O universo do café acaba de ganhar um novo capítulo histórico: o café Geisha do Panamá bateu recordes no leilão Best of Panama 2025, com um lote vendido por mais de 30 mil dólares o quilo, o maior valor já pago por um café no mundo.
Cultivado nas montanhas de Boquete e Tierras Altas, na província de Chiriquí, o grão não impressiona apenas pelo preço, mas pela combinação rara entre terroir, altitude, solos vulcânicos e um saber-fazer que transformou a região em referência global do café de especialidade.
Boquete, conhecida como o “Vale da Eterna Primavera”, tornou-se um destino obrigatório para quem busca experiências que vão além da xícara.
Ali, visitantes percorrem fazendas premiadas, participam de cuppings guiados, caminham por florestas nubladas e trilhas como a dos Quetzais, além de vivenciar um turismo que une natureza, gastronomia local e hospedagens boutique. A poucos quilômetros, Tierras Altas, com vilas como Volcán e Cerro Punta, reforça essa vocação ao integrar café, agricultura familiar, cachoeiras, lagoas e experiências farm to table, com acesso ao Parque Internacional La Amistad, Patrimônio Mundial da UNESCO.

Esse movimento internacional dialoga diretamente com o que vem acontecendo no Brasil, um dos maiores produtores de café do planeta e, cada vez mais, protagonista no café de qualidade e no turismo cafeeiro. Regiões como o Sul de Minas, a Mantiqueira de Minas, o Cerrado Mineiro e o Espírito Santo já figuram entre as mais respeitadas do mundo, com grãos premiados e experiências imersivas em fazendas históricas e contemporâneas. Cafés brasileiros como Octavio Café, Coffee Lab, Um Coffee Co., Suplicy Cafés Especiais, Santo Grão e Academia do Café ajudaram a consolidar uma cultura urbana de café especial que dialoga com o terroir e o produtor.
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No Rio de Janeiro, o café também se transforma em experiência cultural e turística. Além da cena contemporânea de cafeterias como Curto Café, Five Roasters, Dark Coffee, Café Secreto, The Slow Bakery Coffee e King of the Fork, o estado guarda uma história profunda ligada ao ciclo do café.
O Vale do Café, no interior fluminense, reúne fazendas históricas abertas à visitação, como a Fazenda Santa Eufrásia, Fazenda São Fernando e Fazenda Ponte Alta, onde é possível conhecer desde os casarões do século XIX até iniciativas atuais de produção sustentável e cafés especiais. Na capital, o Circuito Histórico do Café, no Centro do Rio, resgata a memória dos antigos cafés que moldaram a vida cultural da cidade, conectando passado e presente em torno da bebida.

O sucesso do Geisha panamenho reforça uma tendência global: o café deixou de ser apenas commodity para se afirmar como experiência cultural, sensorial e turística. Seja nas montanhas do Panamá, nas fazendas brasileiras ou nas cafeterias do Rio, o café se consolida como elo entre território, identidade e viagem.
Mais do que preços recordes, o que está em jogo é a valorização de histórias, pessoas e lugares, ou seja, algo que o Brasil, com sua diversidade cafeeira, tem tudo para seguir explorando e contando ao mundo.



