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Dia do Samba no Vivente Andante Trends Brasil
Literatura e HQ

No descarrilho do trem o samba segue dando o tom

Por Kelly Lima
Última Atualização 20 de março de 2023
3 Min Leitura
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(pixabay)
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Samba?

A manhã dessa segunda acordou o trabalhador.

Um cheiro diferente permeia o ar, não se sabe se é brisa do mar ou se é fantasia.

Uma ilusão, descrença talvez.

Falta algo que não se explica, mas no caminhar do povo reside o ritmo sincopado e levando o andor e a labuta nas costas, transpira do corpo suor e amor.

Hoje amanheceu com frescor, porém soa distante a alegria e a esperança mora no final de semana que Toninho Geraes há tempos passou o roteiro. Ele vai a Gamboa e de lá vai pra Lapa e aí o bom senso escapa, ninguém consegue evitar.

Mas no balanço cadenciado desse comboio lotado, das pauladas diárias, do suspiro no vácuo, está a força motriz. Mora escondida entre os braços trocados, os cabelos entrelaçados e as pernas insistentemente arredias toda a vontade de ser feliz nessa corrida pela garantia do pão.

E tem até bala, biscoito e chiclete, ofertados de mão em mão pelo menino sorriso. Que vendendo alegria se faz firme diante toda essa correria.

É o alarme das estações da vida dando o toque nessa distopia.

Mas esse vazio insistente no peito nessa manhã do dia de hoje alerta que os vagões que trazem o samba pararam e o final de semana vai chegar e nos trazer a tristeza e ao atingir a maturidade da juventude, no auge dos seus 24 anos, o trem do samba não sai.

Decidiram eles.

E da Central a Oswaldo Cruz o vagão vai vazio, carregando a sobriedade do silêncio e o único som será o soluçar da dor.

Mas grita uma certeza com toques de beleza, que serão sempre vistos no ato de resistir. Os sorrisos continuarão sendo distribuídos nas tendas de Irajá, nos balaios das rodas de samba o cavaquinho vai chorar, na Pedra do Sal os tambores vão ecoar, em Madureira os pés vão descalços dançar e até nos mais altos dos morros do Rio poderá se escutar.

O samba sempre irá ecoar, no peito, no jeito, no andar, no olhar, no abraço, nos bancos de praça e no arrepio da pele ao sentir o tocar.

Segunda-feira, 02 de dezembro de 2019. Dia Nacional do Samba.

Ademais, Viva mais:

Bia Sion – A Bruxa ZZ do Gloob que encanta com seu canto
João Raphael fala sobre consciência negra, sociologia, educação e arte
Juliana Linhares do Pietá fala sobre arte – e Witzel

Aliás, leia outros textos de Kelly Lima em http://kellykristiny.wordpress.com/

Inclusive, também tem o @particulas_rotineiras 😉

Tags:dia do sambadia nacional do sambakelly limapoesiasobre o dia do sambatextotrem do samba
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