Durante anos, a Casa Baratheon foi associada a decisões ruins, arrogância e tragédias irreversíveis no universo de Game of Thrones. Robert foi um rei negligente, Stannis protagonizou um dos atos mais traumáticos da série, e Renly nunca chegou a se firmar como liderança real.
Agora, sete anos após o fim da produção original, esse legado começa a ser revisitado — e finalmente redimido.
Um novo personagem surgiu. Diferente dos Baratheon que dominaram a narrativa principal de GoT, Lyonel Baratheon surge como um nobre expansivo, espirituoso e surpreendentemente acessível. Apesar de manter o gosto por festas e bebida — um traço hereditário evidente — ele demonstra inteligência emocional, curiosidade pelo outro e, sobretudo, respeito por pessoas de origem humilde.
O ponto de virada acontece logo no primeiro episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos, nova série ambientada décadas antes da guerra dos tronos. A produção apresenta Lyonel, conhecido como Tempestade Risonha, bisavô de Robert, e imediatamente estabelece um contraste claro com tudo o que o público conhecia da família. Sua interação com Duncan, o Alto, não parte de hierarquia ou conveniência política, mas de afinidade genuína.

Esse detalhe é fundamental porque desmonta uma das marcas mais negativas da Casa Baratheon em Game of Thrones: o desprezo silencioso pelas classes inferiores.
Enquanto Robert, Stannis e Renly sempre se posicionaram acima de qualquer aproximação real, Lyonel se mistura, ri, bebe e compartilha experiências com um cavaleiro errante. Para o público, isso não apenas humaniza o personagem, como ressignifica toda a linhagem.
O mais curioso é que essa construção não existe exatamente dessa forma nos livros de George R. R. Martin. Nas novelas de Dunk & Egg, Lyonel é descrito como um grande guerreiro e figura imponente, mas não chega a desenvolver uma amizade direta com Duncan. A série, portanto, promove uma alteração consciente no material original — algo que costuma gerar resistência entre fãs.

Neste caso, porém, a mudança funciona. Em vez de contradizer o cânone, a adaptação amplia o personagem e preenche lacunas emocionais que nunca foram exploradas. O resultado é uma correção narrativa elegante: depois de anos de Baratheons associados ao caos político e à ruína moral, surge finalmente um representante carismático, generoso e memorável.
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A redenção da Casa Baratheon não vem por batalhas épicas ou discursos grandiosos, mas por algo muito mais simples e eficaz: empatia. O Cavaleiro dos Sete Reinos entrega aquilo que GoT nunca ofereceu — um Baratheon que o público pode, de fato, admirar.



