Dirigido por Genki Kawamura, Exit 8 é uma adaptação que leva a fidelidade ao material original ao extremo, e paga o preço por isso.
Em um ano marcado por adaptações de jogos independentes como Iron Lung (2026, Markiplier) e The Mortuary Assistant (2026, Jeremiah Kipp), fica evidente o interesse crescente da indústria por narrativas minimalistas. São histórias que, com poucos cenários e baixo orçamento, apostam na atmosfera e na tensão psicológica. Esse formato pode ser extremamente eficaz, mas também corre o risco de se desgastar rapidamente. Exit 8 habita exatamente esse limiar.
A premissa é simples e eficiente: preso em um looping espacial, um homem precisa atravessar oito corredores. Ao identificar uma anomalia, deve retornar; caso contrário, segue em frente. Um erro o faz recomeçar do zero. A ideia, herdada diretamente do jogo original da Kotake Create, funciona bem na interatividade do videogame. No cinema, porém, exige expansão, algo que o filme tenta, mas nem sempre consegue sustentar.

Yamato Kochi em cena de “Exit 8”- Divulgação Paris Filmes
A obra começa com uma perspectiva em primeira pessoa, evocando a experiência do jogo, mas rapidamente transita para uma abordagem em terceira pessoa. A escolha permite que a direção explore longos planos-sequência e movimentos contínuos de câmera, reforçando a sensação de repetição e aprisionamento. Tecnicamente, o filme é sólido: a fotografia e o design de som criam uma atmosfera constante de inquietação, enquanto a trilha sonora intensifica a tensão, ainda que, em alguns momentos, sinalize demais o que está por vir.
Narrativamente, há uma tentativa clara de aprofundar o protagonista, o chamado “Homem Perdido”, transformando sua jornada em algo mais emocional e simbólico. Sua evolução, de alguém apático para alguém mais consciente e preocupado com o outro, é perceptível. Personagens como o “homem que anda” e um misterioso menino adicionam camadas à trama, sugerindo conexões mais profundas do que aparentam à primeira vista, e fortalecendo as reflexões existencialistas da produção.
O problema surge quando a repetição estrutural deixa de ser recurso e passa a ser obstáculo. O ciclo constante, essencial para a proposta, acaba diluindo o impacto das anomalias e reduzindo a tensão ao longo do tempo. Mesmo com variações narrativas e diferentes pontos de vista, o filme frequentemente retorna ao mesmo lugar, sem a progressão necessária para manter o engajamento.

Kazunari Ninomiya e Naru Asanuma em cena de “Exit 8”- Divulgação Paris Filmes
Curiosamente, é fora do terror imediato que Exit 8 encontra sua maior força. O filme abre espaço para múltiplas interpretações: pode ser visto como uma metáfora sisífica sobre repetição e esforço inútil, uma crítica à alienação contemporânea, em que ignoramos o mundo ao nosso redor, ou até como um retrato íntimo de culpa e redenção. Essas camadas elevam a obra, mas também evidenciam sua indecisão. Ao tentar abraçar muitas leituras sem aprofundar plenamente nenhuma, o longa perde foco.
Mesmo com uma cinematografia recheada de planos sequências mirabolantes, e uma trilha sutil potente, sua narrativa se prende demais à estrutura do jogo, assim, caindo em um ciclo criativo limitado, que reflete diretamente na experiência do espectador: repetitiva, angustiante e, por vezes, exaustiva.
No fim, Exit 8 é um filme tecnicamente competente e conceitualmente interessante, mas que hesita em definir sua própria identidade. Ao oscilar entre fidelidade e reinvenção, acaba preso em um meio-termo que limita seu potencial. O resultado é uma experiência que permanece na memória pelo desconforto que provoca, mas que poderia ter ido muito além se tivesse escolhido com mais clareza qual caminho seguir.
Distribuído pela Paris Filmes, Exit 8 estreia nos cinemas brasileiros em 30 de abril.
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