Desde a década de 1990, Power Rangers ocupa um espaço particular na cultura pop. A franquia transformou equipes de jovens heróis, uniformes coloridos, artes marciais, monstros gigantes e robôs em uma fórmula reconhecida por diferentes gerações.
Tudo começou com Mighty Morphin Power Rangers, série lançada em 1993 que apresentou ao público os primeiros Rangers e ajudou a estabelecer a identidade da marca. A produção combinava cenas de atores norte-americanos com sequências de ação provenientes da franquia japonesa Super Sentai.
A fórmula se expandiu rapidamente. Novas equipes, personagens, poderes, uniformes e Zords passaram a renovar a propriedade ao longo dos anos. Mesmo com mudanças de elenco e conceitos, a ideia central permaneceu: adolescentes ou jovens escolhidos recebem poderes para enfrentar ameaças que colocam o mundo em risco.
A franquia também chegou aos cinemas. O filme Power Rangers, lançado em 2017, tentou atualizar os personagens para uma nova geração, com Dacre Montgomery, RJ Cyler, Naomi Scott, Becky G e Ludi Lin no elenco. O longa ainda contou com Bill Hader, Bryan Cranston e Elizabeth Banks.
Mais recentemente, a série Power Rangers Cosmic Fury chegou à Netflix em 2023, com dez episódios. Desde então, os fãs aguardavam uma nova produção live-action capaz de reposicionar a franquia.
Em março de 2025, surgiu a notícia de que a Disney+ e a 20th Television desenvolviam uma nova série live-action de Power Rangers. A produção teria a Hasbro como parceira e contaria com Jonathan E. Steinberg e Dan Shotz como showrunners, roteiristas e produtores.
Os dois nomes chamavam atenção porque estavam envolvidos com Percy Jackson e os Olimpianos, uma das principais apostas da Disney+.
A proposta, porém, não avançará. Segundo informações da Deadline repercutidas pelo ScreenRant, a série permanecerá apenas na fase de desenvolvimento.
A decisão teria relação principalmente com questões comerciais e orçamentárias, e não com problemas criativos. Uma produção de Power Rangers exige um investimento considerável em ação, efeitos visuais, criaturas, cenários e, naturalmente, nos famosos Zords.
Existe ainda uma particularidade importante: a Hasbro é proprietária dos direitos de Power Rangers, enquanto a Disney seria responsável pela produção e distribuição no streaming. Essa divisão torna o investimento mais complexo.
O cancelamento representa mais uma tentativa frustrada de recuperar a franquia no live-action.
Antes da Disney, a Hasbro também havia trabalhado em um projeto para a Netflix. A produção teria Jenny Klein, de Daisy Jones & The Six, como showrunner, em parceria com Jonathan Entwistle. O projeto também não avançou.
A situação chama atenção porque Power Rangers continua tendo uma base de fãs consolidada. A dificuldade parece estar menos na existência de público e mais em encontrar um modelo de produção que faça sentido comercialmente para uma propriedade com tantas exigências visuais.
O último filme, lançado em 2017, recebeu 51% de aprovação da crítica e 65% do público no Rotten Tomatoes, segundo os dados citados pelo ScreenRant. O desempenho não foi suficiente para consolidar uma nova franquia cinematográfica.
Agora, depois das tentativas envolvendo Netflix e Disney+, ainda não há uma nova plataforma ou estúdio confirmado para assumir a próxima produção live-action.
Enquanto isso, Steinberg e Shotz continuam trabalhando em Percy Jackson e os Olimpianos. A terceira temporada da série está prevista para chegar ao Disney+ em 20 de novembro.
Para Power Rangers, resta uma pergunta que acompanha a franquia há anos: como modernizar uma marca criada nos anos 1990 sem perder justamente os elementos que fizeram dela um fenômeno entre crianças, adolescentes e adultos?
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