Dirigido por James Clayton, Velocidade Total continua explorando as aventuras de “O Ladrão”, mas não demonstra clareza sobre o que fazer com a franquia como um todo
O nicho dos filmes de ação de baixo orçamento, muitas vezes apelidados de “filmes C”, possui um público fiel, especialmente nos EUA. Basta olhar para a longa lista de produções estreladas por atores como Danny Trejo para entender esse mercado. Essas obras costumam funcionar como entretenimento rápido, voltado a quem busca desligar a mente depois de um dia cansativo, porém, mesmo neste território, é necessário algum fio condutor que capture o espectador: uma trama envolvente ou um protagonista memorável. Quando isso falta, o resultado é um filme que parece nunca começar de fato, como acontece em Velocidade Total.
Clayton reutiliza o universo introduzido em Perseguição Mortal (2022), trazendo de volta “O Ladrão” e sua figura paterna, Vic. Mas, mesmo após um filme inteiro de introdução, esses personagens continuam distantes do público. E para dificultar ainda mais a empatia da audiência, Velocidade Total multiplica o elenco com vilões principais, secundários, capangas e auxiliares, todos apresentados de forma esquemática por letreiros em tela, recurso que mais afasta do que aproxima o espectador.

James Clayton em cena de Velocidade Total- Divulgação Oficial
O elenco é competente, basta ver o interesse gerado no Letterboxd pela presença de Lee Majdoub, o Agente Rocha da franquia Sonic: O Filme (Jeff Fowler, 2020). Contudo, talento algum sustenta um roteiro tão expositivo, com piads que não se estruturam, relações que não acreditamos e que se alteram de uma hora para a outra, e sem brechas para dilemas dramáticos de maior profundidade, que o texto nunca mergulha, permanecendo o tempo todo na superfície e com dificuldade para encontrar um tom consistente.
Assim como em Perseguição Mortal, a obra poderia funcionar muito melhor se assumisse de vez a veia satírica, parodiando os clichês de ação de Hollywood, ao invés de tentar repeti-los de maneira forçada e não orgânica. Há lampejos de humor involuntário, como na estética brechtiniana aplicada ao inalador de asma, e outros momentos que revelam um caminho cômico interessante, e que poderia ser mais explorado. No entanto, Clayton insiste em tratar tudo com seriedade, o que apenas evidencia os clichês frágeis que sustentam a narrativa.

Lou Diamond Phillips em cena de Velocidade Total- Divulgação Oficial
O maior destaque do filme é Lou Diamond Phillips, que imprime carisma ao seu capanga cowboy, da mesma forma que muitos de seus papéis anteriores. Ainda assim, sua performance se perde em meio a personagens vazios, inclusive o protagonista. “O Ladrão”, interpretado pelo próprio Clayton, carece de qualidades que justifiquem sua centralidade narrativa. A sensação é de um papel moldado como vitrine de ego para o diretor, um herói de ação que gostaria de ser James Bond ou Ethan Hunt, mas não chega perto de transmitir o mesmo magnetismo ou atração popular, e apesar do potencial de universo, não pode ser classificado como digno de Blockbuster.
Velocidade Total é um filme que constantemente sugere algo maior, mas nunca entrega. O potencial está ali, um universo de ação alternativo, um elenco capaz, uma história com potencial, até mesmo lampejos de humor inteligente, mas tudo é sufocado por um tom equivocado e pela falta de um protagonista digno de ser lembrado. Ainda assim, para quem busca apenas tiros, correria e personagens caricatos em uma rápida e descompromissada distração, a produção cumpre seu papel de forma mestra.
Velocidade Total é lançado esta quinta-feira, 4 de setembro, exclusivamente no serviço de streaming Adrenalina Pura +.
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