tudo havia virado um “Terraço” repleto de contemplação, onde só existia compromisso com a liberdade. Aliás, nessa canção, Posada teve a companhia de Gui Fleming. O som da chuva desapareceu. Os gritos pedindo bis ecoaram e Posada veio com “Lamento” e alegria.

Carlos Posada, compositor. Saiba mais no Vivente Andante.
Posada: concentração e descontração (foto: Alvaro Tallarico)

Posada deixou o palco ovacionado, rolou aquela arrumação rápida e entraram Gui e Agatha, já “Riscando o Disco”. Cada um cantava um trecho diferente ao mesmo tempo em certo momento, fornecendo um interessante toque esquizofrênico. O destaque veio pouco depois com uma interpretação de Agatha para “Aquele Rosto”, de Duda Brack. Foi de enlouquecer – de tão legal. A cantora tem essa capacidade de subir e descer de tom, variar rapidamente entre grave e agudo, tudo com impressionante graça.

Do lado de lá tem samba frito

Por falar em graça, a canção “Imbecil”, por Gui Fleming, veio logo depois, suscitando risos. O jeito de Gui cantar traz todo um ar teatral e, às vezes, até tem cara de show de comédia em pé, pois ele conta alguns dos causos que inspiraram suas composições. “Bactéria” é divertidíssima, inspirada no parente distante de Gui, Alexander Fleming, ainda mais no dueto realizado com Agatha. Ainda rolou “Zezé”, feita para uma vizinha. Nesse meio tempo, Agatha trouxe a música que descreve um pouco da sua forma única de cantar: “Canto Maré”. Onde transborda apaixonantemente sua alma. Inclusive, “Amora”, parceria dela com Júlia Vargas onde fala “tá tudo meio mal”, pareceu soar mentirosa, pois, nesse show, tudo ia muito, muito bem.

Aquele “Samba Frito”, esquisito, cômico, toca nas rádios dos hospícios (Gui conheceu alguns trabalhando com psicologia). “Do Lado de Lá”, Agatha apresentou sensualidade feminista com “Sapatinho”, passeando numa praça imaginária onde por todos era olhada – e admirada. Foi interessante perceber como boa parte do público presente ficou embasbacada com a apresentação de Gui e Agatha. E se a “Carapuça” serviu, aprendemos um pouco mais sobre a universidade pública com essa composição do Fleming. Depois de acordar “Um Velho Deitado”, o bom maldito, Gui Fleming, mostrou uma inédita, “Tribos”. Indubitavelmente, esse casal traz uma lufada de diferencial musical no terreno cultural. Descem de São Pedro da Serra para Posada e encantam a babilônia com um ar fresco de liberdade.

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