A arte urbana ganha uma tradução sonora provocadora no novo lançamento do compositor Rodrigo Campello. No terceiro volume do projeto Peças de Uma Exposição, o artista mergulha no universo de Banksy para construir um EP que transforma crítica social, ironia e tensão política em música eletrônica contemporânea.
Intitulado Peças de Uma Exposição – Vol. 3: Banksy, o trabalho chega aos aplicativos de música com participação da DJ e compositora Maíra Knox, ampliando o caráter conceitual da série, que propõe traduzir linguagens visuais em experiências sonoras.
Projeto explora arte urbana como linguagem musical
Depois de percorrer o modernismo brasileiro e referências europeias em volumes anteriores, Campello desloca seu olhar para o ambiente urbano das grandes cidades. A escolha por Banksy não é apenas estética, mas conceitual: o artista britânico é conhecido por tensionar temas como consumo, poder, desigualdade e identidade — elementos que também estruturam o EP.
A partir desse diálogo, o compositor constrói uma obra que reflete o presente, especialmente as contradições sociais das últimas décadas. A presença de Maíra Knox reforça esse olhar ao trazer uma perspectiva mais íntima e fragmentada, baseada em experiências e percepções contemporâneas.
Os textos da artista funcionam como ponto de partida criativo. Com estrutura próxima à colagem, eles reúnem ideias, frases e sensações que ecoam vivências coletivas, criando um mosaico de reflexões que se conecta diretamente à estética provocadora associada a Banksy.
Sonoridade híbrida mistura eletrônico, funk e referências literárias
Musicalmente, o EP aposta em uma base eletrônica, mas se afasta de qualquer rigidez de gênero. A construção sonora é híbrida e fragmentada, incorporando elementos diversos como transmissões de rádio, brinquedos sonoros e referências ao funk carioca.
Além disso, o trabalho dialoga com universos aparentemente distantes, como a literatura de Charles Bukowski e o rock francês dos anos 1960, criando uma paisagem sonora que reflete o caos e a complexidade do mundo contemporâneo.
Essa mistura não é aleatória. Ela acompanha a própria lógica do projeto, que busca traduzir a multiplicidade de estímulos visuais e culturais em camadas musicais.
Faixas constroem narrativa crítica sobre o presente
A abertura com “Coisa Fútil” estabelece o tom do EP ao abordar relações superficiais mediadas por redes sociais e imagens fabricadas. A faixa combina ironia e crítica, partindo de sons lúdicos, como uma arminha de brinquedo, para evoluir em uma atmosfera que dialoga com a cultura de periferia e o excesso de aparências.
Na sequência, “Pra Que” assume um caráter mais direto. A música questiona estruturas sociais baseadas em consumo, desigualdade e alienação, levantando reflexões sem oferecer respostas definitivas. A proposta é provocar uma pausa crítica diante da velocidade do cotidiano.
Encerrando o projeto, “Désirs Incertains” explora ambiguidades emocionais a partir de um texto em francês. A faixa dialoga com a tradição da canção francesa ao mesmo tempo em que a desconstrói, utilizando como referência a estrutura de Je t’aime… moi non plus, recriada sob uma nova perspectiva.
Com o terceiro volume, Peças de Uma Exposição consolida sua proposta de atravessar fronteiras entre artes visuais e música. O EP não apenas homenageia a obra de Banksy, mas traduz sua lógica crítica para o campo sonoro, criando uma experiência que dialoga com o presente de forma direta.
Ao apostar em experimentação, identidade e cruzamento de linguagens, o trabalho reafirma o papel da música como espaço de reflexão e leitura do mundo contemporâneo.
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