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Jards Macalé e Sergio Krakowski foto Marian Starosta
Música

Jards Macalé morre aos 82 anos: “Eu não quero mais ser moderno, quero ser eterno”

Por
Alvaro Tallarico
Última Atualização 17 de novembro de 2025
4 Min Leitura
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Jards Macalé (foto de Marian Starosta)
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O cantor, compositor, instrumentista e ator Jards Macalé morreu nesta segunda-feira, aos 82 anos, deixando um legado fundamental para a música brasileira. Figura ímpar da contracultura, inquieto por essência e movido pela liberdade artística, Macalé atravessou seis décadas reinventando linguagens, misturando samba, jazz, rock, bossa nova e experimentalismos sem jamais abrir mão da autenticidade.

Nascido no Rio de Janeiro em 1943, Jards Anet da Silva ficou conhecido por sua postura irreverente, pela voz inconfundível e por uma obra marcada pela ousadia. Contribuiu para a Tropicália, mas manteve trajetória independente, crítica e coerente. Foi parceiro de nomes como Waly Salomão, Torquato Neto, Capinam, Jorge Mautner, Caetano Veloso e Gal Costa.

Jards Macalé compôs clássicos que atravessam gerações e se tornaram referências incontornáveis da música brasileira. Entre seus maiores sucessos estão:

• Vapor Barato (com Waly Salomão) – imortalizada na voz de Gal Costa e regravada inúmeras vezes.
• Mal Secreto – crítica ácida à hipocrisia social.
• Anjo Exterminado – parceria marcante com Waly Salomão.
• Revendo Amigos – melancolia e lirismo em forma de canção.
• Movimento dos Barcos – uma de suas obras mais delicadas.
• Hotel das Estrelas – clássico do repertório macaleano.
• Farinha do Mesmo Saco – sátira de precisão cirúrgica.
• Let´s Play That – uma das marcas de sua fase mais experimental.

Macalé também emprestou sua sonoridade a trilhas de cinema e televisão, demonstrando o alcance versátil de sua criação.

Últimos trabalhos e presença ativa nos palcos

Mesmo aos 80 anos, Macalé seguia criativo. Seus últimos trabalhos incluem:

• Besta Fera (2019) – álbum aclamado pela crítica, apontado como um dos melhores do ano e marcando seu retorno ao estúdio após duas décadas sem disco solo de inéditas.
• Coração Bifurcado (2022) – projeto que dialoga com novas gerações e reafirma sua atualidade estética.
• Participações e colaborações com Liniker, Ava Rocha, Rodrigo Amarante e outros artistas da cena contemporânea.
• Turnês e apresentações em festivais internacionais, reforçando seu estatuto cult e sua vitalidade artística.
• A participação no filme “Meu Nome é Gal”, onde aparece cantando com energia e bom humor, foi uma das últimas aparições de grande impacto.

Macalé sempre se posicionou contra rótulos. Rejeitava o termo marginal, mas abraçava a margem como território criativo. Declarava que sua música era movida por inquietação, ética e rigor estético.

Ator em filmes como “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” e compositor de trilhas premiadas, Jards Macalé transitou entre cinema, teatro e televisão com naturalidade.

Sua frase “Eu não quero mais ser moderno, quero ser eterno” expressa a dimensão de sua obra, que atravessa o tempo com frescor.

Legado

Jards Macalé deixa contribuição inestimável para a música brasileira. Seu trabalho influenciou gerações de artistas, do rock à MPB, do samba à vanguarda. Sua voz libertária e sua estética indomável seguirão vivas nas gravações, nas parcerias e na memória de quem aprendeu com ele que a arte é caminho de coragem.

A família agradeceu as manifestações de carinho e informou que detalhes sobre o funeral serão divulgados em breve.

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  • Entenda Joãosinho da Goméa e curta o Jazz das Minas: Sesc celebra ancestralidade

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Jornalista especializado em Jornalismo Cultural pela UERJ.
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