Quase duas décadas depois de chegar às livrarias, O Mago, biografia de Paulo Coelho escrita por Fernando Morais, ganha uma nova edição pela Realejo Edições. O livro chega novamente ao público em setembro, com posfácio inédito assinado pelo próprio autor e uma nova identidade visual preparada especialmente para o lançamento.
Publicado originalmente em 2008, o livro percorre episódios pouco conhecidos da trajetória de Paulo Coelho e acompanha a transformação do jovem que queria se tornar escritor até sua consagração internacional.
A nova edição está em pré-venda, com envios e retiradas a partir do dia 26 de setembro. Também está prevista uma sessão de autógrafos na sede da Realejo, a livraria da editora, em Santos, no litoral paulista.
Com 652 páginas, O Mago recupera uma história que passa por literatura, música, política, espiritualidade, família e conflitos pessoais.
Um dos elementos mais particulares da pesquisa de Fernando Morais foi o acesso a documentos pessoais preservados por Paulo Coelho desde a juventude.
Para escrever a biografia, o jornalista encontrou quase 200 diários e dezenas de fitas gravadas pelo escritor ao longo de sua vida.
O material alterou completamente o projeto inicial do livro. Morais conta que já havia escrito aproximadamente 300 páginas quando teve acesso ao acervo.
“Quando abri aquele baú em Copacabana, encontrei ouro puro: quase 200 diários e dezenas de fitas gravadas desde a juventude dele. Ao ver aquilo, joguei fora as 300 páginas que já tinha escrito e comecei o livro do zero”, relembra o biógrafo.
Segundo Morais, os diários levaram a pesquisa para outro patamar porque permitiram reconstruir a trajetória de Paulo Coelho a partir de registros pessoais produzidos durante diferentes fases de sua vida.
O compromisso adotado pelo jornalista também chamou atenção. O conteúdo foi lido e utilizado sem uma revisão prévia do biografado. Paulo Coelho só recebeu o exemplar depois da publicação comercial.
O resultado foi uma biografia que procura não apenas contar a história pública do escritor, mas também confrontá-la com suas próprias memórias e registros pessoais.
O Mago acompanha Paulo Coelho desde a infância e passa por episódios que ajudam a compreender a formação do escritor.
Entre os momentos abordados estão as internações em hospitais psiquiátricos, o envolvimento com o ocultismo, a parceria musical com Raul Seixas durante a década de 1970, a prisão e a tortura durante a ditadura militar e, posteriormente, a transformação espiritual que ajudou a definir sua trajetória literária.
A biografia também apresenta uma característica que Fernando Morais identifica como um dos principais fios condutores da vida de Paulo Coelho: a obsessão, ainda na juventude, em se tornar um dos autores mais importantes e lidos do mundo.
A história ganha força justamente porque não acompanha uma trajetória linear de sucesso. Antes de se transformar em um dos escritores brasileiros mais conhecidos internacionalmente, Paulo Coelho atravessou períodos de conflito, rupturas e mudanças de direção.
Para Morais, essa complexidade tornou o personagem particularmente interessante.
“Eu tive sorte de um personagem tão espantoso e surpreendente como o Paulo Coelho cair no meu colo”, afirma o jornalista, que considera O Mago um de seus livros favoritos.
Na avaliação do autor, a própria personalidade do biografado contribuiu para que a obra assumisse uma estrutura diferente de seus livros de ficção.
“Enquanto a obra é plácida e toca a alma, a biografia é uma sucessão de polêmicas e tragédias”, resume Morais.
Paulo Coelho se surpreendeu com o próprio retrato
O processo também teria provocado uma reação forte no próprio Paulo Coelho.
Ao ler a biografia finalizada, o escritor teria se surpreendido com a intensidade do relato e com a recuperação de memórias e acontecimentos que estavam distantes de sua lembrança cotidiana.
A experiência foi descrita pelo próprio escritor como uma espécie de “psicanálise involuntária”.
A expressão ajuda a dimensionar a proposta do livro. Mais do que organizar cronologicamente a carreira de um escritor famoso, Morais buscou reconstruir a pessoa por trás da figura pública.
Os diários tiveram papel fundamental nesse processo, permitindo estabelecer uma relação entre acontecimentos, pensamentos e decisões registrados ao longo dos anos.
Quando chegou às livrarias pela primeira vez, em 2008, O Mago chamou atenção pelo tamanho do projeto e pela quantidade de informações reunidas sobre a vida de Paulo Coelho.
A biografia acabou ultrapassando o mercado brasileiro. O livro foi traduzido e publicado em 20 países, incluindo Estados Unidos, Espanha, Itália, França, Rússia, Polônia e Alemanha.
Segundo a Realejo, a obra já ultrapassou 1 milhão de exemplares vendidos.
A nova edição recupera esse trabalho para uma nova geração de leitores, agora com um posfácio inédito que acrescenta uma nova camada à narrativa construída por Morais.
Para José Luiz Tahan, da Realejo, a relevância do relançamento também está na possibilidade de apresentar a história de Paulo Coelho a leitores que cresceram depois da publicação original.
“Estamos diante de uma obra relevante por seu conteúdo, por seu autor e por apresentar às novas gerações uma história que envolve um dos maiores vendedores de livros em todo o mundo, o escritor Paulo Coelho”, afirma.
A nova edição também reforça a amplitude do personagem retratado. A trajetória passa por diferentes universos e permite acompanhar transformações que vão muito além da literatura.
Música, política, espiritualidade, relações familiares, rompimentos e recomeços aparecem lado a lado na construção do retrato.
Com o posfácio inédito e a nova apresentação editorial, O Mago retorna às livrarias quase 20 anos depois de sua primeira publicação para revisitar uma das trajetórias mais singulares da literatura brasileira contemporânea.
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