Dirigido por Brandon Christensen, Pov: Presença Oculta apresenta decisões equivocadas e um nítido amadorismo técnico e narrativo que impedem o filme de ficar realmente marcante.
O gênero de terror found footage apresenta algumas características que o tornam um dos mais acessíveis para produções independentes, principalmente o baixo custo. Produções como A Bruxa de Blair (1999, Eduardo Sánchez e Daniel Myrick), e Atividade Paranormal (2009, Oren Peli), mais do que triplicaram seus orçamentos em bilheteria. Como a exigência técnica tende a ser mais simples, esse tipo de produção precisa compensar com uma narrativa cativante ou com um cenário verdadeiramente aterrorizante. Pov: Presença Oculta, no entanto, não consegue atingir nenhum desses objetivos.
Tecnicamente, o filme aposta em uma trilha sonora predominantemente diegética para ampliar a sensação de imersão. Ao mesmo tempo, a narrativa utiliza somente as câmeras corporais de dois policiais que, durante a madrugada, atendem a um chamado de violência doméstica, apenas para se encontrarem no meio de um culto que pretende extrair algo extremamente importante de ambos. Ao longo de 75 minutos, a produção se desenvolve entre ambientes escuros, câmeras tremidas e situações bizarras e frequentemente sem sentido, que acabam provocando humor involuntário em momentos nos quais a tensão deveria ser o foco principal.

Cena de “POV: Presença Oculta”- Divulgação Imagem Filmes
À medida que os policiais tentam encobrir sua participação nos crimes que presenciaram, uma presença maligna passa a perturbá-los, causando falhas técnicas nas câmeras e distorções na imagem. Apesar de um início que apresenta algumas sequências capazes de gerar certo desconforto, Pov: Presença Oculta se perde ao tentar ser mais complexo do que realmente é: uma produção frágil que busca capitalizar em cima do sucesso de filmes do gênero, mas que não demonstra a habilidade necessária para fazê-lo.
Durante a pré-estreia realizada no Shopping Eldorado, as reações do público eram audíveis, mas não de tensão ou medo. Em vez disso, ouviam-se risos e discussões em voz alta sobre decisões equivocadas ou situações incongruentes apresentadas pelo filme. Em determinados momentos, a atmosfera lembrava mais uma novela mexicana, tamanha a carga de exagero e breguice presente em uma produção que poderia ser muitas coisas, menos isso.
Escuro e claustrofóbico, Pov: Presença Oculta recorre a diversos clichês do horror, incluindo seitas satânicas e personagens apáticos que remetem a zumbis. Ainda que cumpra os elementos tradicionais do gênero, o filme não apresenta personalidade suficiente para se destacar por si próprio, funcionando frequentemente como um lembrete de como outras produções exploraram essas mesmas ideias de maneira muito mais orgânica, eficaz e memorável.

Cena de “POV: Presença Oculta”- Divulgação Imagem Filmes
Seria injusto, no entanto, ignorar que algumas sequências dirigidas por Christensen conseguem transmitir certa angústia. A tentativa de Jackson de fugir da casa que parece persegui-lo, por exemplo, ou o desfecho de Esposito, gera uma agonia arrepiante na audiência. Ainda assim, já em seu estágio inicial de concepção, Pov: Presença Oculta necessitava de uma base narrativa mais sólida, com conflitos e diálogos melhor desenvolvidos, em vez de depender apenas de sugestões nas entrelinhas e terminar a história deixando grande parte de seus acontecimentos sem explicação.
Quando finalmente é revelada a entidade que atormenta os protagonistas, sua aparência remete claramente ao imaginário popular do Slender Man. Apesar da tentativa de apresentá-lo como uma figura assustadora, o filme falha em construir a atmosfera necessária para que essa revelação tenha impacto.
No final, as escolhas equivocadas da produção não se limita somente ao campo narrativo, mas também refletem decisões técnicas que comprometem o resultado da produção. O que poderia ter sido uma experiência tensa e envolvente, se torna apenas mais um título esquecível dentro de um gênero que já demonstrou ser capaz de muito mais.
Distribuído pela Imagem Filmes, Pov: Presença Oculta estreia nos cinemas no dia 12 de março.
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