Poucos atores conseguiram fazer uma transição tão convincente quanto Bob Odenkirk. Durante anos associado à comédia, ele encontrou em Better Call Saul não só seu papel mais marcante, mas também uma nova identidade como ator dramático. E o mais interessante é perceber como essa transformação não ficou restrita à televisão.
Ao longo dos últimos anos, Bob Odenkirk construiu uma filmografia que expande — e às vezes subverte — tudo aquilo que o público aprendeu a esperar de Saul Goodman. Entre ação brutal, dramas silenciosos e personagens moralmente ambíguos, há um conjunto de filmes que dialoga diretamente com esse universo.
A seguir, cinco títulos que ajudam a entender por que ele se tornou um dos nomes mais interessantes da atuação recente.
Anônimo (2021)
Se Better Call Saul revelou o lado dramático de Bob Odenkirk, Anônimo mostrou algo que pouca gente esperava: ele funciona — e muito bem — como protagonista de ação.
Aqui, ele vive Hutch Mansell, um homem aparentemente comum cuja rotina esconde um passado violento. Quando sua família é ameaçada, essa fachada desmorona, revelando alguém capaz de um nível extremo de brutalidade.
O paralelo com Saul Goodman não é direto, mas existe. Enquanto Saul constrói uma imagem de alguém perigoso para esconder fragilidade, Hutch faz o oposto: parece inofensivo até deixar claro que não é.
Ambos operam em zonas cinzentas, cercados por um submundo criminoso que nunca perdoa erros.
The Post: A Guerra Secreta (2017)
Em The Post: A Guerra Secreta, dirigido por Steven Spielberg, Bob Odenkirk aparece em um papel menor — mas não menos relevante.
O filme acompanha a publicação dos Pentagon Papers pelo Washington Post, mergulhando em um momento decisivo do jornalismo norte-americano. Odenkirk interpreta um jornalista lidando com pressões políticas e dilemas éticos.
É um tipo de atuação mais contida, baseada em nuances. E justamente por isso, conversa com um dos aspectos mais fortes de Better Call Saul: a ambiguidade moral.
Assim como Saul, seu personagem aqui transita entre o que é certo e o que é possível fazer dentro de um sistema cheio de pressões.
Normal (2026)
Mais recente na filmografia do ator, Normal coloca Odenkirk novamente no centro da narrativa.
Ele interpreta um xerife recém-nomeado em uma pequena cidade que começa a investigar um caso aparentemente simples — até perceber que existe algo muito maior por trás.
A estrutura lembra diretamente Better Call Saul: uma história que começa pequena e, aos poucos, revela um sistema complexo de corrupção e crime.
Aqui, mais uma vez, tudo depende da performance de Odenkirk. É ele quem conduz a narrativa, equilibrando tensão, curiosidade e um senso constante de que algo está fora do lugar.
Nebraska (2013)
Talvez o filme mais sensível da lista, Nebraska mostra um lado diferente do ator.
Na história, ele interpreta o filho de um homem idoso convencido de que ganhou um prêmio milionário. A jornada dos dois é simples, quase silenciosa, mas carregada de significado.
Filmado em preto e branco, o longa tem uma atmosfera que lembra os momentos mais introspectivos de Better Call Saul — especialmente aqueles ambientados no futuro de Jimmy McGill.
Aqui, o humor existe, mas é sutil, muitas vezes melancólico. E Odenkirk se encaixa perfeitamente nesse tom, provando que sua força não está apenas na intensidade, mas também na contenção.
Anônimo 2 (2025) – Show de Bob Odenkirk
Encerrando a lista, Anônimo 2 amplia tudo o que o primeiro filme construiu.
Hutch agora está mais instável, mais violento e mais próximo de perder o controle — mesmo durante uma viagem em família. O passado continua cobrando seu preço, e a tentativa de levar uma vida comum parece cada vez mais distante.
O paralelo com Saul Goodman aqui é ainda mais evidente. Assim como Jimmy McGill se transforma gradualmente em alguém que já não reconhece, Hutch também se vê cada vez mais dominado por quem foi.
A diferença é que, enquanto Saul negocia com palavras, Hutch resolve com violência.
Afinal, o que une todos esses filmes não é apenas a presença de Bob Odenkirk, mas a forma como eles exploram personagens que vivem em constante tensão entre quem são e quem precisam ser.
Esse conflito, que define Better Call Saul, aparece em diferentes formas ao longo da filmografia do ator — seja em histórias de crime, drama ou até ação pura.
E é justamente essa consistência que transforma Odenkirk em algo raro hoje: um ator capaz de carregar histórias complexas sem nunca parecer repetitivo.
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