A Alta Geek, selo do Grupo Editorial Alta Books, lançou no Brasil o primeiro volume de Estrada Fantasma, HQ criada por Jeff Lemire, ilustrada por Gabriel H. Walta e colorida por Jordie Bellaire. Será que o talentoso trio, reconhecido por trabalhos em Batman, Doutor Estranho, Cavaleiro da Lua e Deadpool, entrega uma boa história?
A obra mistura um estilo sobrenatural misterioso com investigação. É um horror! Um bom horror daqueles não assustadores, mas do tipo que agarra o leitor. A trama segue Dom, caminhoneiro solitário, com alguns traumas pincelados durante o volume 1. Ele busca atravessar a madrugada com o peso desse passado, quando encontra Birdie após um acidente e também um artefato esquisito com um poder… A partir daí, Lemire não explica, mas provoca de uma forma positiva.
Naquela Estrada Fantasma algumas criaturas deformadas surgem.
É um caminho que parce sem fim e postos de gasolina são portais para outras realidades. Paralelamente, Theresa Weaver, agente do FBI, investiga corpos com características anormais. Ela carrega traumas que se conectam, de algum jeito, ao mesmo fenômeno que persegue Dom. Duas histórias avançam em direções diferentes, mas com o mesmo desconforto: o desconhecido observa.

Walta constrói atmosferas com poucos elementos e muitos silêncios. É eficiente a forma como a arte transporta o leitor para dentro do caminhão, em desertos de sal. Mas não parece sal grosso. Já Jodie Bellaire dá o tom com cores e preenchimentos que sugerem mais do que mostram. Tudo funciona como um filme, mas com o tempo imortal do quadrinho, onde cada quadro abre um detalhe novo.
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Lemire mantém o ritmo direto, sem enrolação. Mostra, não explica. Deixa pequenos vazios para preenchermos. A história de Estrada Fantasma cresce, cria tensão, sugere caminhos e puxa o tapete no exato momento em que tudo começa a se expandir. É aqui que aparece o maior “problema” da HQ: termina cedo demais. A sensação é de que o primeiro volume fecha no meio da curva, quando o farol iluminou algo que você ainda estava tentando entender.
A ideia é essa, gerar expectativa e fidelizar. Estrada Fantasma apresenta seu mundo com segurança, abre perguntas e cria expectativa real pelo que vem depois. É visual e deixa aquela fisgada que todo bom horror precisa deixar: a dúvida. Li rapidamente numa tarde nublada de sábado e viajei lindamente
Se a Estrada Fantasma continuar assim, a série tem potencial para se tornar uma das leituras mais interessantes do gênero no Brasil.



