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Centro Cultural Coreano no Brasil traz a São Paulo a cultura das Jeju Haenyeo, comunidade feminina de mergulhadoras
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Jeju Haenyeo: a exposição em São Paulo que revela a força das mulheres do mar da Coreia

Por Genius Lab
Última Atualização 8 de junho de 2026
8 Min Leitura
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JKPARK
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A cultura coreana costuma chegar ao Brasil através da música, dos dramas, da gastronomia ou da beleza. Mas algumas das histórias mais fascinantes da Coreia estão longe dos grandes palcos e das telas.

É justamente uma dessas histórias que chega agora a São Paulo por meio da exposição

“Sopro do Mar: Jeju Haenyeo, mulheres e coletividade“, realizada pelo Centro Cultural Coreano no Brasil.

À primeira vista, a mostra apresenta a tradição das Haenyeo, as lendárias mergulhadoras da Ilha de Jeju. Mas basta olhar um pouco além para perceber que a exposição fala sobre algo muito maior do que o mergulho.

Ela fala sobre comunidade.

E talvez seja exatamente por isso que essa história continue despertando interesse dentro e fora da Coreia.

Quem são as Jeju Haenyeo

As Haenyeo são mulheres que, há gerações, mergulham nas águas da Ilha de Jeju para coletar frutos do mar sem o uso de equipamentos modernos de respiração.

A técnica impressiona.

Mas o que tornou essa tradição reconhecida mundialmente vai muito além da habilidade física.

Ao longo dos séculos, essas mulheres construíram um sistema de vida baseado em cooperação, transmissão de conhecimento, cuidado mútuo e respeito ao ambiente marinho.

Elas mergulham juntas.

Aprendem juntas.

Protegem umas às outras.

E compartilham conhecimentos que passam de geração para geração.

Em 2016, essa tradição foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Não apenas pelo trabalho realizado no mar, mas pelos valores humanos que ele preserva.

Nenhum sopro é solitário

A exposição apresentada em São Paulo parte de uma ideia simples e poderosa.

“Nenhum sopro é solitário.”

Essa frase serve como conceito central da mostra e ajuda a entender por que a história das Haenyeo continua tão atual.

Em uma sociedade cada vez mais individualizada, a exposição propõe uma reflexão sobre pertencimento, cuidado coletivo e interdependência.

O visitante é convidado a conhecer não apenas a rotina das mergulhadoras, mas também a rede de relações que sustenta essa tradição centenária.

Para isso, a mostra reúne fotografias documentais, registros audiovisuais, ferramentas utilizadas no trabalho marítimo, os tradicionais trajes de mergulho conhecidos como *mulot* e reconstruções de espaços simbólicos da cultura Haenyeo.

Mais do que apresentar uma atividade tradicional, a exposição busca mostrar como uma comunidade consegue sobreviver e se fortalecer através dos laços construídos entre as pessoas.

O Bulteok: O coração da comunidade

Entre os destaques da exposição está a recriação do **bulteok (??)**.

Trata-se de uma estrutura circular de pedras localizada à beira-mar em Jeju, utilizada pelas mergulhadoras antes e depois dos mergulhos.

É ali que elas se reúnem para trocar de roupa, secar os trajes, descansar, se aquecer ao redor do fogo e compartilhar experiências.

Na prática, o bulteok funciona como muito mais do que um espaço físico.

Ele representa a própria ideia de comunidade.

É o lugar onde o conhecimento circula.

Onde histórias são transmitidas.

Ondena experiência individual se transforma em aprendizado coletivo.

Em um momento em que tantas relações acontecem através de telas, existe algo particularmente simbólico em uma tradição que continua valorizando espaços de encontro.

O som que carrega uma história

Outro elemento marcante da exposição é o **sumbisori (????)**.

Trata-se do som característico da respiração das Haenyeo quando retornam à superfície após longos períodos submersas.

Para quem nunca ouviu, pode parecer apenas um detalhe.

