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Quando o Sangue Flui
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Quando o Sangue Flui’ transforma o Manifesto Antropofágico em cinema marginal

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 14 de setembro de 2025
6 Min Leitura
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Marina Lessa Trindade, Kauã Rodriguez e Sérgio Mascouto em cena de Quando o Sangue Flui- Divulgação Cine Fantasy
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Dirigido por Cainã De Paulo e Pedro Valle, Quando o Sangue Flui trata de vampiros, antropofagia e o legado do cinema marginal

Dirigido por Cainã De Paulo e Pedro Valle, Quando o Sangue Flui é um daqueles raros filmes em que a paixão pela criação se faz sentir em cada detalhe, tanto em sua história, quanto tecnicamente. Mais do que uma homenagem, é uma obra que pulsa amor pelo cinema marginal brasileiro, evocando diretamente produções como O Bandido da Luz Vermelha (1968, Rogério Sganzerla), O Anjo Nasceu (1969, Júlio Bressane) e as pornochanchadas que atravessaram as décadas de 70 e 80, de Walter Hugo Khouri a tantos outros. Ainda assim, não se trata apenas de reverência: o filme estuda, devora e regurgita suas referências, à maneira do Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade, um item tão presente em sua narrativa.

O Manifesto, escrito em 1928 no bojo do modernismo, propunha a “canibalização” da cultura estrangeira como força criadora do Brasil. É justamente essa ideia que serve de base teórica para o filme. Sem a preocupação de “explicar” Oswald ao espectador, Quando o Sangue Flui encena a antropofagia em sua própria estrutura, apresentando um romance queer de vampiros, que inicialmente remete à Fome de Viver (1983, Tony Scott), mas rapidamente se torna um grito de brasilidade, impregnado de suor, sangue e desejo.

Quando o sangue flui

Marina Lessa Trindade e Kauã Rodriguez em cena de Quando o Sangue Flui- Divulgação Cine Fantasy

Idealizado como projeto de TCC e exibido em um pré-estreia no 16º CineFantasy, no Centro Cultural São Paulo, o filme é independente em todos os sentidos. Sua sessão em 7 de setembro, data carregada de ironia ainda mais em 2025, mostrou um público entregue à experiência. O preto e branco dialoga tanto com o expressionismo de Nosferatu (1922, F.W. Murnau) e Drácula (1931, Tod Browning, Karl Freund), quanto com a estética precária e visceral do cinema marginal. Mas é da pornochanchada que vem sua herança mais direta, revelada não apenas no erotismo latente, mas no humor que atravessa diálogos e situações.

O trio central composto por Marina Lessa Trindade, Kauã Rodriguez e Sérgio Mascouto, sustenta a trama com energia notável. Marina e Kauã encarnam um casal erótico de vampiros, com destaque para Marina, que transita entre graça e ansiedade em questão de segundos. Mascouto, por sua vez, brilha como Júlio, apaixonado pelo movimento antropofágico, figura que rouba risadas, traz alguns dos momentos mais brilhantes da produção.

Se o filme se alonga em suas quase duas horas, ele não passa um sentimento de exaustão ou desgaste. Ao contrário, sustenta a atenção com diálogos inesperados e pequenas epifanias visuais, incluindo instantes em que o preto e branco se abre para breves explosões de cor, o jogo de referências nunca é gratuito: cada piscadela ao cinema brasileiro dos anos 70/80 abre espaço para o experimentalismo que a obra reivindica para si.

Quando o sangue flui

Marina Lessa Trindade em cena de Quando o Sangue Flui- Divulgação Cine Fantasy

Se Jean-Luc Godard, em A Chinesa (1967), discutia o exagero do ideário maoísta, Quando o Sangue Flui debate, com igual ironia, o excesso e a potência do pensamento antropofágico. Em cena, Júlio elabora o seu gozo pelo amor fati, desejando morrer por este movimento antropofágico que tanto adora, sendo devorado por seus colegas vampiros, porém, de forma cômica que toma grande parte do segundo ato da produção, sempre com um raciocínio a mais que impede o ato em si, e quando realmente começa a ficar agonizante para a audiência, uma reviravolta muda todo o filme e nos leva novamente à catarse.

Como o próprio cinema marginal, este não é um filme para todos. Seu público é majoritariamente político, aqueles interessados em pensar o Brasil e em rir, gozar e sangrar, às vezes literalmente, junto com ele. A cada cena, o espectador é convocado não só como observador, mas como participante de uma experiência que questiona o que significa ser brasileiro e lutar pelo que se acredita, esta sendo uma das maiores forças da produção: este senso de pertencimento.

Quando o Sangue Flui avacalha para ver o que sobra. E o que sobra, no fim, é o próprio cinema nacional: vivo, desobediente, pulsante e acima de tudo indomável.

Quando o Sangue Flui teve sua pré estreia mundial no 16º festival CineFantasy, realizado de 02 a 14 de setembro no CCSP (Centro Cultural São Paulo), a programação completa pode ser consultada no site oficial.

Trailer Oficial Quando o Sangue Flui

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Tags:Cine FantasyCinemacinema brasileirocinema marginalcinema nacionalCrítica Quando o Sangue FluiManifesto AntropofágicoQuando o Sangue Flui
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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