Multicampeão, ídolo do Botafogo e agora embaixador da World Legends Cup. O holandês Clarence Seedorf foi a voz mais aguardada durante o lançamento do torneio, realizado nesta última segunda-feira (2) em Copacabana. Mais do que falar sobre o evento festivo, o ex-meia aproveitou os microfones para tocar em feridas abertas do futebol: a luta contra o racismo e a realidade da Seleção Brasileira sob o comando de seu antigo mentor, Carlo Ancelotti.
O peso da luta antirracista
Ao abordar o racismo e a postura de atletas como Vinícius Júnior, Seedorf foi enfático: o fardo não pode recair apenas sobre as costas de quem sofre. Para ele, o momento é de cobrança institucional e tolerância zero.
“Eu acho que é uma batalha que todo mundo tem que fazer junto, não é uma coisa que singularmente a gente pode fazer. Não tem que ter tolerância para nada”, afirmou o craque, cobrando atitudes práticas de quem comanda o espetáculo.
“As instituições, especialmente, são as primeiras que têm que atuar. Os jogadores geralmente são ativos, mas no final alguém tem que tomar decisões, tomar medidas para que as pessoas que estão se comportando de maneira racista não entrem mais no estádio.”
Seedorf ainda pontuou que iniciativas da FIFA são válidas, mas insuficientes se não houver adesão local:
“Qualquer coisa que aconteça tem que ter uma consequência. A Fifa criou essa entidade focada só sobre racismo e discriminação. É uma coisa séria, vai ajudar, mas não para aí. Precisa envolver instituições locais também.”
Clarence Seedorf durante entrevista no Rio de Janeiro – Foto: Cadu Costa / Jogada10
Ancelotti: o gestor de egos e a “falta de magia”
Conhecedor profundo do método de Carlo Ancelotti, com quem trabalhou por oito anos no Milan, Seedorf vê o italiano como o nome ideal para o Brasil, mas alerta: ele não é mágico.
“A relação é muito forte. Ele se mostrou ser o melhor treinador do mundo pela capacidade de criar grupos muito competitivos, sempre. A sua capacidade de lidar com grandes jogadores, grandes egos, foi sempre excepcional. Acho que o fato de ele vir para o Brasil significa que ele tem muita motivação”, analisou.
Contudo, Seedorf jogou a responsabilidade também para o elenco brasileiro:
“Magia não existe, mas eu acho que para o Brasil ele é um cara que vai saber lidar com esse grupo. Criar as condições emocionais equilibradas para poder fazer grandes coisas. Mas no final também os jogadores têm que dar a sua parte. Os líderes do time vão ter que tomar também a responsabilidade.”

Choque de realidade e a fuga de talentos
Sobre o momento técnico da Amarelinha rumo à Copa de 2026, Seedorf foi direto ao pedir um choque de realidade para a torcida e imprensa.
“Abaixem as expectativas”, disparou.
“Eu acho que uma seleção qualquer, que passa por muitos anos sem competir em alto nível, tem que ganhar esse entusiasmo, tem que mostrar os fatos que você pode esperar de novo. Eu acho que nesse momento o Brasil ainda não mostrou que o pessoal tem que ter expectativas, mas isso não significa que o Brasil não tem potencial para sempre ser campeão.”
Por fim, Seedorf criticou a saída precoce de jovens talentos para a Europa, valorizando o nível atual do futebol nacional.
“A minha visão é que tem alguns que estão prontos para ir e jogar logo. Mas a maioria precisa amadurecer. O Brasileirão cresceu de nível ultimamente. Não precisa sair cedo para ficar no banco, para ficar jogando no segundo time lá na Europa. É bom amadurecer aqui no país, onde já conhece todo mundo, se afirmar em alto nível e depois dar o passo.”
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