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Marcha das Mulheres Negras
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XII Marcha das Mulheres Negras leva milhares de manifestantes a Copacabana em defesa da democracia, da reparação e do bem viver

Mobilização integra o Julho das Pretas e reúne mulheres de todas as regiões do estado em um ato que une reivindicação política, ancestralidade, cultura e fortalecimento da economia criativa negra

Por Caroline Teixeira
Última Atualização 22 de julho de 2026
6 Min Leitura
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divulgação
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A Praia de Copacabana voltará a ser palco de uma das maiores mobilizações do movimento de mulheres negras no estado do Rio de Janeiro. No próximo 26 de julho, a partir das 10h, milhares de participantes são esperadas no Posto 2 para a realização da XII Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro, manifestação que integra a programação nacional do Julho das Pretas e reafirma a luta contra o racismo, em defesa da democracia, da reparação histórica e do bem viver.

Realizada sempre no entorno do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e do Dia Nacional de Tereza de Benguela, celebrados em 25 de julho, a marcha tornou-se um dos principais espaços de articulação política das mulheres negras fluminenses. Mais do que uma manifestação, o encontro reúne diferentes gerações, coletivos, organizações e lideranças em torno da defesa de políticas públicas voltadas ao enfrentamento das desigualdades raciais e de gênero.

Neste ano, o tema “Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e pelo bem viver” dá continuidade às discussões realizadas nas edições anteriores, colocando em evidência a necessidade de medidas capazes de enfrentar os efeitos históricos do racismo estrutural e ampliar o acesso da população negra a direitos, oportunidades e participação política.

Organizada pelo Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro (FEM Negras-RJ), a mobilização deve reunir representantes de municípios das oito regiões do estado, entre eles Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Campos dos Goytacazes, Nova Friburgo, Angra dos Reis e Volta Redonda, demonstrando o alcance estadual do movimento.

Segundo uma das coordenadoras do FEM Negras-RJ, Clátia Vieira, a marcha reafirma a ocupação do espaço público como forma de resistência e afirmação de direitos.

“Vamos ocupar as ruas de Copacabana mais uma vez para afirmar que nossa humanidade é inegociável. Seguimos em marcha por um Brasil sem racismo, com dignidade, liberdade e justiça para todas, todos e todes”, afirma.

A expectativa é repetir a grande adesão registrada na edição anterior, que, segundo a Polícia Militar, reuniu mais de 30 mil participantes.

Além do caráter político, a Marcha das Mulheres Negras também se consolida como um grande encontro da produção cultural afro-brasileira.

Ao longo do percurso, o público acompanhará apresentações musicais, performances e manifestações tradicionais que celebram a ancestralidade e a resistência da população negra.

Entre os destaques da programação estão a performance “Oxum”, criada pela arte-educadora, atriz e produtora cultural Julia Dutra, além de apresentações de grupos como Afrolaje, Angoleiras, Obara Ylê de Ouro e da cantora Laysa Griot, artista que utiliza a música como instrumento de valorização da cultura afro-brasileira e da memória ancestral.

Fundado em 2012, o Afrolaje tornou-se referência na valorização de expressões culturais como jongo, capoeira e samba de roda, desenvolvendo também ações voltadas ao fortalecimento da autoestima, da identidade e do protagonismo das mulheres negras.

O encerramento da Marcha das Mulheres Negras será marcado por rodas de samba comandadas por Cassiana Pérola Negra & Banda e pelo grupo Moça Prosa, transformando a dispersão em um momento de celebração coletiva e fortalecimento dos vínculos entre as participantes.

A programação inclui ainda uma feira de afroempreendedorismo reunindo cerca de 60 empreendedoras negras de diferentes municípios fluminenses.

O público encontrará produtos ligados à economia criativa, como biojoias, moda afro, moda ativista e inclusiva, ecobags, saboaria artesanal, aromaterapia, estamparia e diversos artigos produzidos por mulheres negras.

Mulher negra
pixabay

A gastronomia também integra a programação com a participação de cinco afroempreendedoras que apresentarão pratos inspirados na tradição culinária afro-brasileira. A proposta é valorizar conhecimentos transmitidos entre gerações e destacar a culinária como patrimônio cultural, ferramenta de geração de renda e expressão da identidade negra.

Ao reunir manifestação política, apresentações culturais e iniciativas de empreendedorismo, a XII Marcha das Mulheres Negras reafirma a importância do Julho das Pretas como um período de mobilização nacional em torno da valorização das mulheres negras, da preservação de suas memórias e da construção de políticas voltadas para a igualdade racial.

Serviço – XII Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro

Data: 26 de julho

Horário: concentração a partir das 10h

Local: Posto 2 – Praia de Copacabana

Entrada: gratuita

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Caroline Teixeira é estudante de Serviços Jurídicos e Notarial, Psicologia e Psicanálise, apaixonada por palavras, cultura e boas relações, acredita que a arte pode ser uma ótima ferramenta para a evolução da psique humana.

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