Mas para a cultura de Jeju, esse som se tornou uma espécie de assinatura coletiva.

Ele representa resistência.

Representa experiência.

Representa sobrevivência.

E aparece nos registros audiovisuais da mostra como um dos elementos mais emblemáticos da identidade das mergulhadoras.

Porque essa história encontra eco no presente

Existe algo curioso acontecendo em diferentes partes do mundo.

Ao mesmo tempo em que vivemos cercados por redes sociais, plataformas digitais e comunicação instantânea, cresce a sensação de isolamento.

As pessoas estão conectadas.

Mas nem sempre se sentem pertencentes.

Talvez seja por isso que histórias como a das Haenyeo encontrem tanta ressonância.

Elas nos lembram que comunidades não são construídas apenas por interesses em comum.

Elas são construídas por responsabilidade compartilhada.

Por presença.

Por cuidado.

Essa reflexão dialoga diretamente com fenômenos contemporâneos como fandoms, comunidades culturais e movimentos coletivos que continuam surgindo ao redor do mundo.

Os espaços que permanecem vivos costumam ser aqueles onde as pessoas sentem que fazem parte de algo maior do que elas mesmas.

A exposição também estabelece uma ponte importante com o Brasil.

Entre os materiais apresentados estão registros cedidos por Lygia Barbosa e Luciano Candisani, dois nomes que contribuíram para a divulgação da cultura Haenyeo no país.

Ambos participaram do documentário *Haenyeo, A Força do Mar*, exibido pela TV Cultura e pela National Geographic.

Essa presença ajuda a aproximar o público brasileiro de uma tradição que, apesar da distância geográfica, dialoga com questões universais sobre memória, identidade e comunidade.

Encontros e palestras aprofundam a experiência.

Além da exposição, o Centro Cultural Coreano promoverá uma programação especial de palestras e encontros.

Entre os convidados está Carlos Gorito, brasileiro radicado na Coreia do Sul e atual Embaixador Honorário do Turismo de Jeju.

A curadora da mostra, Jinhee Park, também participará das atividades, ampliando as discussões sobre a cultura das Haenyeo e seu significado contemporâneo.

Uma lição que vai além do mar.

Para quem trabalha com cultura, comunidades e fandoms, talvez o aspecto mais interessante das Haenyeo não seja o mergulho em si.

É o fato de que uma tradição centenária conseguiu sobreviver porque foi construída sobre confiança, transmissão de conhecimento e senso de pertencimento.

Em uma época marcada pela velocidade das conexões e pela fragilidade de muitos vínculos, a cultura das Jeju Haenyeo surge como um lembrete poderoso de que algumas formas de resistência continuam sendo coletivas.

Talvez seja por isso que a frase escolhida pela exposição faça tanto sentido.

Nenhum sopro é solitário.

E, olhando para a trajetória dessas mulheres, fica difícil não perceber que algumas das histórias mais relevantes sobre o futuro ainda começam falando sobre comunidade.

SERVIÇO – Exposição: Sopro do Mar: Jeju Haenyeo, mulheres e coletividade

Local: Centro Cultural Coreano no Brasil – Avenida Paulista, 460, Bela Vista, São Paulo

Período: 12 de junho a 30 de agosto de 2026

Entrada: Gratuita

Horários: Terça a sábado: 10h às 18h30 / Domingo: 11h às 17h

Genius Lab — Onde a cultura coreana vira experiência, tendência e movimento.

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PorGenius Lab
A Genius Lab é uma plataforma de cultura e criação baseada no Rio de Janeiro, dedicada à cultura coreana e às dinâmicas de fandom como fenômeno cultural contemporâneo. Atua na leitura e ativação da experiência coletiva no território.Co-criadora do Coreia Fan Fest e co-fundadora da ProGeek RJ, conecta público, cidade e cultura pop asiática por meio de experiências de pertencimento, memória e comunidade.

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