Dirigido por Tyree Dillihay e Adam Rosette, Um Cabra Bom de Bola apresenta narrativa tradicional embalada por um espetáculo de animação visualmente surpreendente
Cada vez mais, a Sony Pictures Animation vem se consolidando como uma das forças mais interessantes da animação contemporânea. O estúdio encontrou uma identidade própria ao apostar em estéticas estilizadas, pensadas especificamente para cada projeto, provando que a forma pode acrescentar camadas significativas à narrativa. Essa abordagem se destaca especialmente quando comparada ao modelo mais engessado da animação 3D clássica, que grandes estúdios como Disney e Pixar mantêm há tempo demais. É dentro desse contexto criativo que surge Um Cabra Bom de Bola.
Desde os primeiros minutos, o filme deixa claro que sua maior força não está na história em si. A narrativa do azarão, o protagonista deslocado em seu mundo, subestimado por todos, mas movido por convicção e sonhos grandiosos, é amplamente conhecida por sua audiência. Já vimos a trajetória deste arquétipo inúmeras vezes, em diferentes mídias e gêneros. Ainda assim, o longa entende que familiaridade não é um defeito quando bem utilizada, oferecendo uma experiência confortável, acessível e emocionalmente eficaz.

Cena de “Cabra Bom de Bola”- Divulgação Sony Pictures
O público continua retornando a esse tipo de história justamente porque ela funciona. Histórias de superação, quando bem executadas, despertam empatia, esperança e identificação. Um Cabra Bom de Bola abraça essa previsibilidade sem tentar disfarçá-la, seguindo com precisão todos os beats que a audiência já espera. Esse entendimento fica evidente até fora da tela: durante a sessão especial realizada no último sábado (07/02), a dubladora Hortência Marcari comentou com bom humor sobre o orgulho de participar do projeto, brincando que seu time havia perdido porque ela não estava “no time da cabra”, aquele que sempre vence. A fala ilustra bem como o desfecho de um filme assim é previsível, mas ainda assim consegue emocionar.
Se a narrativa escolhe o caminho mais seguro, a forma encontra espaço para ousar. O primeiro grande destaque do filme está na animação, que apresenta fluidez, dinamismo e um senso de movimento extremamente afinado com o universo esportivo. As partidas de basquete são encenadas em quadras que mais parecem arenas de Mortal Kombat, permitindo sequências cheias de energia, variações rítmicas e soluções visuais inventivas. O uso de planos-sequência, divisões de tela e explosões de cores transforma o jogo em um espetáculo sensorial que prende o olhar do início ao fim.
O segundo grande acerto, especialmente relevante para o público brasileiro, está na dublagem nacional e no olhar afetuoso para a cultura nordestina. Rafael Sadovski constrói o protagonista Zeca Brito com regionalismos, entonações e trejeitos que trazem uma camada extra de humanidade ao personagem. Essa escolha não apenas aproxima o filme do público local, como também confere uma identidade própria à obra, criando uma experiência distinta da versão original. Momentos simples, como ouvir o cabrito dizer à “mainha” que um dia será o melhor jogador de todos, ganham força emocional e autenticidade.

Cena de “Cabra Bom de Bola”- Divulgação Sony Pictures
No fim, Um Cabra Bom de Bola não tenta reinventar a roda. A produção entrega um “arroz com feijão” narrativo bem executado, ainda que pouco ousado em suas resoluções. Algumas escolhas são fáceis demais e evitam conflitos mais complexos, mas isso pouco prejudica o entretenimento geral. Quando bem realizadas, narrativas tradicionais continuam cativando o público, especialmente quando combinadas com estilo, humor e coração.
Distribuído pela Sony Pictures Animation, Um Cabra Bom de Bola estreia nos cinemas no dia 12 de fevereiro.
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