O futuro do Carnaval de rua, seu impacto na economia e os desafios paraorganizar a festa em 2027 estão no centro da programação do Desenrolando a Serpentina. O evento, realizado pela Sebastiana, celebra 20 anos com uma edição especial no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Neste sábado (17), o público poderá acompanhar debates, atividades culturais e apresentações musicais gratuitas.
A programação começa às 10h e reúne profissionais da cultura, gestores públicos, pesquisadores e representantes do Carnaval. À noite, a agenda inclui o DJ JP, às 18h30, o bloco Vem Cá, Minha Flor, às 19h30, e o tradicional Cordão da Bola Preta, às 21h.
A edição comemorativa tem como tema “Carnaval: como as transformações sociais, econômicas e políticas vão impactar a festa”. A proposta é discutir como mudanças na economia, na política e na legislação podem afetar os blocos, os trabalhadores e os diferentes setores ligados à folia.
O sábado começa com a roda de conversa “Olhares da fotografia na cobertura do Carnaval”, às 10h. O encontro reúne profissionais que registram os blocos de rua e os desfiles da Marquês de Sapucaí. A discussão aborda a fotografia como ferramenta de documentação, memória e construção da identidade do Carnaval carioca.
Às 14h, a mesa “Carnaval: economia criativa e projeto de cidades” coloca em pauta as oportunidades de trabalho e negócios geradas pela festa. O debate também aborda formas de manter esses efeitos ao longo do ano, com calendários culturais e políticas públicas permanentes.
A programação segue das 16h30 às 18h30 com a mesa “Os desafios do Carnaval de Rua para 2027”. Entre os temas previstos estão infraestrutura, mobilidade, segurança, ordenamento de ambulantes, financiamento, direitos autorais e preservação do patrimônio cultural.
As discussões procuram contribuir para o planejamento dos próximos desfiles e para a construção de soluções que atendam aos diferentes atores envolvidos na festa.
A dimensão econômica do Carnaval reforça a importância dos debates. Em 2025, a festa carioca movimentou mais de R$ 5 bilhões, segundo os dados apresentados pela organização do evento. O impacto alcança setores como hotelaria, comércio e transporte, além de gerar empregos diretos e indiretos.
Um estudo do Instituto Fecomércio RJ estima que o efeito econômico total possa ter chegado a aproximadamente R$ 8,8 bilhões no mesmo ano. A estimativa considera impactos diretos, indiretos e induzidos nas cadeias de consumo e renda.
Para a presidente da Sebastiana, Rita Fernandes, o Carnaval precisa ser compreendido como parte estratégica da economia e da vida cultural do Rio.
“Nosso objetivo é ampliar a compreensão do Carnaval como um ativo econômico estruturante do Rio de Janeiro, destacando sua capacidade de gerar empregos, movimentar a economia criativa, fortalecer o turismo e estimular a ocupação democrática da cidade ao longo de todo o ano. E diante de tantas mudanças que se anunciam, é preciso entender qual será o nosso papel e o nosso espaço de representação”, afirma.
Shows gratuitos encerram a programação
A partir das 18h30, o evento passa da reflexão para a música. O DJ JP abre a programação artística, seguido pelo bloco Vem Cá, Minha Flor, às 19h30. Às 21h, o Cordão da Bola Preta encerra a noite.
A presença dos grupos reforça a relação entre o debate e a prática cultural. Além de discutir os desafios de organização da festa, o encontro oferece ao público uma oportunidade de vivenciar a música e a ocupação coletiva dos espaços da cidade.
Realizado pela Sebastiana, o Desenrolando a Serpentina chega aos 20 anos como espaço de diálogo sobre o Carnaval de rua. A edição no MAM Rio reúne questões econômicas, sociais e culturais que devem influenciar os próximos anos da maior festa popular do país.
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