Todo filme que chega às telas começou muito antes da estreia. Foi sonhado, escrito, dirigido, produzido, interpretado e construído por dezenas — às vezes centenas — de profissionais que movem uma indústria inteira. Cada obra carrega escolhas estéticas, trabalho coletivo, memória e futuro. Apoiar o cinema nacional é um gesto contínuo.
Pode começar de muitas formas: assistir aos filmes no primeiro fim de semana em cartaz, marcar presença nos festivais, falar sobre as obras na imprensa e nas redes sociais, ampliar vozes que ainda lutam por espaço. Mas também passa, necessariamente, por políticas públicas, editais, continuidade de financiamento, salas de exibição e compromisso institucional com a cultura. Cabe a todos nós cobrar.
Destaques do cinema nacional em 2026
Entre os lançamentos está A Miss, de Daniel Porto, protagonizado por Helga Nemetik, Maitê Padilha, Pedro David e Alexandre Lino. O longa chega aos cinemas com distribuição da Olhar Filmes após circular por festivais internacionais como o Actrum International Film Festival (Espanha), o OMOVIES – Festival Internacional de Cinema LGBTQIA+ (Itália) e o Queergestreift Film Festival Konstanz (Alemanha).
Outro título de forte impacto histórico é Anistia 79, de Anita Leandro, que resgata imagens raras filmadas por exilados brasileiros durante a Conferência Internacional pela Anistia, em Roma, em 1979. O filme integra a programação da 29ª Mostra Tiradentes, na categoria Olhos Livres, e revisita um marco fundamental da redemocratização brasileira.
Selecionado para a mostra Panorama da 75ª edição do Festival de Berlim, Ato Noturno, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, é um suspense erótico protagonizado por Gabriel Faryas que investiga desejo, identidade e performance em uma narrativa tensa e sensual, com distribuição da Vitrine Filmes.
Já A Vida Secreta dos Meus Três Homens, de Letícia Simões, propõe um diálogo entre fantasmas de diferentes gerações para discutir como classe, raça e gênero atravessam o século XX e reverberam no Brasil contemporâneo.
No campo do documentário, A Voz de Deus, de Miguel Antunes Ramos, acompanha o fenômeno dos “pregadores mirins” e reflete sobre fé, fama, infância e futuro em um país marcado pela viralização da religião.
O humor também marca presença em Álibi, de Felipe Joffily, com Leandro Hassum, Miá Mello, Fernanda Freitas, Maurício Destri e Letícia Isnard, em uma produção distribuída pela Imagem Filmes.
Entre os documentários premiados, Aqui Não Entra Luz, de Karol Maia, parte de uma experiência pessoal para ouvir mulheres trabalhadoras domésticas e expor memórias de violência, exploração e resistência, conquistando os prêmios de Melhor Direção e Zózimo Bulbul no Festival de Brasília.
Assalto à Brasileira, de José Eduardo Belmonte, revisita um dos roubos mais emblemáticos do país.
Também integram o catálogo Eclipse, de Djin Sganzerla; Família de Sorte, de Viviane Ferreira; Honestino, de Aurélio Michiles; Malaika, de André Morais; Morte e Vida Madalena, de Guto Parente; Nico, de Mariana Youssef; Nosferatu, de Cristiano Burlan; O Espelho de Tarsila, de Paschoal Samora; O Riso e a Faca, de Pedro Pinho; Pecadora, de Dainara Toffoli; Ruas da Glória, de Felipe Sholl; Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral (em versão restaurada); e Um Pai em Apuros, de Carolina Durão.
Enquanto Deus Ainda é Brasileiro, de Carlos Diegues, marca o retorno de Antônio Fagundes ao papel de Deus em uma aguardada sequência do clássico de 2003.
O cinema nacional no mundo
Além dos lançamentos nacionais, 2026 também marca uma forte presença brasileira nos festivais internacionais. Entre os destaques estão:
- Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira, na Mostra Panorama do Festival de Berlim, com a estreia cinematográfica de Conceição Evaristo.
- Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques, selecionado para a seção Forum da Berlinale.
- Isabel, de Gabe Klinger, produção da RT Features, também na Panorama, com Marina Person como protagonista.
- Feito Pipa, de Allan Deberton, na mostra Generation do Festival de Berlim.
- Antônio Odisseia, de Thales Banzai, com première mundial no Slamdance Film Festival.
2026 já começou — e o cinema nacional segue vivo, inquieto, diverso e necessário.
E isso é só o começo. Continue acompanhando.
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