Quando “A Rede Social” estreou em 2010, parecia apenas um drama afiado sobre jovens gênios brigando por dinheiro, poder e reconhecimento. Mas o tempo transformou o filme de David Fincher em algo muito maior: um registro cinematográfico do momento exato em que o mundo digital começou a dominar a vida real.
O longa acompanha a criação do Facebook e a ruptura entre Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin, mas seu verdadeiro tema nunca foi apenas amizade ou traição. O filme mostrou, antes de quase todo mundo perceber, que as redes sociais nasceram dentro de um ambiente de ambição desmedida, disputa de poder e desprezo pelas consequências humanas. Na época, isso soava dramático. Hoje, soa documental.
Com roteiro de Aaron Sorkin e direção precisa de Fincher, o filme conseguiu o impossível: transformar código de programação, reuniões corporativas e batalhas jurídicas em um thriller tenso e emocionalmente devastador. Mais do que isso, capturou o instante em que a internet deixou de ser ferramenta e virou estrutura de poder global.

Em 2010, o Facebook já era gigante. Em 2026, as redes sociais moldam eleições, influenciam guerras culturais, controlam fluxos de informação e acumulam dados pessoais em escala nunca vista na história da humanidade. O que antes parecia exagero dramático hoje é rotina: vazamentos, manipulação de dados, discursos de ódio, algoritmos que moldam comportamento.
“A Rede Social” mostrou os criadores dizendo que não tinham ideia do que estavam construindo. Essa frase envelheceu como um aviso ignorado. O filme deixou claro que a busca por crescimento e domínio sempre esteve acima da responsabilidade social — e os anos seguintes provaram isso repetidamente.
Por isso, o longa deixou de ser apenas uma cinebiografia e virou o retrato do nascimento de um novo tipo de poder: invisível, digital, mas com impacto direto no mundo real.
A Rede Social 2 – O inimigo agora é outro?
Depois de anos sendo tratado como obra fechada, o universo de A Rede Social finalmente ganha sequência. O novo filme, intitulado “The Social Reckoning”, está sendo escrito e dirigido por Aaron Sorkin e mergulha em um dos episódios mais explosivos da história recente das redes sociais: o vazamento de documentos internos que revelaram práticas nocivas da empresa por trás do Facebook.
A trama deve acompanhar a história da denunciante Frances Haugen (vivida por Mikey Madison de Anora), responsável por expor comunicações internas que mostravam como a plataforma tinha conhecimento dos impactos negativos causados por seus algoritmos — especialmente entre jovens e em cenários políticos instáveis.
Se o primeiro filme mostrava a criação do império, a sequência promete mostrar as consequências globais desse império. A mudança de foco é significativa: sai a juventude ambiciosa dos dormitórios universitários, entra o peso político, social e psicológico de uma tecnologia que escapou do controle.
Poucos filmes conseguem capturar o espírito de uma era enquanto ela ainda está se formando. A Rede Social fez isso. Sua continuação tem a missão ainda mais complexa de analisar o que acontece quando essa era atinge seu ponto crítico.

Vivemos hoje num mundo onde redes sociais influenciam saúde mental, democracia, consumo e relações humanas. O novo filme chega em um momento em que o debate sobre regulamentação, ética digital e responsabilidade das big techs está no centro das discussões globais.
Se o primeiro longa falava sobre quem criou o sistema, o segundo fala sobre quem paga o preço por ele.
O legado da Rede Social
Raramente um filme cresce tanto em importância depois de lançado. A Rede Social não só resistiu ao tempo como se tornou mais relevante a cada novo escândalo envolvendo tecnologia. Ele deixou de ser apenas cinema e virou lente histórica para entender o século XXI.
E agora, com a continuação a caminho, a história que começou com uma ideia em um dormitório de Harvard se transforma oficialmente na saga definitiva sobre o nascimento e o impacto das redes sociais no mundo.
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