Antes de chegar oficialmente aos cinemas brasileiros, o filme Nem Toda História de Amor Acaba em Morte promove sessões especiais gratuitas em São Paulo e no Rio de Janeiro. No Rio, a exibição acontece em 10 de setembro, às 18h30, no Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).
Dirigido e roteirizado por Bruno Costa, o longa chega ao circuito comercial em 24 de setembro de 2026 e apresenta uma história de amor, maternidade, sexualidade e convivência a partir da experiência de uma protagonista surda.
A sessão carioca faz parte de uma série de três pré-estreias gratuitas realizadas antes do lançamento nacional. A primeira aconteceu em 2 de setembro, no Espaço Petrobras de Cinema, em São Paulo. Depois do Rio, o filme terá uma terceira exibição em 16 de setembro, às 15h, no CEU Carrão, também na capital paulista.
Mais do que antecipar o lançamento, as sessões apresentam ao público uma característica central da produção: a acessibilidade foi incorporada à própria construção artística do filme.
Nem Toda História de Amor Acaba em Morte acompanha Lola, interpretada por Gabriela Grigolom, uma jovem atriz surda e mãe solo que tenta conciliar a criação da filha com a manutenção de sua companhia de teatro.
O grupo é formado por artistas surdos e representa uma parte importante da vida da personagem. É nesse ambiente que Lola segue desenvolvendo sua relação com a arte enquanto enfrenta os desafios da maternidade e da vida afetiva.
Depois do fim de seu casamento com Miguel, personagem de Octávio Camargo, Lola conhece Sol, interpretada por Chiris Gomes. As duas iniciam um relacionamento que passa a transformar a dinâmica familiar.
A situação ganha uma configuração pouco convencional porque Miguel continua vivendo na mesma casa.
A convivência entre os três personagens abre espaço para que o longa discuta diferentes formas de relacionamento e de família. Amor, maternidade, sexualidade, preconceito, diferenças, comunicação e o papel da arte aparecem entre os temas trabalhados pela narrativa.
Um dos principais diferenciais de Nem Toda História de Amor Acaba em Morte está na maneira como a produção trata a acessibilidade.
As sessões do filme, inclusive depois da estreia comercial, contarão com Libras e legendas incorporadas à tela. Recursos adicionais estarão disponíveis pelo aplicativo PingPlay, incluindo ferramentas voltadas para pessoas cegas.
No entanto, a proposta vai além de simplesmente acrescentar recursos de acessibilidade ao filme pronto.
Os intérpretes de Libras aparecem caracterizados como os próprios personagens que estão falando. Dessa maneira, a tradução em Libras passa a fazer parte da experiência visual e da construção narrativa.
A audiodescrição também recebe um tratamento específico. Em vez de funcionar apenas como uma narração convencional, o recurso é interpretado por atores, que dão vida às descrições.
Essa escolha aproxima a acessibilidade da própria linguagem cinematográfica do longa.
Produção também contou com profissionais surdos
A preocupação com a inclusão não ficou restrita ao que aparece na tela.
A produção contou com artistas e profissionais surdos, além de intérpretes de Libras, ampliando a participação da comunidade surda em diferentes etapas do projeto.
A estratégia coloca a representatividade também nos bastidores e acompanha a proposta de construir uma obra na qual a experiência de pessoas surdas não seja apenas um elemento temático.
Depois das sessões especiais, o público poderá participar de debates sobre o filme e os assuntos apresentados pela história. Bruno Costa e Gabriela Grigolom estarão presentes nos encontros.
No Rio de Janeiro, a sessão acontece justamente no INES, instituição diretamente relacionada à educação de pessoas surdas no país.
Antes da estreia comercial, o longa construiu uma trajetória em festivais nacionais e internacionais.
A produção recebeu o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no Rio LGBTQIA+ 2025 e também foi reconhecida no 29º Cine PE.
No festival pernambucano, Nem Toda História de Amor Acaba em Morte recebeu o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular, enquanto Octávio Camargo foi escolhido como Melhor Ator pelo Júri Oficial.
A produção também foi premiada no Reino Unido. No OFN LGBTQIA+ Film Festival 2026, recebeu os prêmios de Melhor Longa-Metragem e Melhor Atuação, este último para Gabriela Grigolom.
O filme ainda foi indicado ao 14º Prêmio Sebastiane Latino, concedido pela associação GEHITU no contexto do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián.
Esses reconhecimentos antecedem a chegada do longa ao circuito comercial brasileiro e ajudam a apresentar a produção como uma obra que articula cinema, representatividade LGBTQIA+ e protagonismo surdo.
A relação entre Lola e Sol é o ponto de partida para uma narrativa que evita restringir o romance à estrutura tradicional de casal.
A permanência de Miguel na mesma casa cria uma convivência marcada por afetos e conflitos, permitindo que o filme explore diferentes possibilidades de relacionamento.
Ao mesmo tempo, a maternidade ocupa uma posição importante na trajetória de Lola. A personagem precisa equilibrar seus desejos pessoais, sua responsabilidade como mãe e sua dedicação à companhia teatral.
A arte também funciona como elemento fundamental da história, tanto pela profissão da protagonista quanto pela presença de outros artistas surdos em sua companhia.
Assim, o longa combina romance e drama com discussões sobre comunicação, identidade e preconceito, utilizando a experiência de seus personagens para colocar diferentes formas de existência e afeto no centro da narrativa.
A chegada aos cinemas acontece em 24 de setembro, depois de uma série de sessões gratuitas que busca aproximar o filme do público antes da estreia.
No Rio, a oportunidade será no dia 10 de setembro, no INES, em uma sessão que reforça justamente um dos principais conceitos da produção: acessibilidade não apenas como recurso técnico, mas como parte integrante da experiência cinematográfica.
Serviço – Pré-estreia de Nem Toda História de Amor Acaba em Morte
Rio de Janeiro
Data: 10 de setembro de 2026
Horário: 18h30
Local: Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES)
Entrada: gratuita
São Paulo
16 de setembro, às 15h
CEU Carrão
Estreia nacional nos cinemas: 24 de setembro de 2026
Direção e roteiro: Bruno Costa
Elenco: Gabriela Grigolom, Chiris Gomes e Octávio Camargo
Produção: Gil Baroni e Andréa Tomeleri, da Beija Flor Filmes, em associação com a Fluindo Libras
Distribuição: ELO STUDIOS
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