Dirigido por Jonny Campbell, Alerta Apocalipse entretém, mas não apresenta qualidades marcantes suficientes para ser memorável por si só.
Ao mesmo tempo em que existem grandes filmes nos quais a audiência deve imergir no universo apresentado e acreditar que tudo é factível, existe um submundo seleto de produções em que a descrença em nossa realidade é tão grande que, se levado realmente a sério, pode nunca consegue alcançar seu verdadeiro potencial como entretenimento absurdo. Esse é o caso de Alerta Apocalipse.
Relembrando filmes distópicos e ridículos que marcaram a primeira década dos anos 2000, com destaque para Zumbilândia (2010, Ruben Fleischer), Alerta Apocalipse coloca dois jovens seguranças de depósito e um militar aposentado em uma jornada para impedir que um perigoso fungo se espalhe pelo mundo. A partir dessa premissa, acompanhamos uma aventura que se passa ao longo de uma única noite e que, apesar de rápida narrativamente, apresenta bem menos movimento do que o contexto exigiria.

Joe Keery e Georgina Campbell em cena de “Alerta Apocalipse”- Divulgação Imagem Filmes
Cenários distópicos e absurdos são narrativas das quais o público nunca se cansa, principalmente quando percebemos que seus universos são infinitos tanto em possibilidades narrativas quanto em potencial estético. Sejam produções mais escancaradamente absurdas, como Idiocracia (2006, Mike Judge), ou reimaginações de algo já consagrado, como Zumbilândia, partindo de premissas simples e construindo uma aventura ridícula e exagerada que conecta seus personagens. Apesar de a produção de Campbell não se distanciar totalmente dessa lógica, desde a primeira cena expositiva de Alerta Apocalipse, fica claro que o filme tem medo de “chutar a porta” e construir algo verdadeiramente caótico.
Alerta Apocalipse tinha todos os elementos para ser um filme memorável. No entanto, apesar de algumas sequências interessantes, como a cena da barata zumbi ao som de One Way or Another (1978, Blondie), ou interações pequenas, como uma bomba nuclear dentro de uma casa residencial, o sentimento que permanece é o de frustração.
Ao invés de se libertar e abraçar de vez a loucura de um fungo que transforma veados em zumbis e infectados que transmitem a doença por meio de vômito, a produção se mantém contida, mais preocupada em desenvolver uma jornada dramática, e até romântica, que teria surgido de forma mais orgânica caso o foco estivesse no caos, elemento muito mais interessante dentro dessa proposta.
Joe Keery e Georgina Campbell entregam personagens que tentam adicionar camadas de profundidade à narrativa, seja pela história pregressa do personagem de Keery, pela posição de mãe solteira da personagem de Campbell ou pela tentativa de construir uma química entre ambos. Contudo, por serem pouco exploradas, essas facetas dramáticas não se sustentam em uma produção que envolve zumbis, tiros surpresa, vômitos e explosões.

Joe Keery, Liam Neeson e Georgina Campbell em cena de “Alerta Apocalipse”- Divulgação Imagem Filmes
Do outro lado, a relação fraterna entre Liam Neeson e Ellora Torchia, que interpreta a jovem militar Abigail, mesmo claramente inspirada em arquétipos de produções como Duro de Matar (1988, John McTiernan), funciona de maneira mais eficiente, mesmo com menos tempo de tela, justamente por apresentar maior credibilidade e soar mais natural dentro desse contexto.
Todas as ideias para um excelente filme estão presentes, mas, ao longo de seus rápidos uma hora e quarenta minutos, Alerta Apocalipse parece nunca realmente alcançar seu potencial máximo. O resultado é um entretenimento pipoca básico que, nas entrelinhas, em suas histórias pregressas, subtextos e possíveis cenas cortadas, sugere um filme muito mais interessante e marcante do que aquele que chega às telas.
Distribuído pela Imagem Filmes, Alerta Apocalipse estreia nos cinemas no dia 29 de janeiro.
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