Um clássico que faltava no debate brasileiro acaba de ganhar sua primeira edição em português. Publicado originalmente em 1920, chega às prateleiras pela Fósforo Editora em lançamento na livraria Megafauna, marcando mais um passo decisivo do Projeto Du Bois, iniciativa do Afro-Cebrap dedicada a traduzir e difundir no país a obra do sociólogo, ativista e escritor W.E.B. Du Bois.
A chegada do livro é parte de um esforço histórico: reconstruir a circulação pública das ideias de um autor que antecipou discussões profundas sobre democracia, raça, colonialismo e capitalismo. Apesar de sua influência global, Du Bois ainda ocupa um espaço tímido no debate intelectual brasileiro — uma lacuna que o projeto busca corrigir com edições cuidadosas, cursos e ações de formação.
Água escura confirma por que Du Bois permanece indispensável.
O livro mistura ensaios, poemas, relatos e memórias para desmontar as bases eurocêntricas do conceito de humanidade. Em suas páginas, o autor atravessa temas que moldaram o século 20 e seguem vivos hoje: as leis Jim Crow, o voto feminino, as estruturas do trabalho doméstico, a escolarização de populações racializadas e os abismos entre trabalhadores brancos e negros.

No posfácio da edição brasileira, o professor Matheus Gato — coordenador de pesquisa do Afro-Cebrap e líder do Projeto Du Bois — destaca como o autor formula uma concepção radical de humanidade, capaz de incluir povos negros dos “confins coloniais da terra”. Essa chave interpretativa dialoga com conceitos icônicos como “a linha de cor”, a “dupla consciência”, o “décimo talentoso” e o “véu”, metáfora que dá nome ao livro e estrutura sua crítica ao racismo como sistema de percepção e poder.
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O lançamento de Água escura: vozes de dentro do véu reforça a missão do Afro-Cebrap: ampliar o acesso a obras que transformaram a sociologia, a crítica cultural e as lutas antirracistas. O núcleo trabalha para consolidar no Brasil um campo de pesquisas sobre desigualdades e relações raciais com rigor metodológico, formação interdisciplinar e difusão científica.

Em 2026, o Projeto Du Bois deve lançar mais dois livros inéditos, além de dossiês acadêmicos que aprofundam sua influência. A ideia é simples e ambiciosa: reinscrever Du Bois no centro das discussões sobre o Brasil contemporâneo.
“Este novo lançamento materializa o compromisso do projeto de reinscrever Du Bois no centro da reflexão brasileira sobre raça, sociedade e futuro. É um gesto intelectual e político que amplia as fronteiras da produção de conhecimento no país”, afirma Gato.
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