O universo de Harry Potter está longe de se encerrar. Enquanto a HBO desenvolve uma nova adaptação televisiva dos livros de J. K. Rowling, um recente posicionamento da Warner Bros. Discovery indica que o estúdio já planeja expandir o mundo bruxo com possíveis spin-offs. A movimentação reacende uma questão antiga entre fãs: seria essa a oportunidade de corrigir os problemas que marcaram a franquia Animais Fantásticos (Fantastic Beasts)?
A série principal de Harry Potter, prevista para estrear no início de 2027 na HBO Max, terá estrutura de longo prazo, com planos de adaptação fiel dos sete livros ao longo de uma década. Antes mesmo da estreia, porém, executivos já sinalizam interesse em explorar novas produções ambientadas no mesmo universo.
Durante conferência financeira, o executivo JB Perrette, da Warner Bros. Discovery, sugeriu que o estúdio pretende expandir a série de Harry Potter com derivados. Embora não tenha confirmado títulos ou personagens específicos, a declaração aponta para uma estratégia de universo compartilhado, semelhante ao modelo adotado por grandes franquias contemporâneas.
A decisão representa uma aposta ambiciosa. A série principal ainda está em produção e deve concluir as filmagens em meados de 2026, com longo período de pós-produção previsto. Mesmo assim, o estúdio já sinaliza confiança suficiente para planejar novas histórias.

Nesse contexto, a expansão televisiva pode se tornar o espaço ideal para revisitar arcos que não funcionaram no cinema.
Harry Potter na HBO e o que deu errado com Fantastic Beasts
A franquia Fantastic Beasts começou com expectativas elevadas. Lançado cinco anos após o fim da saga principal, Fantastic Beasts and Where to Find Them apresentou o magizoologista Newt Scamander, interpretado por Eddie Redmayne, em uma aventura ambientada em Nova York décadas antes da história de Harry.
O primeiro filme foi bem recebido e teve desempenho sólido nas bilheterias, incentivando planos para uma série de cinco produções. No entanto, a sequência The Crimes of Grindelwald sofreu queda de arrecadação e críticas mistas, enquanto The Secrets of Dumbledore registrou desempenho ainda mais fraco, comprometendo a continuidade do projeto.
Além da redução nas bilheterias, os filmes enfrentaram críticas relacionadas à narrativa confusa, excesso de tramas paralelas e inconsistências no cânone do universo bruxo. A mudança de foco de Newt para o conflito entre Grindelwald e Albus Dumbledore alterou o tom da franquia, tornando-a mais densa e menos centrada nas criaturas mágicas prometidas pelo título.
Controvérsias de bastidores também afetaram a percepção pública, incluindo a saída de Johnny Depp do elenco e problemas envolvendo outros integrantes da produção. O resultado foi uma trilogia interrompida antes da conclusão planejada.
Um dos principais problemas de Fantastic Beasts foi a tentativa de condensar múltiplas narrativas complexas em filmes de pouco mais de duas horas. A rivalidade entre Dumbledore e Grindelwald, por exemplo, possui densidade suficiente para sustentar uma série própria.
O formato televisivo oferece mais tempo para desenvolvimento de personagens, construção de mundo e exploração de conflitos. Um spin-off dedicado exclusivamente ao passado de Dumbledore ou à ascensão de Grindelwald poderia evitar os problemas estruturais que prejudicaram os longas.
Da mesma forma, a trajetória de Newt Scamander poderia ser retomada com foco real nas criaturas mágicas e na expansão geográfica do universo bruxo, recuperando o espírito de descoberta que marcou o primeiro filme.
Apesar do potencial de correção, a expansão precoce do universo também representa risco significativo. A série principal já carrega o peso de substituir adaptações cinematográficas amplamente consideradas clássicas do gênero fantasia.
Para parte do público, os filmes originais estabeleceram um padrão difícil de igualar. Caso a nova adaptação não alcance recepção positiva, qualquer plano de spin-off pode perder força.
Por outro lado, se a série conquistar audiência consistente e boa crítica, a HBO terá base sólida para explorar histórias paralelas, personagens secundários e períodos históricos pouco explorados.
Harry Potter na HBO e o futuro do universo bruxo
O universo criado por J. K. Rowling continua a oferecer múltiplas possibilidades narrativas: fundação de Hogwarts, conflitos mágicos internacionais, história das casas, guerras anteriores à ascensão de Voldemort e expansão da comunidade bruxa global.
O fracasso parcial de Fantastic Beasts não encerra essas possibilidades. Ao contrário, pode funcionar como aprendizado sobre os limites do formato cinematográfico para determinadas histórias.
Se a HBO optar por uma abordagem mais focada, com séries independentes para personagens específicos e maior planejamento narrativo, o universo Harry Potter pode ganhar novo fôlego. Nesse cenário, a televisão surge como plataforma capaz de reorganizar, aprofundar e, eventualmente, redimir aspectos que não funcionaram no cinema.
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