A derrota por 1 a 0 para o Esporte Clube Bahia, em São Januário, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro Série A, reforçou um roteiro que tem se repetido no Vasco em 2026: produção ofensiva consistente, alternativas criadas para ferir o adversário e, novamente, falhas pontuais convertidas em derrota.
O discurso de Fernando Diniz segue firme na defesa do desempenho coletivo, especialmente no aspecto defensivo.
“Eu não acho que a gente tomou muito gol essa temporada. A defesa preocupa quando se oferece muita chance ao adversário, e não tem oferecido muita chance. A gente não está igual ao ano passado. A gente tem oferecido poucas chances, e as poucas chances tem entrado. Contra a Chapecoense, a gente não ofereceu chance de jogo, o cara fez um gol na intermediária, hoje fez um gol dificil de acertar, uma jogada ensaiada de muita precisão. O Léo Jardim não fez uma defesa importante. A gente defensivamente não foi mal no jogo. A gente tem sofrido gols com poucas oportunidades cedidas ao adversário.”
O treinador também rechaça qualquer leitura de desorganização ofensiva.
“Se o time não tivesse produzindo nada, eu estaria preocupado. Não é isso. A gente tem que colocar a bola dentro do gol.”
Números pressionam Fernando Diniz
Apesar da defesa técnica do rendimento, os números no Brasileirão são contundentes. Nos últimos 11 jogos da competição sob o comando de Diniz na competição nacional, o Vasco soma:
1 vitória
9 derrotas
1 empate

Além disso, o treinador agora acumula mais derrotas (85) do que vitórias (84) em toda a sua carreira na Série A do Brasileiro, um dado que amplia o debate sobre a efetividade de seu modelo de jogo a longo prazo, o tal Dinizismo…
Mesmo assim, Fernando Diniz mantém a confiança no trabalho.
“Estou aqui para ser pressionado. Os números são esses, mas o rendimento não era para ser esse desde o ano passado. Eu vou sustentar e acredito que os números vão mudar. Não conversei nada com a diretoria. Sou seguro daquilo que faço.”
Elenco montado, resultado ausente com Fernando Diniz
O Vasco desenha um elenco interessante com laterais intensos e físicos com bons pontas, combinando vigor defensivo e profundidade ofensiva. De um lado, PH e Hinestroza; do outro, Cuiabano ao lado de Andrés Gómez, garantindo força, velocidade e amplitude.
No meio-campo, dois volantes de imposição. No ataque, centroavantes que, internamente, há convicção de que entregarão gols. O problema é que esse projeto coletivo é uma ideia que passa aqui pela minha cabeça, mas aparentemente não pela do Diniz.

Rendimento e resultados precisam caminhar juntos. São nove meses de trabalho. Tolerância e paciência são importantes, mas o senso de urgência também. Uma vitória sobre o Botafogo B no Campeonato Carioca não muda o diagnóstico do início ruim no Brasileiro.
Pausa estratégica pode definir futuro
O calendário oferece um intervalo relevante. Após o compromisso contra o Santos Futebol Clube, na Vila Belmiro, haverá Data FIFA e 13 dias sem jogos oficiais. É o maior espaço de treinamento contínuo desde o início da competição.
Até lá, o Vasco encara o Volta Redonda e, em caso de classificação, dois jogos de semifinal. O período pode servir para dar minutagem aos reforços recém-contratados e ajustar a equipe. Também é visto internamente como o momento ideal para qualquer decisão estrutural.
O clima em campo tem sido apontado como pesado. A dificuldade em converter chances estaria minando a confiança de jogadores consolidados e dos reforços, que começam a ser questionados com apenas três ou quatro partidas disputadas.
Fernando Diniz é, na história recente do clube, o treinador que mais teve tempo, paciência e material humano para trabalhar. O cenário agora impõe uma equação delicada: manter convicção no processo ou agir diante da urgência dos pontos.
A pausa pode representar a última oportunidade de alinhar rendimento e resultado…
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