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Cena de "Avatar Aang: O Último Mestre do Ar"- Divulgação Paramount
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Avatar Aang: O Último Mestre do Ar’ honra a série e prova que merecia muito mais

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 20 de julho de 2026
6 Min Leitura
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Cena de "Avatar Aang: O Último Mestre do Ar"- Divulgação Paramount
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Dirigido por Lauren Montgomery, Avatar Aang: O Último Mestre do Ar preserva a profundidade e a grandiosidade da série em uma sequência que, apesar de limitada em seu alcance, merecia um tratamento muito melhor do que recebeu.

Antes de falar sobre o filme, é necessário fazer uma confissão: além do terrível O Último Mestre do Ar (2010, M. Night Shyamalan), e de conhecer alguns acontecimentos da série por osmose, como a redenção de Zuko e outros momentos marcantes, nunca fui realmente fã de Avatar: A Lenda de Aang (2005, Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko). Ainda assim, ter meu primeiro contato efetivo com esse universo por meio de uma produção dessa magnitude foi uma experiência bastante especial.

Também vale destacar a trajetória conturbada do longa. Anunciado em 2021 e concluído apenas em 2025, o filme tinha estreia prevista para janeiro deste ano, mas acabou adiado para outubro. Após ser vazado na internet em abril devido a um ataque hacker, Paramount e Nickelodeon optaram por antecipar para Julho e lançá-lo diretamente no streaming, numa tentativa de minimizar os prejuízos.

Dando continuidade aos acontecimentos de Avatar: A Lenda de Aang, a animação preserva a identidade visual da série ao combinar influências ocidentais e orientais. O formato cinematográfico permite um refinamento técnico evidente, resultando em momentos visualmente impressionantes, especialmente nas sequências em que a iluminação natural assume protagonismo ou quando a estética inspirada em animes é plenamente abraçada, como nas passagens protagonizadas por Sokka.

Cena de "Avatar Aang: O Último Mestre do Ar"- Divulgação Paramount

Cena de “Avatar Aang: O Último Mestre do Ar”- Divulgação Paramount

O quinteto principal está de volta: Katara, Sokka, Zuko, Toph e, obviamente, Aang. Mesmo para quem não possui uma ligação afetiva com a série, é impossível ignorar a importância desses personagens para os fãs. A impressão, porém, é que o roteiro tenta equilibrar o protagonismo entre todos, fazendo com que, principalmente Zuko e Toph, acabem subaproveitados em uma narrativa que pertence essencialmente a Aang e ao seu processo de luto.

Ao contrário de Star Wars: Os Últimos Jedi (2017, Rian Johnson), a evolução dos personagens acontece de maneira orgânica. Aang continua sendo o garoto brincalhão e otimista de antes, mas agora demonstra maior maturidade e consciência sobre seu passado. Quando surge a oportunidade de reconstruir a cultura dos Nômades do Ar formando novos dobradores, sua missão se torna clara, e a inclusão de um personagem dublado por Dave Bautista apenas aumenta a expectativa.

Mais uma vez, porém, o marketing trabalhou contra o próprio filme. Uma simples pesquisa sobre o personagem interpretado por Bautista revela notícias publicadas pela Variety e pela própria Paramount ainda em 2024 que entregam sua verdadeira identidade, comprometendo a maior surpresa da narrativa antes mesmo da estreia.

Até mesmo a ideia de um grupo de rebeldes intitulados “Os Negados”, um acerto dentro da mitologia do filme, já apresentam uma página do fandom explicando todas as suas motivações e arcos, assim, o que indico para quem não pesquisou nada sobre o filme, é continuar assim.

Cena de "Avatar Aang: O Último Mestre do Ar"- Divulgação Paramount

Cena de “Avatar Aang: O Último Mestre do Ar”- Divulgação Paramount

O grande mérito da produção está justamente em compreender que uma franquia não precisa existir apenas para gerar lucro. Diferentemente da adaptação live-action da NETFLIX, que muitas vezes parece excessivamente preocupada em reproduzir a obra original, ou criar algo “superior”, este longa utiliza seus personagens para discutir temas mais maduros, acompanhando naturalmente o crescimento de cada um deles.

Luto, culpa e família são os pilares temáticos da narrativa. A espiritualidade característica do universo de Avatar permanece presente e é potencializada por uma animação que combina 2D e 3D com enorme competência. O resultado são sequências de ação extremamente fluidas, visualmente grandiosas e enriquecidas por um trabalho de luz e cores que valoriza cada movimento e cada confronto.

Ao final, fica evidente que Avatar Aang: O Último Mestre do Ar foi produzido com genuíno carinho tanto para homenagear o legado da série quanto para apresentar esse universo a uma nova geração. Por isso, é difícil não sentir que o filme merecia um destino muito melhor, já que qualidade certamente não lhe falta.

Avatar Aang: O Último Mestre do Ar estreia exclusivamente no Paramount+ em 25 de julho de 2026.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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