Nem bom dia minha mulher me deu. Já acordei com ela dizendo que afélio estava chegando. Mas quem é esse cara? Ela ainda me fez logo tremer falando que viria um frio sinistro…
Disse que acordou lendo a notícia. Já me lembrei de ter ouvido a mesma história ano passado.
É um texto safado que circula nas redes sociais e distorce um fenômeno astronômico comum. Espalha informações incorretas sobre temperaturas, doenças e distância da Terra ao Sol.
Essa mensagem volta a circular na mesma época todo ano no WhatsApp e em redes sociais afirmando que o fenômeno do afélio causará um frio intenso até agosto. O texto viral mistura informações reais sobre astronomia com exageros e dados incorretos para sugerir que a Terra estaria “muito mais longe do Sol”, provocando temperaturas anormais e aumento de doenças respiratórias.
A corrente afirma que o “Fenômeno Afélio” deixaria o planeta 66% mais distante do Sol, causando frio rigoroso, gripes e dificuldades respiratórias até agosto.
A questão é que o fenômeno afélio existe, mas não funciona dessa forma.
O afélio é apenas o momento do ano em que a Terra atinge o ponto mais distante do Sol durante sua órbita. Isso acontece porque o planeta não gira em um círculo perfeito, mas em uma órbita levemente oval. O fenômeno ocorre todos os anos, normalmente em julho, e faz parte do funcionamento natural do sistema solar.
Apesar disso, especialistas explicam que o afélio praticamente não influencia diretamente as temperaturas na Terra. As estações do ano acontecem principalmente por causa da inclinação do eixo terrestre, e não pela distância em relação ao Sol.
Ou seja: o inverno no Hemisfério Sul não acontece porque estamos mais longe do Sol, mas porque essa parte do planeta recebe menos incidência direta de luz solar durante o período.
Outro ponto enganoso da mensagem é a afirmação de que a Terra ficaria “66% mais longe” do Sol. A variação real da distância é muito menor do que isso e não provoca mudanças drásticas na temperatura global.
Instituições como o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP) e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) reforçam que não é possível prever meses de frio extremo apenas por causa do afélio. Eventos como ondas de frio, geadas e massas polares dependem de condições atmosféricas específicas e mudanças meteorológicas de curto prazo.
A mensagem viral também tenta associar diretamente o fenômeno ao aumento de doenças respiratórias. Embora períodos frios possam favorecer maior circulação de vírus respiratórios, isso não tem relação direta com o afélio em si.
Segundo previsões climáticas atuais, a tendência para os próximos meses é de temperaturas acima da média em diversas regiões do Brasil, especialmente no Centro-Oeste e em partes do Sudeste e Norte do país, cenário oposto ao alarmismo espalhado pela corrente. É o El Niño que vem aí.
Especialistas alertam para o cuidado ao compartilhar mensagens sem origem confiável, principalmente quando usam linguagem alarmista ou apelam para medo relacionado à saúde pública e fenômenos naturais.
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