Dirigido por Philippe Lacheau, Marsupilami: Confusão a Bordo não hesita em abraçar a galhofa, a paródia e o humor sem sentido em uma produção cujo único compromisso é entreter.
A história de uma criatura fantástica que ganha vida em um live-action para ajudar um casal, ou uma família, a se reconciliar entre si ou consigo mesma já se tornou um clássico da cinematografia mundial. Seja em grandes propriedades intelectuais, como Space Jam: O Jogo do Século (1996, Joe Pytka), ou em criaturas originais que vão de clássicos eternos como E.T. – O Extraterrestre (1982, Steven Spielberg) a obras cômicas e anárquicas como Marsupilami: Confusão a Bordo.
Na minha visão, o maior mérito desse tipo de filme não está em seu arco dramático. Claro, ele pode estar presente e, quando bem executado, é muito bem-vindo. No entanto, o entretenimento e a interação entre essas criaturas e os humanos ao seu redor costumam ser muito mais relevantes. No caso da produção de Philippe Lacheau, a comédia absurda e acelerada se torna sua maior qualidade.
Logo no início somos apresentados a uma floresta exuberante e a um brutamontes careca, de óculos escuros e fumando um enorme charuto. No instante em que o vemos, pensamos: vilão. Depois de décadas condicionados pela linguagem cinematográfica, associamos imediatamente esse conjunto de características ao antagonista clássico. Marsupilami: Confusão a Bordo explora justamente esses estereótipos, utilizando-os não apenas como ferramenta narrativa, mas principalmente como combustível para suas piadas.

Cena de “Marsupilami: Confusão a Bordo”- Divulgação Paris Filmes
Afinal, quem habita esse universo? Um pai que precisa dedicar mais atenção à família, uma criança sonhadora que deseja ver seus pais unidos novamente, o amigo completamente atrapalhado, um cantor decadente em busca de redenção, um vilão caricatural interpretado por Jean Reno e, claro, um bichinho extremamente carismático que praticamente carrega o filme nas costas.
Há algo de original nisso? Sinceramente, não. Ainda assim, a produção se sustenta graças a piadas inteligentes, muitas delas voltadas ao público adulto, needle drops muito bem escolhidos e, principalmente, constantes quebras de expectativa. Uma cena aparentemente dramática pode se transformar instantaneamente em comédia por meio de um simples corte seco, evocando um humor que lembra tanto Looney Tunes quanto a franquia Corra que a Polícia Vem Aí.
Por meio de um humor conduzido pelo caos, Marsupilami: Confusão a Bordo abraça a confusão e a gritaria sempre que necessário. E são justamente esses momentos que proporcionam as melhores sequências de um filme que dificilmente deixa o espectador sem um sorriso no rosto.
As situações podem não fazer o menor sentido, mas é justamente isso que as torna tão divertidas. Pílulas que concedem habilidades de animais? Aceito. Uma criança que apanha de todas as formas possíveis e se levanta como se nada tivesse acontecido? Claro. Um pequeno marsupilami simplesmente virar o Goku? Estou completamente vendido.
As soluções narrativas surgem de maneira rápida e absurdamente conveniente? Também. Mas quem procurar profundidade em uma obra que bebe diretamente da essência de clássicos como Gremlins (1984, Joe Dante), incluindo um Marsupilami animatrônico e não 100% CGI, dificilmente encontrará algo além da superfície. E, no fim das contas, é exatamente assim que deve ser, e não por isso deixa de ser marcante.

Cena de “Marsupilami: Confusão a Bordo”- Divulgação Paris Filmes
Com um ritmo extremamente ágil, Marsupilami: Confusão a Bordo pode até seguir à risca o manual das produções infantis, mas esse manual existe justamente porque funciona. Problemas como o CGI irregular de algumas cenas perdem completamente a importância diante de uma sequência em que um bebê é literalmente fisgado por acidente e lançado para um tanque de piranhas.
Às vezes, tudo o que precisamos é abraçar uma galhofa sem qualquer compromisso e desejar ter um marsupilami como companheiro. David e Tess chegam a uma reconciliação ao final? Sim. Esse desenvolvimento poderia ter sido melhor trabalhado ao longo da narrativa? Sem dúvida. Mas Philippe Lacheau jamais pareceu interessado em construir um filme digno do Oscar. Seu objetivo sempre foi realizar o tipo de filme que ele próprio gostaria de assistir. E, quando toda a equipe transmite essa energia caótica e contagiante, o público embarca junto.
Distribuído pela Paris Filmes, Marsupilami: Confusão a Bordo estreia nos cinemas brasileiros no dia 23 de julho.
Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!



