Dirigido por Carolina Durão, Um Pai em Apuros não esconde suas intenções
A narrativa eterna do pai ausente que aprende, aos tropeços, a se conectar com os filhos já foi contada inúmeras vezes. Comédias, dramas, animações, escolha o seu filme preferido, em algum momento você já viu ela, porém, por ser eficiente, ela continua sendo recontada. Um Pai em Apuros encontra algum novo fôlego dentro desta narrativa ao apostar no carisma do elenco e em uma condução que privilegia o afeto acima da inventividade.
O principal acerto está em Rafael Infante. Explorando bem sua já conhecida comédia física, o ator encontra aqui um raro equilíbrio entre o exagero e a sinceridade. Seu Fred funciona justamente por não abandonar o ridículo, mas também não se apoiar apenas nele. Quando o filme desacelera, como na cena da conversa sobre menstruação, Infante demonstra um controle de tom que sustenta os momentos mais sensíveis sem cair no melodrama fácil.

Rafael Infante, Xande Valois, Bella Alelaf e Lara Infante em cena de “Um Pai em Apuros”- Divulgação Mais Galeria
O mesmo não pode ser dito de todo o elenco. Enquanto Xande Valois, Bella Alelaf e Lara Infante trazem leveza e espontaneidade, Dani Calabresa parece presa a um registro artificial, destoando de um conjunto que, em geral, busca naturalismo. O contraste é evidente, e apesar do brilho natural da atriz, mais prejudica mais do que ajuda.
Na forma, Um Pai em Apuros segue uma cartilha bastante reconhecível. A montagem acelerada, recheada de cortes rápidos, tenta traduzir o caos da paternidade solo, em um caminho semelhante ao de Mãe Fora da Caixa (2025, Manuh Fontes). A diferença é que aqui quase não há espaço para silêncio ou ambiguidade: a comédia domina, muitas vezes em excesso, e a insistência em manter o ritmo alto acaba diminuindo o impacto dos momentos que pediriam respiro.
O roteiro também não se arrisca. Desde a jornada de redenção do pai previamente desligado, os embates no ambiente de trabalho, até a clássica “mentira inocente”, são arcos que se desenvolvem exatamente como se espera, sem desvios e nem surpresas. Funciona? Em partes. Há identificação e alguns momentos genuinamente eficazes, mas falta ao filme a coragem de tensionar suas próprias escolhas.
Tecnicamente competente, Um Pai em Apuros aposta em uma fotografia limpa e em uma direção de arte discreta, quase invisível. No entanto, a trilha sonora constante revela uma insegurança recorrente em comédias populares nacionais: o medo do silêncio. Ao sublinhar emoções que já estão claras, o filme enfraquece o próprio impacto e evidencia uma dependência desnecessária desse recurso.

Rafael Infante em cena de “Um Pai em Apuros”- Divulgação Mais Galeria
Ainda assim, há algo que sustenta a experiência. O arco de transformação de Fred, embora previsível, é conduzido com clareza e cumpre seu papel. E talvez seja justamente aí que o filme encontra sua força: não em surpreender, mas em entregar, com eficiência, aquilo que o público já espera e, em certa medida, deseja.
Com uma duração que ultrapassa o necessário e sem grande interesse em se reinventar, Um Pai em Apuros é um exemplo típico de uma comédia nacional que funciona apesar de suas limitações, não por causa delas. Falta risco, sobra fórmula, mas, no meio disso, ainda há espaço para muito encanto.
Distribuído pela +Galeria, Um Pai em Apuros estreia em 23 de abril.
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