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Afromayores
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O que descobriram na Espanha sobre velhice negra? Brasil conhece os Afromayores

Afromayores chega após debates no Viaduto de Madureira com a curadora Lucía Mbomío e o fotógrafo Leger-Adame

Por Alvaro Tallarico
Última Atualização 29 de novembro de 2025
3 Min Leitura
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Afromayores 60x90 - Regina x Laurent Leger-Adame
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O Rio de Janeiro recebe, no fim de novembro e início de dezembro, um dos projetos mais potentes sobre memória, imigração e velhice negra produzidos na Europa. A programação começou no Viaduto de Madureira, onde a jornalista, escritora e curadora espanhola Lucía Mbomío e o fotógrafo reunionense Laurent Leger-Adame participaram de duas mesas-redondas no dia 28 de novembro, em parceria com a FLUP e a Embaixada da Espanha.

Os debates abordaram fotografia, identidade, direitos, diáspora e temas presentes no livro Tierra de la luz, de Mbomío. Era a preparação para a chegada ao Brasil da exposição “Afromayores”, que será inaugurada no Instituto Cervantes, em Botafogo, no dia 2 de dezembro, às 19h.

A mostra reúne retratos de africanos e afrodescendentes com mais de 65 anos residentes na Espanha. O projeto nasceu da inquietação dos dois artistas diante da ausência — ou da presença distorcida — de pessoas negras na mídia espanhola. Durante anos, ambos registraram e entrevistaram personagens que, apesar de décadas vivendo na Europa, seguem atravessados por racismo estrutural, colonialismo, xenofobia e afetos interrompidos.

O impulso definitivo veio com o diagnóstico de demência com corpos de Lewy do pai de Mbomío. Diante do risco real de apagamento das memórias familiares, a curadora decidiu agir. Começou a registrar cada relato, cada ruga, cada silêncio. Com o cineasta José Oyono, Leger-Adame e Mbomío produziram, sem financiamento, um extenso acervo fotográfico e audiovisual que preserva não apenas rostos, mas histórias que formam parte do que é ser negro, imigrante e idoso na Europa.

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Entre os retratados desta edição no Rio está Batata, único carioca do projeto, que vive em Madri e se destacou pelo vínculo afetivo com o Brasil e pela memória atravessada pela diáspora.

“Afromayores” transforma velhices negras em protagonistas.

Ser visto, ser registrado, ser compreendido. Rostos marcados pelo tempo se tornam documentos vivos de trajetórias em que pertencimento, família, sonhos interrompidos e saudade se entrelaçam.

O lema do projeto reforça sua dimensão simbólica: “Existimos porque existiram.”

A mostra, parte do programa Espanha Afro 2025, celebra as culturas afro na Espanha e na América Latina, com foco no legado intelectual e social da diáspora. Todo o conteúdo também é compartilhado no Instagram e YouTube do Afromayores, enquanto os criadores trabalham para transformar o material em um fotolivro.

SERVIÇO – Afromayores – fotografias de Leger-Adame

Curadoria: Lucía Mbomío
Abertura: 2 de dezembro, terça, às 19h
Visitação: até 10 de janeiro de 2026
Horário: segunda a sábado, 10h às 19h
Local: Instituto Cervantes do Rio de Janeiro
Endereço: Rua Visconde de Ouro Preto, 62 – Botafogo, RJ
Entrada gratuita

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  • “Afromayores” transforma velhices negras em protagonistas.
Tags:arte e identidadecultura rioDestaque no Viventediaspora africanaespanha afroexposições rioflupfotografia africanaidosos negrosimigração na espanhainstituto cervantesleger adamelucia mbomiomemoria negranovembro negro
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Jornalista especializado em Jornalismo Cultural pela UERJ.
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