Dirigido por Michael Jelenic e Aaron Horvath, Super Mario Galaxy: O Filme entrega novamente fan service e um espetáculo visual vibrante, mas ainda carece de um direcionamento dramático mais sólido.
Para analisarmos Super Mario Galaxy: O Filme, é importante entender primeiro quem é a Illumination. Fundado em 2007, o estúdio não apresenta produções com a mesma gravidade emocional de concorrentes como DreamWorks ou Pixar, optando por histórias rápidas, humor simples, estética caricata e colorida, além de um núcleo dramático pouco expressivo. Dentro dessa proposta se encaixa Super Mario Bros: O Filme (2023, Michael Jelenic e Aaron Horvath), que, apesar de mediano em seu melhor momento, arrecadou mais de 1,3 bilhão de dólares.
Recheado de easter eggs, fan service e um claro respeito ao material original, o primeiro filme entendia bem o que torna o encanador tão amado. Ainda assim, não entregava nada além de um entretenimento acelerado, apoiado em músicas nostálgicas dos anos 80 e soluções narrativas simples e previsíveis. Sua história funcionava mais como resposta ao desejo dos fãs do que como uma narrativa propriamente construída.
Ao analisarmos Super Mario Galaxy: O Filme, percebemos tanto continuidades quanto diferenças em relação ao anterior. A estética, agora ampliada pelo cenário galáctico, é ainda mais vibrante e ambiciosa. No entanto, a fragilidade narrativa permanece e, desta vez, sem o suporte de um ritmo frenético que mascarava essas limitações no primeiro longa.

Princesa Rosalina em cena de “Super Mario Galaxy: O Filme”- Divulgação Universal Studios/Nintendo
A trama se inicia com o rapto da Princesa Rosalina, estabelecendo rapidamente o conflito central, o que é um acerto. O problema surge quando o filme se dispersa em múltiplas tramas paralelas: o encontro com Yoshi, as dúvidas de Peach, a possível redenção de Bowser, a jornada de uma Luma fugitiva, entre outras. Se antes a narrativa pecava pela simplicidade, agora ela se torna excessivamente carregada. Algo que ao final, o ritmo não acompanha.
São personagens demais, arcos demais e referências demais. Como celebração dos 45 anos de Mario Bros, Super Mario Galaxy: O Filme cumpre bem sua função: há cenas que remetem diretamente às fases dos jogos, sequências em 8-bit e aparições pontuais de personagens clássicos. Além disso, há uma escolha mais interessante na trilha sonora, com maior uso de composições autorais inspiradas nos jogos, em vez de músicas populares.
Narrativamente, há também uma mudança relevante: o protagonismo deixa de ser de Mario e passa para a Princesa Peach. No entanto, sua jornada, centrada em um reencontro com sua identidade, carece de profundidade. Apesar de refletir a postura mais ativa da personagem em títulos recentes como Princess Peach: Showtime! (2024), o arco apresentado aqui não se destaca nem se torna memorável.
O principal problema não está na proposta, mas na execução. Com tantos personagens introduzidos, poucos recebem desenvolvimento adequado. Rosalina, por exemplo, é subaproveitada, assim como Toad, que perde espaço para Yoshi, algo que ecoa a dinâmica dos jogos. Até mesmo Mario é jogado para escanteio no filme que recebe seu nome.
Nas entrelinhas, o filme revela caminhos muito mais interessantes do que aqueles que decide seguir. A possível conexão entre Peach e Rosalina, a redenção de Bowser e até mesmo a participação de Star Fox indicam possibilidades narrativas mais densas. Ainda assim, a produção opta por um caminho seguro, privilegiando ação bem coreografada e espetáculo visual.

Luigi, Yoshi, Mario e Toad em cena de “Super Mario Galaxy: O Filme”- Divulgação Universal Studios/Nintendo
O resultado é um filme competente, visualmente grandioso e funcional como entretenimento, mas que se limita ao básico. Falta ousadia para explorar o potencial dramático que claramente existe nesse universo.
Ao compararmos com o que a franquia Sonic tem apresentado no cinema, essa limitação se torna ainda mais evidente. Mesmo com altos e baixos, os filmes do ouriço azul investem em um núcleo emocional mais consistente, algo que se reflete, por exemplo, no arco de Shadow em Sonic 3 (2024, Jeff Fowler). Em contraste, Super Mario Galaxy: O Filme ainda parece preso a uma zona de conforto.
Se as cenas pós-créditos indicam algum caminho, tudo leva a crer que a franquia continuará apostando na nostalgia e na homenagem ao material original, sem se arriscar narrativamente. Uma escolha compreensível, mas frustrante, especialmente quando o potencial para algo maior está tão evidente.
Distribuído pela Universal Pictures, Super Mario Galaxy: O Filme estreia nos cinemas em 01 de abril.
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