Enquanto o centro histórico pulsa ao som de festas que viabilizam o cinema independente, a Beira Mar ecoa gargalhadas há mais de três décadas. De casarios que viram pubs a palcos que celebram a memória nordestina, Fortaleza reafirma sua identidade cultural por meio de artistas que transformam afeto, tradição e irreverência em linguagem coletiva.
Mangangá: cinema e saudade
No sábado (30/08), o Mangangá Pub sedia a “Festa pra Sentir Saudade”, um encontro musical e afetivo que serve como financiamento coletivo para o curta-metragem “Chega de Saudade”. Idealizado por Santiago Gabriel, o filme narra os laços entre dois estudantes da Faculdade de Direito da UFC e o centro de Fortaleza, ressignificando a saudade como sentimento urbano. A noite conta com line-up nostálgico com DJs da cena alternativa e marca a estreia da banda emo Date in Prague.
Além de angariar fundos para a produção cinematográfica, a festa reforça o papel do Mangangá como espaço de resistência cultural. Localizado no terceiro andar de um casarão histórico na Rua General Bezerril, o pub tem se tornado ponto de apoio para artistas independentes, promovendo shows, festas e lançamentos. A campanha de financiamento coletivo do filme segue ativa no apoia.se/chegadesaudadefilme.
Os Causos do Rei: sanfona e memória
Se o centro respira juventude e experimentação, o palco do Teatro Chico Anysio revive o legado de Luiz Gonzaga com humor e emoção. Com sessões nos dias 2, 3 e 4 de setembro, o espetáculo “Os Causos do Rei”, estrelado por David Morais e dirigido por Luciano Lopes, mistura música, dança e teatro para contar histórias inspiradas no Rei do Baião. O projeto, que já percorre palcos há quatro anos, ganhou novo fôlego com o apoio da Lei Paulo Gustavo.
Mais do que homenagear Gonzaga, o espetáculo fortalece o vínculo entre a cultura popular e a educação. David Morais, que iniciou a carreira como professor de dança, leva ao palco a mesma dedicação que o moveu a fazer de Gonzaga tema de sua monografia em Geografia pela UFC. O diretor Luciano Lopes imprime leveza e ritmo à montagem, mantendo o público entre o riso e a emoção.
Lailtinho: 35 anos de risos e articulação
Na Beira Mar, onde o pôr do sol é cenário diário, o Arena do Humor mantém há mais de 20 anos uma maratona de quatro shows diários com artistas veteranos e novos talentos. O espaço é criação de Lailtinho Brega, que celebra em 2025 seus 35 anos de carreira. Vencedor do 1º Festival Brega de Fortaleza em 1989, ele se transformou em figura central da comédia cearense, atuando como artista, produtor, apresentador e articulador cultural.
Além do palco, Lailtinho comanda o programa “Bodega do Lailtinho” na TV Verdes Mares, reforçando a presença do humor cearense na televisão. Também lidera o Conselho da Beira Mar, mediando ações entre artistas, empreendedores e poder público para preservar a vitalidade cultural e econômica da região de Fortaleza.
Fortaleza como encruzilhada de afetos
Do cinema que nasce entre amigos, passando pelo riso que ecoa nas noites litorâneas até a reverência à sanfona que embala memórias, Fortaleza prova que sua cultura é feita de encontros. Encontros que geram pertencimento, que misturam linguagens e que resistem, mesmo em tempos difíceis. Com iniciativas como o Mangangá, “Os Causos do Rei” e o Arena do Humor, a cidade reafirma sua vocação para transformar arte em gesto cotidiano.
Afinal, como cantava o próprio Gonzaga, “a tristeza se cansa de ser infeliz” quando o riso, a saudade e a sanfona se encontram — e Fortaleza, com sua gente criativa e apaixonada, continua sendo palco vivo dessa história.
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